US$ Falha Em Capitalizar Expectativa De Juros Mais Altos Enquanto Yen Prolonga Valorização

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  • Probabilidade de aumento dos juros pela Reserva Federal em Setembro subiu para 57%, mas o aperto monetário esperado noutras grandes economias limita a vantagem relativa dos activos norte-americanos.
Questões-Chave:
  • Índice do US$ manteve-se praticamente inalterado nos 99,16 pontos, próximo do seu mínimo recente;
  • Mercado atribui uma probabilidade de cerca de 57% a um aumento dos juros da Reserva Federal em Setembro;
  • Preços elevados do petróleo renovam riscos inflacionários e expectativas de aperto monetário em várias economias;
  • Euro manteve-se nos US$ 1,1609 e Libra recuou ligeiramente para US$ 1,3513;
  • Yen valorizou para 156,01 por US$ e acumulou uma subida superior a 2% na semana anterior;
  • Mercado estima uma probabilidade de 75% de o Banco do Japão aumentar os juros em 18 de Setembro;

O US$ iniciou a semana praticamente inalterado, sem conseguir beneficiar de forma consistente do aumento das expectativas de uma subida dos juros pela Reserva Federal dos Estados Unidos, enquanto o Yen prolongou a valorização apoiado pela possibilidade de novo aperto monetário no Japão.

Segundo a Reuters, o índice que mede o desempenho do US$ perante um cabaz de moedas manteve-se nos 99,16 pontos, não muito distante do mínimo recente de 98,558 pontos.

A moeda norte-americana recebeu um impulso temporário dos dados do emprego divulgados na sexta-feira, mas não conseguiu conservar os ganhos. O mercado passou a atribuir uma probabilidade de aproximadamente 57% a um aumento dos juros pela Reserva Federal ainda em Setembro.

A atenção dos investidores desloca-se agora para os dados da inflação norte-americana, cuja divulgação está prevista para sexta-feira. Uma leitura acima das expectativas poderá consolidar a perspectiva de subida dos juros, enquanto uma desaceleração poderá devolver força ao cenário de manutenção das taxas.

Emprego Eleva Probabilidade De Subida Dos Juros

O relatório do emprego norte-americano mostrou um desempenho superior às previsões, levando os investidores a reverem as expectativas para a reunião da Reserva Federal.

Em condições normais, a perspectiva de juros mais elevados tende a favorecer o US$, porque aumenta a remuneração dos títulos norte-americanos e atrai capitais internacionais.

Contudo, o impacto cambial foi limitado. As negociações permaneceram moderadas durante a sessão asiática, num dia em que os mercados dos Estados Unidos se encontravam encerrados devido a um feriado.

Elias Haddad, responsável global pela estratégia de mercados do banco BBH, considerou que uma inflação mais elevada praticamente confirmaria uma subida dos juros em Setembro e daria algum suporte ao US$.

Uma leitura mais moderada, por outro lado, fortaleceria a possibilidade de manutenção das taxas e deixaria a moeda norte-americana vulnerável a uma reavaliação mais branda da política monetária.

Ainda assim, o analista entende que mesmo uma subida dos juros pela Reserva Federal poderá não ser suficiente para levar o US$ a novos máximos cíclicos, sobretudo porque outros grandes bancos centrais também se preparam para apertar a política monetária.

Petróleo Reduz Vantagem Relativa Do US$

A manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados está a alimentar riscos inflacionários em várias economias, devido ao aumento dos custos de energia, transporte e produção.

Este efeito poderá obrigar diferentes bancos centrais a elevar os juros em simultâneo. Nestas circunstâncias, diminui a divergência entre a política monetária norte-americana e a de outras economias desenvolvidas.

A vantagem do US$ depende não apenas do nível absoluto dos juros nos Estados Unidos, mas também da diferença entre a remuneração dos activos norte-americanos e a oferecida por outros mercados.

Quando os bancos centrais da Europa e do Japão também aumentam as taxas, a procura por activos denominados em US$ pode perder parte do seu atractivo relativo.

O Banco Central Europeu deverá elevar a sua taxa directora para 2,75% na quinta-feira. Os contratos de futuros indicam igualmente uma probabilidade de 75% de novo aumento, para 3%, até Dezembro.

Euro Conserva Posição E Libra Recua

O Euro permaneceu praticamente inalterado, cotado em US$ 1,1609, apoiado pela expectativa de subida dos juros na Zona Euro.

A Libra registou uma ligeira depreciação, para US$ 1,3513, num ambiente de reduzida movimentação cambial.

O comportamento das moedas europeias mostra que o mercado ainda não identifica uma trajectória de política monetária suficientemente divergente para produzir uma valorização sustentada do US$.

Além das expectativas sobre os juros, a moeda norte-americana continua condicionada pelas preocupações relacionadas com o crescimento da dívida pública dos Estados Unidos e pela incerteza em torno da orientação da política económica.

Yen Ganha Mais De 2% Numa Semana

O Yen valorizou 0,1%, para 156,01 unidades por US$, prolongando a recuperação iniciada na semana anterior, quando avançou mais de 2%.

A moeda japonesa recebeu novo impulso depois de um conselheiro económico da primeira-ministra Sanae Takaichi ter antecipado a possibilidade de o Banco do Japão aumentar os juros ainda este mês.

O mercado atribui uma probabilidade de 75% a uma subida de 0,25 pontos percentuais na reunião do Banco do Japão agendada para 18 de Setembro. Existe ainda uma probabilidade estimada de 60% de uma nova subida até Dezembro.

A recuperação do Yen é igualmente sustentada pelo encerramento de operações de carry trade e pela expectativa de repatriamento de capitais para o Japão.

Nas operações de carry trade, os investidores contraem financiamento numa moeda com juros baixos, como o Yen, e aplicam os recursos em activos de economias com taxas mais elevadas. Quando os custos de financiamento japoneses sobem ou o Yen se valoriza, estas posições tornam-se menos atractivas e podem ser rapidamente encerradas.

Valorização Do Yen Pode Alterar Fluxos De Capital

Eric Robertsen, responsável global de pesquisa e estratega-chefe do Standard Chartered, considera que a recente valorização do Yen poderá ameaçar o desempenho das operações de carry trade, que estiveram entre as estratégias macroeconómicas mais rentáveis desde o início do ano.

Uma valorização persistente da moeda japonesa poderá indicar que a subida dos juros no Japão e nos Estados Unidos começa a provocar mudanças na alocação internacional de activos.

Este movimento pode levar investidores a reduzir posições financiadas em Yen, recomprar a moeda japonesa e transferir parte dos capitais para activos internos, criando um ciclo adicional de valorização.

A mudança ganha relevância porque o Yen esteve durante um período prolongado entre as principais fontes de financiamento barato dos mercados globais.

Bitcoin Estabiliza Próximo Dos US$ 80 Mil

Entre as restantes moedas, o Dólar australiano valorizou 0,11%, para US$ 0,7207, enquanto o Dólar neozelandês recuou 0,1%, para US$ 0,5875.

A Bitcoin estabilizou em torno dos US$ 80 mil, negociada nos US$ 79.841,85. O activo digital tem recebido algum suporte da procura de investidores interessados em diversificar posições perante as incertezas associadas ao US$.

A trajectória imediata do mercado cambial será determinada pelos dados da inflação norte-americana, pelas decisões do Banco Central Europeu e do Banco do Japão e pela evolução dos preços do petróleo.

Este conjunto de factores deverá indicar se o US$ recupera a vantagem associada aos juros norte-americanos ou se a crescente convergência monetária continua a favorecer o Yen e outras moedas internacionais.

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