
AIMO E IFPELAC Projectam Qualificar Mil Trabalhadores E Integrar 500 Aprendizes Na Indústria Até 2029
- Plano de operacionalização da parceria prevê mobilizar 100 empresas, certificar 500 trabalhadores por reconhecimento de competências, actualizar pelo menos dez qualificações profissionais e expandir a Formação em Alternância para sete províncias
Questoes-Chave
- Pelo menos 1.000 trabalhadores das empresas associadas da AIMO deverão ser qualificados ou requalificados entre 2026 e 2029.
- O plano prevê certificar 500 profissionais através do Reconhecimento de Competências Adquiridas, valorizando conhecimentos desenvolvidos ao longo da experiência laboral.
- Cem empresas deverão ser mobilizadas para acolher programas de aprendizagem em contexto de trabalho, envolvendo pelo menos 500 aprendizes.
- A Formação em Alternância deverá manter-se nas cinco províncias actualmente abrangidas e expandir-se para mais duas províncias.
- AIMO e IFPELAC pretendem identificar ou actualizar pelo menos dez qualificações profissionais, com maior participação das empresas na definição dos conteúdos formativos.
- O Centro de Metalomecânica do IFPELAC deverá ser consolidado como plataforma nacional de formação tecnológica de formadores.
A Associação Industrial de Moçambique, AIMO, e o Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo, IFPELAC, estão a concluir o Plano de Operacionalização do Memorando de Entendimento que deverá orientar, entre 2026 e 2029, uma intervenção conjunta destinada a aproximar a formação profissional das necessidades efectivas da indústria.
O plano estabelece metas quantitativas para a qualificação de trabalhadores, certificação de competências adquiridas, formação de aprendizes dentro das empresas, actualização das qualificações profissionais e expansão territorial da Formação em Alternância.
Entre os principais resultados previstos encontra-se a qualificação ou requalificação de pelo menos 1.000 trabalhadores das empresas associadas da AIMO, bem como a certificação de outros 500 profissionais através do Reconhecimento de Competências Adquiridas, RCA.
A parceria pretende igualmente mobilizar pelo menos 100 empresas para programas de aprendizagem em contexto de trabalho e integrar 500 aprendizes em experiências formativas organizadas dentro das unidades produtivas.
O Memorando estabelece como objectivo a melhoria contínua da formação profissional e dos estudos laborais, através de uma actuação conjunta orientada para o fortalecimento e a eficiência da indústria moçambicana. O instrumento possui abrangência nacional e inclui formação profissional, formação em Administração do Trabalho e pesquisa laboral.
Formação Passa A Partir Da Procura Industrial
Um dos elementos centrais da parceria é a mudança de uma oferta formativa definida predominantemente pelas instituições de ensino para um modelo mais orientado pela procura real das empresas.
O plano prevê a institucionalização de um mapeamento periódico das necessidades de competências da indústria, com a participação de pelo menos 30% dos associados da AIMO.
Este exercício deverá identificar défices técnicos, novas ocupações, competências emergentes e necessidades de actualização dos trabalhadores em áreas como metalomecânica, agro-indústria, construção civil, energias renováveis, legislação laboral, gestão de pessoas, gestão fabril e Higiene e Segurança no Trabalho.
No Memorando, a AIMO assume a responsabilidade de mobilizar as empresas para participarem no levantamento das competências críticas, indicarem profissionais para certificação e proporem matérias ou módulos que devem integrar os programas de formação.
Ao IFPELAC cabe liderar o mapeamento, criar turmas, capacitar tutores empresariais e co-criar currículos ajustados às competências requeridas pelos diferentes sectores industriais.
Esta articulação procura responder a uma das principais limitações do sistema de formação profissional: a existência de trabalhadores sem as qualificações exigidas pelas empresas e, simultaneamente, de graduados cujas competências nem sempre correspondem às funções efectivamente disponíveis no mercado.
O mapeamento periódico deverá permitir que os cursos sejam revistos à medida que as tecnologias, os processos de produção e os modelos de gestão industrial se transformam.
Mais do que identificar profissões em falta, o levantamento deverá orientar decisões sobre equipamentos, formação de formadores, duração dos programas, localização das turmas e prioridades de investimento.
Dez Qualificações Profissionais Deverão Ser Revistas
A AIMO deverá participar activamente na identificação, elaboração ou actualização de pelo menos dez qualificações profissionais consideradas prioritárias para a indústria.
A meta representa uma tentativa de conferir às empresas maior influência sobre os perfis profissionais, conteúdos programáticos e resultados de aprendizagem esperados.
Uma qualificação profissional não deve limitar-se à designação de uma profissão. Precisa de especificar as competências que o trabalhador deve demonstrar, as tarefas que estará habilitado a executar, os padrões de qualidade e segurança e os critérios utilizados para avaliação e certificação.
O próprio Memorando determina que os planos operativos indiquem os objectivos específicos, o número e perfil dos beneficiários, os formadores, materiais, equipamentos, resultados, locais de realização e processos de monitoria e avaliação. Prevê igualmente o reconhecimento das qualificações pelas entidades responsáveis pela regulação da formação profissional no País.
A participação das empresas será especialmente relevante em actividades sujeitas a rápida mudança tecnológica. A electrificação dos equipamentos, automação, manutenção digital, utilização de energias renováveis e adopção de novos padrões de segurança estão a modificar as competências exigidas em vários segmentos industriais.
Sem mecanismos regulares de actualização, as qualificações podem tornar-se obsoletas antes mesmo de os formandos concluírem os cursos.
Mil Trabalhadores Para Qualificação E Requalificação
A meta de qualificar ou requalificar pelo menos 1.000 colaboradores deverá abranger trabalhadores já integrados nas empresas associadas da AIMO.
A qualificação permitirá preparar profissionais para funções em que ainda não possuem formação formal adequada. A requalificação deverá actualizar ou reconverter trabalhadores cujas ocupações foram transformadas pela introdução de novas tecnologias, processos e exigências produtivas.
Esta dimensão da parceria reconhece que o défice de competências industriais não pode ser resolvido apenas através da preparação de jovens que procuram o primeiro emprego.
Uma parcela importante do desafio encontra-se dentro das próprias empresas, onde trabalhadores experientes necessitam de actualizar conhecimentos técnicos, de gestão, segurança e operação de equipamentos.
A formação contínua pode gerar ganhos de produtividade sem obrigar as empresas a substituir a força de trabalho existente. Pode também reduzir acidentes, desperdícios, falhas de qualidade e períodos de indisponibilidade das máquinas.
Para produzir estes resultados, os programas terão de ser ajustados aos horários das empresas, aos diferentes níveis de escolaridade dos trabalhadores e às condições reais das unidades produtivas.
Experiência Profissional Passa A Ter Reconhecimento Formal
O Plano de Operacionalização prevê que pelo menos 500 trabalhadores sejam certificados através do Reconhecimento de Competências Adquiridas.
O RCA permite avaliar e certificar conhecimentos e habilidades desenvolvidos ao longo da experiência profissional, mesmo quando o trabalhador não frequentou anteriormente um percurso formal de formação.
Na indústria moçambicana, muitos profissionais adquiriram competências por meio da prática, aprendizagem com colegas, execução repetida de tarefas e participação em projectos, mas permanecem sem um certificado que demonstre formalmente a sua capacidade.
Esta situação limita a progressão profissional, a mobilidade entre empresas e o acesso a funções que exigem qualificações reconhecidas.
O Memorando atribui à AIMO a responsabilidade de identificar colaboradores com competências adquiridas durante a carreira, enquanto o IFPELAC deverá divulgar as oportunidades de certificação e organizar os respectivos processos.
A certificação de 500 trabalhadores poderá representar um dos resultados de maior impacto imediato, desde que a avaliação mantenha padrões rigorosos e seja reconhecida pelas empresas e entidades reguladoras.
O mecanismo não deve funcionar como atribuição automática de certificados com base no número de anos de serviço. Deve avaliar evidências concretas, desempenho prático, conhecimentos de segurança, qualidade do trabalho e domínio das tarefas associadas à qualificação.
Cem Empresas Deverão Abrir Espaço Para Aprendizagem
A parceria pretende mobilizar pelo menos 100 empresas para participarem em programas de aprendizagem em contexto de trabalho.
Estas empresas deverão acolher 500 aprendizes, permitindo-lhes complementar a formação realizada nos centros do IFPELAC com experiências práticas dentro de unidades produtivas.
O modelo procura reduzir a distância entre o ambiente de formação e as condições reais da indústria. Dentro das empresas, os aprendizes podem lidar com equipamentos, normas, ritmos de produção, equipas, procedimentos de segurança e padrões de qualidade que dificilmente podem ser integralmente reproduzidos numa sala de formação.
Para a AIMO, a responsabilidade será identificar e mobilizar empresas com condições para receber aprendizes, estágios e programas de Formação em Alternância. Ao IFPELAC competirá organizar turmas, preparar os participantes e capacitar tutores técnicos designados pelas próprias empresas.
A qualidade da aprendizagem dependerá, contudo, da existência de planos individuais, tutoria efectiva, acompanhamento regular e critérios de avaliação.
A colocação de um aprendiz numa empresa não constitui, por si só, formação. Sem objectivos definidos e supervisão, existe o risco de os participantes serem utilizados apenas em tarefas auxiliares, sem desenvolverem as competências previstas.
Formação Em Alternância Deverá Chegar A Sete Províncias
O plano prevê a participação activa da AIMO na implementação da Formação em Alternância nas cinco províncias actualmente abrangidas e a expansão para pelo menos mais duas.
Esta modalidade combina períodos de aprendizagem num centro de formação com períodos de prática dentro das empresas.
A alternância permite que os conteúdos teóricos sejam aplicados a situações concretas e que as empresas contribuam directamente para a formação dos futuros trabalhadores.
A expansão territorial dependerá da presença simultânea de centros do IFPELAC, empresas disponíveis, tutores qualificados, equipamentos e procura suficiente por cada área profissional.
Por essa razão, a escolha das duas novas províncias deverá resultar do mapeamento das necessidades industriais e não apenas de uma decisão de cobertura geográfica.
Províncias com corredores logísticos, parques industriais, agro-indústrias, projectos mineiros, energéticos ou de construção poderão apresentar condições para desenvolver programas ligados às respectivas actividades económicas.
O Memorando prevê ainda que a AIMO facilite a celebração de acordos entre centros de formação e indústrias circunvizinhas, enquanto o IFPELAC deverá disponibilizar modelos para estruturar estas parcerias locais.
Centro De Metalomecânica Deverá Formar Formadores
Outro resultado estratégico será a consolidação do Centro de Formação de Metalomecânica do IFPELAC como plataforma nacional de formação tecnológica de formadores.
A proposta já se encontra inscrita no Memorando, que atribui às duas instituições responsabilidades complementares na preparação do projecto de transformação do Centro numa referência nacional.
A formação de formadores é uma condição fundamental para expandir a oferta sem reduzir a qualidade.
Novos equipamentos e currículos produzem resultados limitados quando os formadores não possuem contacto regular com as tecnologias, os processos e os padrões utilizados pelas empresas.
O Centro poderá funcionar como espaço de actualização técnica, certificação pedagógica, intercâmbio com especialistas da indústria e preparação de formadores provenientes de diferentes províncias.
A sua consolidação deverá, porém, ser traduzida em indicadores concretos: modelo institucional aprovado, equipamentos instalados, áreas de especialização definidas, número de formadores preparados e parcerias técnicas estabelecidas.
Sem estes marcos, a expressão “plataforma nacional” poderá permanecer como uma ambição institucional sem correspondência operacional.
Conferências E Campeonatos Deverão Produzir Resultados Utilizáveis
O plano inclui a realização de conferências, seminários, workshops, intercâmbios técnicos e campeonatos de profissões.
Estas actividades podem aumentar a visibilidade da formação profissional, promover a troca de experiências e aproximar estudantes, trabalhadores, empresas, formadores e decisores públicos.
Os campeonatos de profissões poderão estimular padrões de excelência e demonstrar, através de provas práticas, as competências exigidas em áreas como soldadura, electricidade, mecânica, manutenção e construção.
Todavia, a utilidade destas iniciativas dependerá da sua ligação com os objectivos centrais da parceria.
Cada conferência ou workshop deverá produzir recomendações, compromissos empresariais, actualizações dos programas formativos ou identificação de necessidades específicas. Os intercâmbios técnicos deverão resultar em conhecimentos aplicáveis e não apenas em visitas institucionais.
A realização de eventos constitui uma actividade. O resultado económico e formativo encontra-se nas decisões, competências, acordos e melhorias que deles derivarem.
Metas Exigem Uma Base De Cálculo Clara
A meta de adesão de pelo menos 80% dos associados da AIMO demonstra a intenção de conferir escala empresarial à parceria.
Contudo, a sua monitoria exigirá uma definição clara da base de cálculo. Será necessário determinar quantos associados se encontram activos no início da implementação e o que será considerado adesão.
Uma empresa que participa num inquérito de competências estará abrangida da mesma forma que outra que indica trabalhadores, acolhe aprendizes e participa na revisão das qualificações?
A resposta deverá ser estabelecida no quadro de monitoria, distinguindo diferentes níveis de participação.
O mesmo cuidado será necessário na contagem dos beneficiários. Um trabalhador pode participar numa formação e, posteriormente, ser certificado por RCA. O sistema deverá esclarecer se será contabilizado em duas metas ou identificado como um único beneficiário que recebeu mais de um serviço.
A desagregação por sexo, idade, província, sector industrial, empresa e modalidade de formação permitirá avaliar não apenas quantas pessoas foram alcançadas, mas também onde os resultados se concentram e quais grupos permanecem menos abrangidos.
Comissão De Trabalho Terá Responsabilidade Central
O Memorando prevê a criação de uma Comissão de Trabalho composta por representantes da AIMO e do IFPELAC, responsável pela elaboração e implementação do Plano Operacional.
O documento determina que o plano seja elaborado no prazo de 30 dias após a nomeação dos membros e submetido à aprovação das duas instituições.
A Comissão será, portanto, o principal mecanismo de governação da parceria.
Caber-lhe-á converter as metas de 2026–2029 em actividades anuais, responsabilidades, orçamentos, fontes de financiamento, indicadores e calendários.
O Memorando estabelece que o orçamento e as fontes de recursos serão determinados para cada actividade específica. Isto significa que as metas ainda terão de ser associadas a custos e mecanismos concretos de financiamento.
Sem esta ligação, existe o risco de o plano apresentar objectivos ambiciosos sem os recursos necessários para assegurar formadores, equipamentos, deslocações, certificação, acompanhamento e expansão territorial.
A Comissão deverá igualmente harmonizar as disposições relativas à monitoria. O Memorando prevê encontros de avaliação semestrais numa cláusula e acompanhamento trimestral noutra, o que recomenda a definição de um único calendário operacional de reporte e decisão.
Parceria Procura Transformar Formação Em Produtividade
A relevância do Plano de Operacionalização não estará apenas no número de trabalhadores formados ou certificados.
O resultado decisivo será a capacidade de melhorar a produtividade, a qualidade, a segurança e a empregabilidade dentro da indústria.
Para as empresas, a parceria poderá reduzir os custos de recrutamento, encurtar os períodos de adaptação dos novos trabalhadores e facilitar a actualização dos profissionais em exercício.
Para o IFPELAC, a presença estruturada da AIMO oferece acesso regular às necessidades do sector produtivo, permitindo ajustar currículos, equipamentos e modalidades de formação.
Para os trabalhadores e aprendizes, a iniciativa pode criar percursos de qualificação mais próximos das oportunidades efectivas de emprego e progressão profissional.
O plano também poderá gerar informação sistemática sobre competências, empregabilidade e satisfação das empresas, áreas que o Memorando inclui entre as responsabilidades das duas instituições.
A execução entre 2026 e 2029 será, assim, um teste à capacidade de transformar a cooperação institucional num mecanismo permanente de ligação entre formação e produção.
Depreende o O.Económico que o alcance da parceria não será determinado apenas pela realização das actividades previstas, mas pela evidência de que as competências desenvolvidas respondem às necessidades das empresas, melhoram o desempenho dos trabalhadores e ampliam as oportunidades de emprego industrial em Moçambique.


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