
TotalEnergies Investe US$ 10 Mil Milhões Para Travar Declínio Da Produção Em Angola
- Programa de cinco anos combina o desenvolvimento do Kaminho, produção adicional no Bloco 17, prolongamento dos campos maduros, novas licenças de exploração e inteligência artificial aplicada à geociência.
- TotalEnergies e parceiros prevêem investir US$ 10 mil milhões em Angola nos próximos cinco anos;
- Companhia produz cerca de 450 mil barris por dia e pretende conservar este nível perante o declínio dos campos maduros;
- Angola procura manter a produção nacional próxima de um milhão de barris por dia;
- Projecto Kaminho representa US$ 6 mil milhões e deverá iniciar a produção em 2028;
- Descoberta Acacia-5 deverá acrescentar seis mil barris por dia ao Bloco 17;
- TotalEnergies adquiriu uma participação operada de 40% nos Blocos 17/25 e 32/21;
- Companhia permanecerá no Bloco 32 até 2043 para aumentar a recuperação dos recursos existentes;
- Inteligência artificial será utilizada para identificar novas oportunidades de exploração na Bacia Angolana;
A TotalEnergies e os seus parceiros planeiam investir US$ 10 mil milhões em Angola nos próximos cinco anos, numa estratégia destinada a compensar o declínio natural dos campos petrolíferos maduros, desenvolver novos recursos offshore e manter a produção da companhia em cerca de 450 mil barris por dia.
O programa foi anunciado pelo presidente e director executivo da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, a 9 de Setembro, em Luanda. Um dia depois, a empresa comunicou a descoberta Acacia-5 no Bloco 17 e a entrada em duas novas áreas de exploração na Bacia do Baixo Congo.
O montante, equivalente a aproximadamente €8,6 mil milhões, será aplicado em vários projectos ao longo de cinco anos. O investimento não será realizado exclusivamente pela TotalEnergies, mas pela companhia em conjunto com os seus parceiros nos diferentes blocos.
Segundo a Reuters, a petrolífera francesa é actualmente o maior operador de petróleo em Angola. A companhia procura conservar a sua base produtiva enquanto o Governo angolano tenta manter a extracção nacional próxima de um milhão de barris por dia.
“Os investimentos são necessários para alcançar estes níveis de produção”, afirmou Pouyanné.
Declínio Dos Campos Explica Novo Ciclo De Investimento
A produção petrolífera angolana é dominada por campos offshore explorados há vários anos. À medida que os reservatórios amadurecem, a pressão diminui e os volumes extraídos tendem a cair, exigindo novos poços, recuperação adicional e entrada regular de projectos em produção.
Esta realidade coloca Angola perante a necessidade de mobilizar capital suficiente para substituir os barris perdidos nos campos existentes. Sem novos investimentos, mesmo a manutenção do nível de produção torna-se progressivamente mais difícil.
A estratégia da TotalEnergies procura responder a esta dinâmica através de quatro frentes: o desenvolvimento do projecto Kaminho, a recuperação de recursos nos blocos existentes, a abertura de novas áreas de exploração e a utilização de inteligência artificial para melhorar a identificação de reservas.
Dados reunidos no documento indicam que a produção total da TotalEnergies na África Subsaariana recuou de 456 mil para 423 mil barris equivalentes de petróleo por dia entre o primeiro semestre de 2024 e o período homólogo de 2026.
A produção regional de líquidos diminuiu de 328 mil para 292 mil barris por dia. O gás atingiu 663 milhões de pés cúbicos por dia no primeiro semestre de 2026.
Esta evolução ajuda a explicar a importância de Angola na carteira africana da companhia. O País oferece uma combinação de infra-estruturas existentes, campos com recursos ainda recuperáveis e novas áreas de exploração.
Kaminho Absorve US$ 6 Mil Milhões
O projecto Kaminho representa a maior componente individual do programa de investimento. Avaliado em US$ 6 mil milhões, o empreendimento está localizado na Bacia do Kwanza, aproximadamente 100 quilómetros ao largo da costa angolana.
A TotalEnergies e os seus parceiros tomaram a decisão final de investimento em 2024. A primeira produção está prevista para 2028.
Kaminho será ligado à sétima unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência operada pela companhia em Angola. Estas unidades recebem o petróleo extraído no mar, processam-no, armazenam-no e transferem-no para navios de exportação.
A entrada do projecto em produção deverá acrescentar novos volumes à carteira da TotalEnergies e compensar parte das perdas registadas nos campos mais antigos.
O calendário assume particular importância para Angola. Quanto maior for o intervalo entre o declínio dos activos existentes e o início de novos projectos, maior será a redução da produção nacional e das respectivas receitas fiscais e cambiais.
Acacia-5 Acrescentará Seis Mil Barris Por Dia
A TotalEnergies anunciou igualmente a descoberta Acacia-5 no Bloco 17, realizada em Junho de 2026.
O novo poço deverá adicionar aproximadamente seis mil barris por dia à produção do bloco. A companhia prevê iniciar a extracção dentro de três meses após a descoberta.
A rapidez do desenvolvimento é possível porque Acacia-5 se encontra numa área com infra-estruturas de produção já instaladas. A utilização dos sistemas existentes reduz a necessidade de construir uma nova plataforma e permite colocar o petróleo no mercado num período mais curto.
Embora os seis mil barris diários representem uma parcela limitada da produção total da companhia em Angola, o projecto ilustra o valor económico das descobertas próximas de infra-estruturas operacionais.
Pequenos volumes adicionais, quando ligados rapidamente e com custos mais baixos, podem prolongar a vida útil dos activos, aumentar a utilização das instalações e reduzir a velocidade de declínio da produção.
Bloco 32 Permanece Na Carteira Até 2043
A TotalEnergies comprometeu-se, em Maio de 2026, a permanecer no Bloco 32 até 2043. A companhia possui uma participação de 30% e opera a concessão.
O bloco alberga o projecto Kaombo, em produção desde 2018, com capacidade instalada estimada em 230 mil barris por dia. As reservas são calculadas em aproximadamente 658 milhões de barris.
Cerca de 40% do potencial referido permanecerá por extrair, justificando novos investimentos em aquisição sísmica, perfuração e técnicas de recuperação incremental.
Em 2024, a TotalEnergies contratou a Shearwater GeoServices para efectuar levantamentos sísmicos nas áreas de Louro e Mostarda. Os estudos deverão melhorar o conhecimento dos reservatórios e identificar locais onde novos poços possam acrescentar produção.
A permanência até 2043 indica que a companhia considera possível retirar valor adicional de uma concessão madura, utilizando informação geológica mais precisa e as infra-estruturas existentes.
Incentivos Procuram Prolongar Campos Maduros
A continuidade da TotalEnergies no Bloco 32 está associada ao Regime de Produção Incremental adoptado por Angola em Novembro de 2024.
O mecanismo cria incentivos para que as operadoras realizem investimentos adicionais em campos onde a produção já se encontra em declínio.
Entre as condições indicadas encontram-se a redução dos royalties de 20% para 15%, a limitação da participação do Estado nos lucros a 25% e o alargamento da recuperação de custos.
A medida procura manter economicamente activos os campos que poderiam deixar de atrair investimento nas condições fiscais anteriores. Em troca de uma tributação mais favorável, o Estado procura prolongar a produção, preservar empregos e continuar a receber receitas que desapareceriam com o encerramento das operações.
A estratégia não elimina a perda natural de produção. Procura reduzir a sua velocidade e recuperar volumes adicionais antes do esgotamento económico dos reservatórios.
A ExxonMobil já recorreu a este enquadramento para desenvolver uma descoberta realizada em 2024 no Bloco 15.
Novos Blocos Ampliam Carteira Exploratória
A TotalEnergies assinou acordos com a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis para adquirir uma participação operada de 40% nos Blocos 17/25 e 32/21.
As duas áreas estão localizadas na Bacia do Baixo Congo e representam uma nova frente de exploração para a companhia. A ExxonMobil participará nas licenças como parceira.
Os novos activos devem ser distinguidos dos Blocos 17 e 32 já em produção. Os Blocos 17/25 e 32/21 são concessões exploratórias autónomas, nas quais o trabalho começará pela recolha e interpretação de informação geológica.
A entrada nestas áreas aumenta as possibilidades de descoberta, mas também envolve risco. A aquisição de sísmica, perfuração e avaliação dos poços exige capital antes de existir confirmação de reservas comercialmente viáveis.
A TotalEnergies combina, desta forma, investimentos com diferentes horizontes: Acacia-5 oferece produção imediata; o Kaminho deverá produzir a partir de 2028; os novos blocos criam opções para projectos posteriores.
Inteligência Artificial Entra Na Exploração
A companhia prepara igualmente uma iniciativa de geociência baseada em inteligência artificial, em colaboração com outras grandes empresas do sector.
A Bacia Angolana deverá ser a primeira área de aplicação. A tecnologia será utilizada para processar informação sísmica, interpretar estruturas geológicas e identificar zonas com maior probabilidade de conter hidrocarbonetos.
“Vamos aplicá-la primeiro à Bacia Angolana, porque estamos convencidos de que existem mais descobertas a fazer, como as dos Blocos 17 e 0”, declarou Pouyanné.
A inteligência artificial pode reduzir o tempo necessário para analisar grandes volumes de dados e permitir a reavaliação de áreas anteriormente consideradas pouco promissoras.
A tecnologia não elimina o risco exploratório nem substitui a perfuração. Pode, porém, melhorar a selecção dos locais e reduzir o número de poços sem resultados comerciais.
Regulação Passa A Disputar Capital Internacional
Angola introduziu reformas regulatórias destinadas a atrair investimento para novas áreas e campos maduros. O objectivo é conservar a competitividade do sector num mercado em que as grandes petrolíferas escolhem entre projectos localizados em diferentes países.
As empresas avaliam o custo de produção, a fiscalidade, a estabilidade contratual, o risco político, a qualidade das reservas e o tempo necessário para aprovar e executar os projectos.
A mobilização de US$ 10 mil milhões pela TotalEnergies e parceiros indica que Angola continua a ocupar uma posição relevante na alocação internacional de capital da companhia.
Contudo, a maior parte do investimento será utilizada para sustentar a capacidade existente e substituir volumes perdidos. Trata-se, portanto, de uma despesa necessária para preservar a produção e não de um aumento automático de igual dimensão na oferta petrolífera.
Manter Um Milhão De Barris Exige Entrada Regular De Projectos
Angola pretende conservar a produção nacional próxima de um milhão de barris por dia. Para alcançar esta meta, os novos projectos terão de entrar em operação ao mesmo ritmo que os campos maduros perdem capacidade.
A produção de seis mil barris por dia da Acacia-5 oferece um contributo imediato. O Kaminho terá uma função mais ampla a partir de 2028. Os investimentos no Bloco 32 deverão aumentar a recuperação dos recursos existentes, enquanto os Blocos 17/25 e 32/21 poderão assegurar projectos para um horizonte posterior.
A estratégia cria uma sequência de activos com diferentes períodos de maturação. Essa continuidade é fundamental num sector em que podem decorrer vários anos entre a descoberta, a decisão de investimento e a primeira produção.
Para Angola, o resultado económico estará ligado à capacidade de converter os investimentos em produção, receitas fiscais, contratação de empresas locais e aquisição de bens e serviços no mercado nacional.
A manutenção da produção próxima de um milhão de barris por dia exigirá ainda investimentos de outros operadores. O programa da TotalEnergies representa uma das maiores componentes dessa resposta, mas não substitui a necessidade de capital adicional em toda a indústria petrolífera angolana.
Angola Consolida Posição Na Carteira Africana Da TotalEnergies
O investimento de US$ 10 mil milhões reúne projectos de desenvolvimento, produção incremental, exploração e tecnologia numa única estratégia de continuidade produtiva.
Kaminho concentra o maior volume financeiro; Acacia-5 introduz produção num prazo curto; o Bloco 32 prolonga a utilização de activos instalados; e as novas licenças criam possibilidades para descobertas futuras.
A lógica do programa é manter o fluxo de petróleo e receitas durante a transição entre campos maduros e novos projectos. O seu êxito será observado na capacidade de a TotalEnergies conservar os cerca de 450 mil barris diários e de Angola permanecer próxima da meta nacional de um milhão de barris por dia.
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