Moçambique Propõe Plataforma Lusófona de Investimento em Corredores e Apresenta Meta de US$ 1 Mil Milhões Fora do Sector Extractivo

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O Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, apresentou no Fórum de Investimento da África Lusófona, em Cabo Verde, uma proposta para estruturar uma plataforma de financiamento de corredores de desenvolvimento, envolvendo os países africanos de língua portuguesa, a IFC e a MIGA. A iniciativa pretende transformar as ligações portuárias, ferroviárias e rodoviárias em plataformas de produção industrial, agro-processamento, investimento e emprego. O Governo aponta para uma meta de US$ 1 mil milhões de novo investimento fora da indústria extractiva, num país onde 91,5% do investimento estrangeiro de 2025 se concentrou nesse sector.

QUESTÕES-CHAVE
  • Plataforma Lusófona: Moçambique propõe a criação de uma Plataforma Lusófona de Investimento em Corredores, envolvendo países africanos de língua portuguesa, IFC e MIGA;
  • Meta Não Extractiva: Governo estabelece meta de mobilizar US$ 1 mil milhões de investimento adicional fora do sector extractivo;
  • Desempenho Logístico: Portos moçambicanos movimentaram aproximadamente 69 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 43% face a 2021;
  • Concentração de IDE: Indústria extractiva absorveu 91,5% do investimento directo estrangeiro em 2025, contra 2,1% destinados à indústria transformadora;
  • Oportunidades de Investimento: Porto de Nacala, porto seco de Moatize, concessões ferroviárias, parques industriais e agro-processamento integram a carteira apresentada;
  • Conexão Atlântico-Índico: Plataforma lusófona pretende articular os corredores do Lobito, Beira e Nacala, ligando os mercados do interior africano aos oceanos Atlântico e Índico.

Moçambique defendeu, nesta segunda-feira, 26 de Outubro, a criação de uma Plataforma Lusófona de Investimento em Corredores de Desenvolvimento, destinada a mobilizar capital privado, estruturar projectos financiáveis e ampliar a integração económica entre os países africanos de língua portuguesa.

A proposta foi apresentada pelo Ministro da Planificação e Desenvolvimento, Salim Valá, na intervenção preparada para o painel de alto nível dedicado à competitividade comercial e logística da África Lusófona, no Fórum de Investimento da África Lusófona 2026, realizado na Ilha do Sal, em Cabo Verde.

Organizado pela Corporação Financeira Internacional (IFC), instituição do Grupo Banco Mundial, o Fórum decorre de 26 a 27 de Outubro, reunindo governos, empresas, instituições financeiras e investidores dos seis países africanos de língua portuguesa. A agenda concentra-se no desenvolvimento de corredores económicos, agronegócio e turismo sustentável, procurando transformar oportunidades de investimento em projectos e operações financiáveis.

Na sua intervenção, intitulada Do Trânsito à Transformação: Os Corredores de Moçambique Como Plataformas de Produção, Investimento e Desenvolvimento, Salim Valá defendeu uma alteração na forma como os países avaliam o desempenho das suas infra-estruturas logísticas.

“Um corredor não vale apenas pelo que passa. Vale pelo que fica.”

A afirmação sintetiza a orientação económica apresentada pelo governante: deslocar a avaliação dos corredores da quantidade de mercadorias movimentadas para a sua capacidade de atrair empresas, desenvolver cadeias produtivas e criar emprego.

Portos Movimentam 69 Milhões de Toneladas, Mas Investimento Permanece Concentrado

O Ministro apresentou os progressos registados na actividade portuária nacional como uma das principais vantagens competitivas de Moçambique.

Segundo os números utilizados na intervenção, os portos moçambicanos movimentaram aproximadamente 69 milhões de toneladas em 2025, um aumento de 43% relativamente a 2021.

O Porto de Maputo atingiu um recorde de 32 milhões de toneladas, enquanto a Beira aumentou a carga movimentada de 13,5 milhões para 17,5 milhões de toneladas em quatro anos.

Cerca de 70% das mercadorias movimentadas têm origem ou destino nos países vizinhos, confirmando a função regional dos corredores moçambicanos, particularmente para a Zâmbia, Zimbabwe, Malawi e República Democrática do Congo.

Moçambique: Desempenho Logístico e Concentração de IDE (2025)

  • Carga Portuária Total: ~69 Milhões de toneladas (+43% vs 2021)
  • Porto de Maputo: Recorde de 32 Milhões de toneladas
  • Porto da Beira: 17,5 Milhões de toneladas (contra 13,5M em 2021)
  • IDE Total Recebido (2025): US$ 5,6 Mil Milhões (+60% interanual)
  • IDE na Indústria Extractiva: 91,5% do total
  • IDE na Indústria Transformadora: 2,1% do total
  • Meta de Investimento Não Extractivo: US$ 1 Mil Milhões (2025–2029)

Fonte: Ministério da Planificação e Desenvolvimento / Fórum de Investimento da África Lusófona (Outubro 2026).

Apesar da expansão logística, o Governo reconhece que o investimento permanece fortemente concentrado na exploração de recursos naturais.

Salim Valá revelou que Moçambique recebeu cerca de US$ 5,6 mil milhões de investimento directo estrangeiro em 2025, mais 60% do que no ano anterior. Desse montante, 91,5% foram canalizados para a indústria extractiva e apenas 2,1% para a indústria transformadora.

O Ministro assinalou igualmente que, excluindo os grandes projectos, as exportações nacionais cobrem apenas 22% das importações, evidenciando fragilidades na diversificação da produção e na capacidade exportadora do tecido empresarial.

A concentração do investimento constitui uma das razões apresentadas para transformar os corredores logísticos em espaços de desenvolvimento industrial e agro-industrial.

Plataforma Lusófona Pretende Ligar o Atlântico ao Índico

A proposta de uma Plataforma Lusófona de Investimento em Corredores constitui o principal desenvolvimento institucional apresentado por Moçambique.

O mecanismo, cuja criação foi proposta em articulação com os países africanos de língua portuguesa, a IFC e a Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA), deverá desenvolver três funções.

A primeira consiste em coordenar oportunidades logísticas entre Angola e Moçambique, aproximando os corredores do Lobito, Beira e Nacala das regiões mineiras e agrícolas da Zâmbia e da República Democrática do Congo.

A segunda incide na partilha de modelos de gestão e experiências de concessão, incluindo o Lobito, Maputo, Beira e o posicionamento de Cabo Verde como plataforma atlântica.

A terceira envolve a preparação de uma carteira conjunta de projectos economicamente viáveis e capazes de mobilizar financiamento internacional.

Salim Valá utilizou como referência a Auto-estrada Transafricana Número 9, que estabelece uma ligação de aproximadamente 3.500 quilómetros entre o Porto do Lobito, em Angola, e o Porto da Beira, em Moçambique.

O corredor atravessa economias com importantes recursos minerais, agrícolas e comerciais e permite estabelecer conexões entre os oceanos Atlântico e Índico.

Na interpretação apresentada pelo Ministro, a articulação entre estas infra-estruturas poderá ampliar as opções de acesso aos mercados internacionais e melhorar a competitividade comercial dos países do interior da África Austral.

“O Lobito e a Beira, Luanda e Nacala não são concorrentes. São portas complementares da mesma casa.”

A proposta encontra enquadramento num mercado lusófono africano de aproximadamente 90 milhões de habitantes e dimensão económica superior a US$ 350 mil milhões, segundo a organização do Fórum.

Contudo, a Plataforma Lusófona permanece, nesta fase, uma iniciativa proposta pelo Governo moçambicano. Os documentos disponibilizados não indicam que tenha sido formalmente constituída ou que disponha já de financiamento comprometido.

Governo Coloca US$ 1 Mil Milhões de Investimento Não Extract