UEM Inaugura Centro De Dados Para Acelerar Economia Do Conhecimento E Reforçar Soberania Digital

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  • A nova infra-estrutura multiplica por 14 a capacidade de armazenamento da Universidade Eduardo Mondlane e amplia as condições para investigação científica, inteligência artificial, ciência de dados, computação em nuvem e serviços digitais. O Governo pretende que o investimento seja convertido em inovação, empresas tecnológicas, emprego e soluções para a economia moçambicana.

Questões-Chave

  • O novo Centro de Dados aumenta em cerca de 14 vezes a capacidade de armazenamento de informação da UEM.
  • A infra-estrutura foi concebida com climatização de precisão, sistemas redundantes, monitoria ambiental, segurança reforçada e integração de energia solar.
  • O investimento deverá apoiar investigação científica, inteligência artificial, ciência de dados e aplicações que exigem elevada capacidade computacional.
  • A UEM poderá desenvolver serviços de nuvem privada e ampliar o apoio a estudantes, investigadores, startups e pequenas empresas tecnológicas.
  • O Centro de Dados reforça a protecção do património digital da universidade e de infra-estruturas nacionais como o domínio “.mz” e o MOZIX.
  • A geração de valor dependerá de competências técnicas, governação de dados, cibersegurança, interoperabilidade e utilização efectiva da capacidade instalada.

Nova Infra-Estrutura Amplia Capacidade Tecnológica Da UEM

A Universidade Eduardo Mondlane inaugurou, nesta segunda-feira, 3 de Agosto, um novo Centro de Dados concebido para apoiar a investigação científica, a inovação tecnológica, a prestação de serviços digitais e a modernização dos sistemas académicos e administrativos.

Financiada pelo Banco Mundial, a infra-estrutura aumenta em cerca de 14 vezes a capacidade de armazenamento da universidade, substituindo a antiga sala de servidores por uma instalação desenvolvida de raiz para responder a requisitos mais exigentes de desempenho, segurança e continuidade operacional.

Segundo o Reitor da UEM, Manuel Guilherme Júnior, o Centro de Dados não deve ser entendido apenas como um espaço destinado ao alojamento de servidores. Constitui uma plataforma para preservar o património digital da instituição, proteger informação, assegurar a continuidade dos serviços e ampliar a capacidade de produção científica e tecnológica.

A infra-estrutura está equipada com sistemas de climatização de precisão, mecanismos redundantes, monitoria ambiental, segurança reforçada e integração de energia solar. Estes elementos procuram reduzir o risco de interrupções, perda de dados e degradação dos equipamentos.

Capacidade De Armazenamento Cresce 14 Vezes

O aumento da capacidade representa uma alteração relevante na infra-estrutura digital da maior universidade pública do país.

O crescimento do volume de dados produzidos pelas instituições de ensino superior exige sistemas capazes de armazenar, processar, proteger e disponibilizar informação científica, académica e administrativa.

Plataformas de ensino, bibliotecas digitais, sistemas de matrículas, investigação colaborativa, bases de dados, projectos de inteligência artificial e aplicações de gestão dependem de infra-estruturas com disponibilidade permanente e capacidade de expansão.

Manuel Guilherme Júnior explicou que o Centro de Dados foi preparado para responder não apenas às necessidades actuais, mas também às futuras exigências tecnológicas da universidade.

Na perspectiva do Reitor, o investimento enquadra-se na estratégia de transformação da UEM numa universidade de investigação, capaz de produzir conhecimento, desenvolver soluções e ampliar a contribuição da academia para o desenvolvimento económico e social do país.

Centro Integra Estratégia De Investigação E Inovação

A nova infra-estrutura está ligada ao Plano Director das Tecnologias de Informação e Comunicação da UEM para o período 2026-2029.

O plano deverá orientar a modernização das plataformas de ensino, dos sistemas de gestão, da investigação científica, da extensão universitária e dos processos de inovação.

A instalação acompanha igualmente a expansão de laboratórios dedicados à robótica, automação e inteligência artificial.

Estas áreas exigem capacidade computacional superior à utilizada nos sistemas administrativos convencionais. O processamento de grandes volumes de dados, o treino de modelos de inteligência artificial, as simulações científicas e a execução de projectos multidisciplinares dependem de servidores, armazenamento e conectividade adequados.

O Centro de Dados cria uma base tecnológica para essas actividades. O seu contributo científico dependerá, no entanto, da existência de investigadores, engenheiros, programadores, técnicos de sistemas e projectos capazes de utilizar a capacidade disponível.

Domínio “.mz” E MOZIX Ganham Infra-Estrutura Reforçada

A importância do Centro de Dados ultrapassa a comunidade universitária.

Segundo Manuel Guilherme Júnior, a UEM assegura serviços de interesse nacional, incluindo a gestão do domínio de Internet “.mz” e do ponto nacional de troca de tráfego, conhecido por MOZIX.

O domínio “.mz” constitui a identidade digital de Moçambique na Internet, enquanto o MOZIX permite que parte do tráfego entre redes nacionais seja trocada localmente, sem necessidade de percorrer infra-estruturas internacionais.

A existência de capacidade nacional para alojar e processar informação pode contribuir para melhorar a continuidade destes serviços, reduzir vulnerabilidades e fortalecer a soberania digital.

Neste contexto, soberania digital não significa isolamento tecnológico. Refere-se à capacidade de o país exercer maior controlo sobre dados, serviços críticos, infra-estruturas e decisões tecnológicas relevantes para o funcionamento das instituições.

A protecção destas plataformas exige redundância, cópias de segurança, sistemas de recuperação, controlo de acessos, monitoria contínua e planos de resposta a incidentes.

Governo Quer Ligar Tecnologia À Economia

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, considerou que a inauguração representa um marco na agenda nacional de transformação digital.

O governante advertiu, porém, que a construção da infra-estrutura constitui apenas uma etapa. A sua relevância será determinada pelos serviços, conhecimento, inovação e oportunidades económicas que conseguir produzir.

“O desafio não está apenas em construir infra-estruturas, mas em maximizar o seu potencial para melhorar serviços, proteger informação, apoiar a produção de conhecimento e aproximar as instituições dos cidadãos”, afirmou Américo Muchanga durante a cerimónia.

A observação coloca a utilização da capacidade instalada no centro da avaliação do investimento.

Um Centro de Dados pode representar um avanço tecnológico importante, mas produzir resultados limitados caso seja utilizado predominantemente para armazenar sistemas já existentes, sem expansão da investigação, dos serviços digitais e das aplicações destinadas à economia e à sociedade.

UEM É Chamada A Assumir Papel Nacional

Américo Muchanga explicou que a escolha da UEM para acolher a infra-estrutura decorre da experiência acumulada pela instituição na formação de quadros, gestão de serviços críticos de Internet e produção de conhecimento tecnológico.

Esta capacidade permite perspectivar benefícios que ultrapassem os limites da universidade.

A UEM poderá disponibilizar recursos a outras instituições de ensino, centros de investigação, entidades públicas, projectos científicos e empresas tecnológicas, desde que sejam estabelecidas regras claras sobre acesso, custos, segurança e protecção dos dados.

O modelo de utilização será determinante. A instituição precisará de definir se a capacidade será destinada exclusivamente aos seus sistemas ou se parte dos recursos será oferecida como serviço a outras organizações.

A expansão para utilizadores externos poderá aumentar o aproveitamento da infra-estrutura, mas também exigirá gestão profissional, acordos de nível de serviço, suporte técnico e responsabilidades claramente delimitadas.

Computação Em Nuvem Pode Ampliar O Alcance

O Centro de Dados cria condições para a UEM desenvolver serviços de nuvem privada.

A computação em nuvem permite disponibilizar capacidade de processamento, armazenamento e aplicações sem que cada utilizador tenha de adquirir e manter a sua própria infra-estrutura física.

Para universidades, laboratórios e pequenas empresas, este modelo pode reduzir os custos iniciais de acesso à tecnologia e permitir que os recursos sejam utilizados segundo a necessidade de cada projecto.

Uma startup que pretenda desenvolver uma aplicação digital, por exemplo, pode necessitar de servidores durante a fase de testes, sem possuir capital para comprar equipamentos próprios.

Um investigador que trabalhe com grandes bases de dados poderá igualmente precisar de capacidade computacional apenas durante determinados períodos.

A criação de serviços desta natureza deverá ser acompanhada por regras de utilização, protecção de informação, continuidade, recuperação de dados e responsabilização em caso de falhas.

Startups E PME Tecnológicas Entram Na Agenda

O Governo pretende que a infra-estrutura seja utilizada para apoiar o empreendedorismo tecnológico e o desenvolvimento de soluções produzidas no país.

Américo Muchanga defendeu a criação de condições para que estudantes, investigadores, startups e pequenas empresas utilizem a capacidade do Centro de Dados em projectos de ciência de dados, inteligência artificial, administração pública e prestação de serviços.

Esta orientação poderá reduzir uma das limitações enfrentadas por empresas tecnológicas emergentes: o custo de acesso a servidores, armazenamento, segurança e capacidade computacional.

A disponibilidade da infra-estrutura não resolve, contudo, todas as necessidades do ecossistema.

Startups também dependem de financiamento, acesso a clientes, orientação empresarial, propriedade intelectual, meios de pagamento, contratos e oportunidades para testar soluções em condições reais.

O Centro de Dados poderá produzir maior valor se estiver integrado com incubadoras, laboratórios, programas de inovação aberta, fundos de investimento e processos de contratação de soluções tecnológicas pelo Estado e pelas empresas.

Investigação Precisa De Ser Ligada A Problemas Concretos

O reforço da capacidade computacional poderá permitir o desenvolvimento de projectos orientados para problemas nacionais.

Na agricultura, a ciência de dados pode apoiar previsões climáticas, monitoria de culturas, gestão da irrigação e informação sobre mercados.

Na saúde, pode contribuir para sistemas de vigilância epidemiológica, gestão hospitalar, diagnóstico assistido e análise de dados sanitários.

Nos transportes, pode apoiar gestão do tráfego, logística, planeamento de rotas e manutenção de infra-estruturas.

Na energia, poderá ser utilizada na previsão da procura, monitoria das redes, integração de fontes renováveis e análise do desempenho dos sistemas.

A contribuição da UEM dependerá da capacidade de criar equipas multidisciplinares que integrem tecnologia, economia, engenharia, saúde, agricultura e ciências sociais.

Interoperabilidade Deve Evitar Duplicação De Infra-Estruturas

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital defendeu que infra-estruturas, interoperabilidade, governação de dados, cibersegurança e inovação funcionem de forma integrada.

A interoperabilidade permite que diferentes sistemas troquem informação de modo seguro e padronizado.

Sem esta capacidade, instituições públicas e académicas podem continuar a construir bases de dados e aplicações isoladas, repetindo investimentos e dificultando a utilização conjunta da informação.

O Centro de Dados poderá apoiar uma arquitectura mais coordenada, mas não substitui a necessidade de normas comuns, protocolos, responsabilidades institucionais e regras sobre acesso e partilha.

A centralização excessiva também produz riscos. A concentração de serviços numa única infra-estrutura pode aumentar o impacto de uma falha técnica ou ataque informático.

A estratégia deverá combinar coordenação com redundância, garantindo que os sistemas críticos possuem alternativas para continuar a funcionar em situações de interrupção.

Cibersegurança Passa A Ser Função Permanente

O aumento da capacidade tecnológica amplia simultaneamente a superfície de risco.

Quanto maior for o volume de informação armazenada e o número de instituições ligadas ao Centro de Dados, maior será a necessidade de proteger os sistemas contra acessos indevidos, ataques, roubo de credenciais, interrupções e perda de dados.

A segurança não deverá ser tratada apenas como um conjunto de equipamentos instalado durante a construção.

Exige equipas especializadas, actualizações regulares, testes de vulnerabilidade, cópias de segurança, controlo dos privilégios dos utilizadores e planos de resposta a incidentes.

A formação dos utilizadores também será determinante. Uma parte significativa dos incidentes digitais começa com palavras-passe comprometidas, mensagens fraudulentas, ficheiros maliciosos ou erros humanos.

A sustentabilidade da infra-estrutura deverá incluir recursos financeiros permanentes para segurança, manutenção, energia, licenças e renovação de equipamentos.

Energia Solar Reforça Continuidade Operacional

A integração de energia solar pode contribuir para reduzir a exposição da infra-estrutura às interrupções de fornecimento eléctrico e aos custos de funcionamento.

Centros de dados necessitam de electricidade contínua para servidores, sistemas de refrigeração, segurança, comunicações e monitoria.

Uma falha de energia pode interromper serviços, danificar equipamentos ou provocar perda de informação quando não existem sistemas adequados de redundância.

A energia solar, conjugada com armazenamento, geradores e alimentação da rede, poderá ampliar a resiliência do centro. O documento não detalha, porém, a capacidade instalada nem a proporção da procura eléctrica que será coberta pela componente solar.

A avaliação do desempenho deverá considerar a disponibilidade efectiva da infra-estrutura, o consumo energético, os custos operacionais e a redução das interrupções.

Capacidade Humana Determinará O Retorno Do Investimento

O Centro de Dados amplia os recursos tecnológicos, mas o principal factor de retorno continuará a ser a capacidade humana.

São necessários profissionais capazes de administrar servidores, redes, bases de dados, plataformas de nuvem, sistemas de segurança e aplicações científicas.

A UEM precisará igualmente de investigadores e estudantes preparados para utilizar a infra-estrutura na resolução de problemas e no desenvolvimento de produtos.

Sem uma estratégia de formação e retenção de especialistas, parte da capacidade poderá permanecer subutilizada ou dependente de assistência externa.

O investimento em equipamentos deverá, portanto, ser acompanhado por formação técnica, certificações, intercâmbio científico e criação de percursos profissionais capazes de manter quadros especializados na instituição.

Resultados Precisam De Ser Acompanhados

A relevância económica e científica da infra-estrutura deverá ser avaliada através de indicadores que ultrapassem a capacidade de armazenamento.

Entre os resultados a acompanhar encontram-se o número de projectos científicos apoiados, serviços alojados, instituições atendidas, aplicações desenvolvidas, startups apoiadas, investigadores formados e incidentes de segurança prevenidos ou resolvidos.

Também será importante observar a disponibilidade dos sistemas, os custos operacionais, a utilização da capacidade e a produção científica associada ao centro.

Estas métricas permitirão distinguir entre uma infra-estrutura tecnologicamente avançada e uma plataforma efectivamente utilizada para gerar conhecimento e serviços.

Centro De Dados Abre Uma Nova Etapa Para A UEM

A inauguração do Centro de Dados coloca a Universidade Eduardo Mondlane numa posição mais favorável para expandir a investigação, modernizar os seus sistemas e prestar serviços digitais de interesse nacional.

O aumento da capacidade de armazenamento, a preparação para inteligência artificial e ciência de dados e a protecção de infra-estruturas como o domínio “.mz” e o MOZIX constituem avanços relevantes.

A próxima etapa estará na utilização regular da capacidade instalada.

Para produzir impacto económico e social, o centro precisará de apoiar investigadores, instituições públicas, empresas e empreendedores, preservando simultaneamente a segurança e a soberania sobre a informação.

O investimento cria a plataforma. A sua contribuição para a economia do conhecimento será determinada pelo volume e pela qualidade do conhecimento, das empresas, dos serviços e das soluções que nela forem desenvolvidos.