Beira Corridor Forum Defende Alargamento da Cooperação à Zâmbia Para Consolidar Abastecimento Energético da África Austral

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A segunda edição do Beira Corridor Forum, realizada a 27 de Outubro, em Livingstone, na Zâmbia, terminou com um apelo ao aprofundamento da cooperação regional e à expansão das infraestruturas de abastecimento de combustíveis. A parceria entre a Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ) e o Governo zimbabweano foi apresentada como uma experiência de integração a estender à Zâmbia. O encontro decorreu num momento em que avança o investimento para aumentar em 67% a capacidade do oleoduto Beira–Feruka, criando novas oportunidades para os sectores mineiro, industrial e logístico da região.

QUESTÕES-CHAVE
  • Segunda edição do Beira Corridor Forum realizou-se em Livingstone, a 27 de Outubro, reunindo representantes governamentais, reguladores, investidores, operadores e parceiros de desenvolvimento;
  • Encontro terminou com um apelo ao aprofundamento da cooperação regional, segurança energética e investimento em infraestruturas;
  • Parceria entre a CPMZ e o Governo do Zimbabwe foi apresentada como modelo de integração económica a alargar à Zâmbia;
  • Expansão do oleoduto Beira–Feruka deverá elevar a capacidade de três milhões para cinco milhões de metros cúbicos anuais até Dezembro de 2027;
  • Procura de combustíveis das indústrias mineiras do Copperbelt, da indústria transformadora e do comércio transfronteiriço constitui uma das principais oportunidades comerciais;
  • Capacidade portuária, armazenamento, integração ferroviária e rodoviária, custos logísticos e coordenação transfronteiriça permanecem desafios relevantes;
  • Maior participação de empresas moçambicanas na prestação de serviços e nas cadeias produtivas poderá ampliar os benefícios económicos da expansão do corredor.

Fórum Termina Com Apelo à Cooperação Regional e Segurança Energética

A segunda edição do Beira Corridor Forum, realizada a 27 de Outubro de 2026, na cidade de Livingstone, na Zâmbia, terminou com um apelo ao aprofundamento da cooperação entre os países da África Austral, à diversificação das rotas de abastecimento de combustíveis e à mobilização de investimentos capazes de ampliar a conectividade energética e logística da região.

Organizado pela Companhia do Pipeline Moçambique-Zimbabwe (CPMZ), o encontro reuniu representantes governamentais, decisores de políticas públicas, reguladores, investidores, dirigentes empresariais e parceiros de desenvolvimento, num diálogo centrado na segurança energética, integração regional e expansão das infraestruturas.

A iniciativa realizou-se num momento em que a CPMZ está a executar um programa de expansão do oleoduto que liga o Porto da Beira ao Zimbabwe, destinado a aumentar a capacidade de transporte em aproximadamente 67% até ao final de 2027.

No balanço divulgado após o encerramento do evento, a organização destacou a importância dos debates para identificar oportunidades de reforço do abastecimento regional de combustíveis e apoiar o crescimento económico, particularmente nos sectores da mineração, indústria transformadora e comércio transfronteiriço.

A CPMZ considerou que o fórum constituiu uma plataforma relevante para discutir a forma como o Corredor da Beira poderá contribuir para diversificar as rotas de abastecimento e melhorar a resiliência económica da África Austral.

O encontro marcou igualmente uma evolução da iniciativa lançada no Dubai, em Junho de 2025, ao aproximar o debate dos mercados consumidores do interior do continente e das empresas que poderão beneficiar da expansão das infraestruturas.

Parceria Moçambique–Zimbabwe Apresentada Como Modelo a Estender à Zâmbia

Uma das principais mensagens do fórum foi a necessidade de alargar à Zâmbia o modelo de cooperação estabelecido entre a CPMZ, empresa moçambicana, e o Governo do Zimbabwe.

No comunicado de encerramento, a organização descreveu esta parceria como um exemplo de integração regional bem-sucedida, defendendo que a experiência acumulada deve orientar o desenvolvimento de novas ligações e entendimentos com o mercado zambiano.

A mensagem constitui uma das conclusões políticas e económicas mais relevantes do encontro.

A cooperação entre Moçambique e Zimbabwe permitiu desenvolver uma cadeia de abastecimento de combustíveis assente na utilização de infraestruturas complementares, desde a recepção marítima na Beira até à distribuição para os mercados do interior.

O sistema articula o oleoduto Beira–Feruka, operado pela CPMZ, com as infraestruturas de transporte e distribuição existentes em território zimbabweano.

O desenvolvimento desta ligação tem permitido aumentar a movimentação de produtos petrolíferos e criar condições para uma maior integração dos mercados regionais.

A organização defendeu, no encerramento, que o aprofundamento da cooperação com a Zâmbia poderá contribuir para ampliar a segurança do abastecimento, fortalecer as relações comerciais e criar novas oportunidades de investimento.

A orientação não equivale, contudo, ao anúncio de um acordo tripartido formal ou de um novo projecto de oleoduto já aprovado. A informação divulgada confirma um compromisso de promoção da cooperação regional, sem especificar instrumentos jurídicos ou financeiros resultantes da edição de Livingstone.

Expansão do Oleoduto Acrescentará Dois Mil Milhões de Litros de Capacidade Anual

O investimento em curso no oleoduto Beira–Feruka constitui o principal suporte físico da estratégia de crescimento apresentada pela CPMZ.

O projecto prevê elevar a capacidade anual de transporte de três milhões para cinco milhões de metros cúbicos, permitindo movimentar potencialmente mais dois mil milhões de litros de combustíveis por ano.

O aumento de capacidade representa uma expansão de aproximadamente 66,7% relativamente ao nível actual.

A primeira pedra do projecto foi lançada em 2 de Setembro de 2026, numa cerimónia presidida pelos Presidentes de Moçambique, Daniel Chapo, e do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa.

O investimento inclui a construção de duas novas estações de bombagem, localizadas em Nhamatanda, na província de Sofala, e Messica, na província de Manica, estando a conclusão prevista para Dezembro de 2027. 

CPMZ | EXPANSÃO DA CAPACIDADE DE TRANSPORTE

+67%

Aumento previsto da capacidade instalada

2 mil milhões Litros adicionais de capacidade anual

Fonte: CPMZ, Setembro de 2026. Os valores representam capacidade de transporte, não volumes efectivamente comercializados.

 

A nova fase sucede ao investimento concluído em 2024, quando a empresa aumentou a capacidade do sistema de dois milhões para três milhões de metros cúbicos anuais.

Em 2025, o oleoduto movimentou cerca de 2,7 milhões de metros cúbicos de produtos petrolíferos, um crescimento homólogo de 16%, segundo dados da companhia citados pela Reuters. 

Este desempenho demonstra uma utilização elevada da capacidade actualmente disponível, embora a movimentação efectiva dependa das condições de procura, abastecimento e operação da infraestrutura.

A expansão foi concebida para responder às necessidades de transporte de gasóleo, gasolina e combustível de aviação, beneficiando o Zimbabwe e criando condições para ampliar a distribuição a outros mercados da região.

O projecto está a ser coordenado com investimentos complementares na ligação Feruka–Harare, operada pela Petrozim Line, procurando assegurar que o aumento da capacidade em território moçambicano seja acompanhado pelas infraestruturas do lado zimbabweano. 

Copperbelt Representa Mercado Estratégico Para Novos Fluxos de Combustíveis

A realização do fórum na Zâmbia reflecte a importância crescente daquele país no desenvolvimento comercial do Corredor da Beira.

A região do Copperbelt, que se estende pela Zâmbia e pela República Democrática do Congo, concentra actividades de mineração e processamento mineral com necessidades significativas de energia, transporte e logística.

O funcionamento das minas, o transporte de equipamentos e matérias-primas, a actividade industrial e a circulação de mercadorias exigem fornecimentos regulares de combustíveis.

Neste contexto, o aumento da capacidade do oleoduto poderá criar uma alternativa adicional de abastecimento para as empresas que operam nestes mercados.

Patrick Dias da Cunha, Administrador-Delegado da CPMZ, havia antecipado esta preocupação na apresentação do fórum, ao observar que a expansão da infraestrutura deveria ser acompanhada por soluções que permitissem ligar a capacidade adicional aos consumidores.

“A capacidade adicional do oleoduto é apenas parte da resposta. A próxima tarefa é ligar essa capacidade às empresas e aos mercados que precisam de um abastecimento fiável”, afirmou o responsável, em declaração divulgada antes do encontro, aqui traduzida do inglês. 

A observação sintetiza um dos principais desafios comerciais do corredor.

A possibilidade de transportar maiores volumes até ao Zimbabwe não assegura, isoladamente, que esses produtos cheguem de forma competitiva aos centros industriais zambianos ou a outros mercados do interior.

Para isso, são necessárias infraestruturas de distribuição, instalações de armazenamento, soluções de transporte complementares e acordos comerciais capazes de assegurar o fornecimento.

O corredor poderá ganhar importância como alternativa regional de abastecimento, sobretudo em mercados que procuram reduzir a exposição a interrupções logísticas e diversificar as suas fontes de combustível.

Porto da Beira Constitui Plataforma Central da Integração Energética

O Porto da Beira desempenha um papel essencial na cadeia de abastecimento que sustenta o desenvolvimento do corredor.

A infraestrutura assegura a ligação marítima entre fornecedores internacionais de produtos petrolíferos e os sistemas de transporte e distribuição destinados aos mercados do interior.

A sua localização geográfica constitui uma vantagem para determinados fluxos comerciais com origem ou destino no Zimbabwe e noutros países da África Austral.

Contudo, o desempenho do corredor não está associado exclusivamente à capacidade de transporte do oleoduto.

A eficiência depende igualmente da capacidade de recepção portuária, da disponibilidade de armazenamento e da coordenação entre os operadores responsáveis pelas diferentes etapas da cadeia.

Em Março de 2026, uma reunião bilateral entre Moçambique e Zimbabwe identificou constrangimentos relacionados com os tempos de espera dos navios, as necessidades de armazenagem e a articulação operacional entre o Porto da Beira e os sistemas de distribuição de combustíveis.

Entre as soluções discutidas figuraram o desenvolvimento de uma infraestrutura de amarração marítima do tipo Single Buoy Mooring e o aprofundamento da coordenação entre entidades portuárias e operadores energéticos.

A participação de representantes da CPMZ e da National Oil Infrastructure Company of Zimbabwe nos mecanismos de coordenação do porto integrou igualmente os entendimentos então anunciados.

Estes desenvolvimentos demonstram que a expansão do oleoduto exige intervenções complementares para assegurar uma maior capacidade de abastecimento.

A recepção marítima, o armazenamento, a bombagem e a distribuição precisam de funcionar de forma articulada, reduzindo os períodos de espera e os custos associados à movimentação dos produtos.

A relevância económica desta coordenação aumenta à medida que o corredor pretende atender mercados mais distantes, nos quais os custos acumulados de transporte e distribuição influenciam a competitividade dos combustíveis.

Integração Logística Abre Oportunidades Para Novos Investimentos

O crescimento da utilização do Corredor da Beira poderá impulsionar actividades económicas associadas à logística, transporte, armazenagem, engenharia e prestação de serviços especializados.

A expansão da infraestrutura energética representa uma oportunidade para empresas ligadas à construção industrial, manutenção de equipamentos, sistemas de segurança, operações portuárias e distribuição de produtos petrolíferos.

O aumento dos fluxos comerciais poderá igualmente estimular a instalação de novas unidades de armazenamento e plataformas logísticas.

O corredor apresenta ainda oportunidades que ultrapassam o sector dos combustíveis.

A articulação entre o Porto da Beira e as ligações ferroviárias e rodoviárias permite movimentar carga geral, contentores, produtos agrícolas, minerais e mercadorias destinadas aos países vizinhos.

O desenvolvimento destas actividades poderá contribuir para ampliar o comércio regional e diversificar os serviços oferecidos pelos operadores logísticos moçambicanos.

A localização das infraestruturas nas províncias de Sofala e Manica oferece também possibilidades de integração de pequenas e médias empresas em cadeias de fornecimento e prestação de serviços.

Entretanto, o aproveitamento dessas oportunidades exige capacidade empresarial, financiamento, qualificações técnicas e condições comerciais adequadas.

O crescimento das mercadorias em trânsito poderá aumentar as receitas e a actividade dos operadores nacionais, mas uma participação económica mais abrangente pressupõe o desenvolvimento de serviços e actividades produtivas ao longo do corredor.

Infraestruturas, Armazenamento e Custos Continuam a Condicionar Competitividade

Apesar do potencial de expansão, o Corredor da Beira enfrenta desafios associados à eficiência das infraestruturas e à integração das operações transfronteiriças.

A capacidade portuária e a disponibilidade de armazenamento são determinantes para assegurar que os volumes adicionais de combustíveis possam ser recebidos e encaminhados para os mercados consumidores.

A coordenação entre os diferentes operadores apresenta igualmente importância crescente, sobretudo perante a necessidade de sincronizar investimentos nos dois lados da fronteira entre Moçambique e Zimbabwe.

A competitividade comercial depende dos custos totais de abastecimento, incluindo transporte marítimo, operação portuária, armazenagem, bombagem, distribuição terrestre e eventuais encargos nas operações transfronteiriças.

A existência de capacidade física adicional não elimina estes custos.

Para as empresas mineiras e industriais, a escolha de uma rota de abastecimento considera o preço final, a regularidade das entregas e a previsibilidade das operações.

O aprofundamento da cooperação regional defendido em Livingstone poderá contribuir para melhorar a coordenação de investimentos e criar condições para uma maior integração das infraestruturas.

A entrada da Zâmbia numa estrutura de cooperação mais abrangente poderá igualmente favorecer o diálogo sobre necessidades de distribuição e oportunidades de investimento.

Por enquanto, a concretização destas possibilidades exige a definição de mecanismos comerciais e institucionais específicos.

Cooperação Energética Pode Ampliar Papel Económico de Moçambique

O desenvolvimento do Corredor da Beira tem importância para a posição de Moçambique no comércio e na logística da África Austral.

O País dispõe de infraestruturas que permitem ligar mercados do interior ao comércio internacional, oferecendo serviços de trânsito, transporte e distribuição.

A expansão do oleoduto acrescenta capacidade a esta função regional e poderá consolidar a Beira como uma plataforma de abastecimento energético.

A experiência de cooperação entre a CPMZ e o Governo do Zimbabwe demonstra o papel das infraestruturas transfronteiriças na integração económica.

O apelo formulado no encerramento do fórum para estender esse modelo à Zâmbia introduz uma nova dimensão na estratégia de desenvolvimento do corredor.

A maior integração dos mercados poderá favorecer o crescimento dos volumes transportados, a realização de investimentos complementares e o desenvolvimento de actividades comerciais associadas.

Moçambique precisa da participação de operadores nacionais nas diferentes etapas da cadeia de abastecimento, o que  constituiria uma oportunidade para ampliar os benefícios económicos da infraestrutura.

A expansão poderá igualmente aumentar a importância dos serviços prestados pelas empresas nacionais de logística e transporte, particularmente nas regiões atravessadas pelo corredor.

O desenvolvimento destas actividades representa uma possibilidade de aprofundar as relações económicas entre o sistema portuário moçambicano e os sectores produtivos dos países vizinhos.

De Dubai a Livingstone, Corredor da Beira Consolida Agenda Regional

A evolução do Beira Corridor Forum, da primeira edição realizada no Dubai, em 2025, para o encontro de Livingstone, em Outubro de 2026, acompanha o avanço da estratégia de expansão da CPMZ.

O primeiro fórum permitiu apresentar o plano de desenvolvimento do corredor e discutir as perspectivas de investimento e integração regional.

A segunda edição aproximou estas discussões dos mercados consumidores e dos países que poderão beneficiar directamente do aumento da capacidade de transporte.

No balanço do encontro, a CPMZ destacou o contributo dos representantes governamentais, reguladores, investidores, dirigentes empresariais e parceiros de desenvolvimento para a identificação de oportunidades de cooperação.

A organização reafirmou o compromisso de continuar a trabalhar com os diferentes intervenientes para fortalecer a segurança energética, aprofundar a integração regional e desenvolver uma África Austral economicamente mais conectada e resiliente.

O encerramento do fórum confirma, assim, a intenção de ampliar a cooperação que já sustenta o funcionamento do corredor entre Moçambique e Zimbabwe, incorporando progressivamente outros mercados da região.

O desenvolvimento desta estratégia ocorre num momento em que o oleoduto Beira–Feruka se prepara para aumentar a sua capacidade anual em dois milhões de metros cúbicos.

Com cerca de 2,7 milhões de metros cúbicos de combustíveis transportados em 2025 e uma capacidade projectada de cinco milhões até ao final de 2027, o Corredor da Beira dispõe de uma perspectiva concreta de expansão da sua actividade energética. A aproximação à Zâmbia abre uma nova frente comercial, mas a concretização de maiores fluxos regionais exige que a capacidade adicional de transporte seja acompanhada por investimentos em recepção marítima, armazenamento e distribuição.

O resultado do fórum de Livingstone é, neste contexto, o reforço de uma agenda de cooperação regional centrada na segurança do abastecimento e na integração das infraestruturas. A concretização de novos projectos e entendimentos comerciais constituirá a etapa seguinte dessa agenda.