Incêndio Destrói Parte da Oncologia do HCM e Atinge Unidade com Investimento de US$ 17,5 Milhões em Radioterapia

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  • Governo reorganiza os tratamentos do cancro após incêndio que destruiu parte das instalações do Hospital Central de Maputo. Os 22 pacientes internados foram evacuados sem vítimas, enquanto prossegue a avaliação dos danos estruturais e dos equipamentos especializados. Investimento histórico em radioterapia evidencia a dimensão financeira da infra-estrutura, mas prejuízos e custos de recuperação continuam por quantificar.
QUESTÕES-CHAVE
  • Investimento Público: Serviço de Radioterapia do HCM recebeu um investimento histórico de aproximadamente US$ 17,5 milhões, segundo informações divulgadas na sua inauguração, em 2019;
  • Danos Materiais: Incêndio destruiu parte superior do edifício da Oncologia, afectando instalações de internamento e tratamento, enquanto a extensão financeira das perdas continua por apurar;
  • Assistência Médica: Vinte e dois pacientes foram evacuados, dos quais 12 receberam alta e dez foram transferidos para outra enfermaria;
  • Equipamentos Especializados: Radioterapia escapou ao contacto directo com as chamas, mas os aparelhos necessitam de avaliação técnica para determinar eventuais danos indirectos;
  • Recuperação: Governo prepara medidas para restabelecer os serviços, sem orçamento nem calendário definitivo de reconstrução;
  • Segurança Hospitalar: Incidente evidencia a importância da protecção das infra-estruturas especializadas e da continuidade operacional dos serviços públicos de saúde.

Incêndio Cria Novas Necessidades de Investimento Numa Área Crítica da Saúde

O incêndio que atingiu o Serviço de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), na manhã de domingo, 1 de Novembro, provocou a destruição de parte das instalações de uma das unidades hospitalares mais especializadas do País, obrigando o Governo a reorganizar a assistência aos pacientes com cancro e a preparar uma intervenção de recuperação cujos custos ainda não foram determinados.

A ocorrência afectou uma infra-estrutura que concentra investimentos públicos realizados ao longo de vários anos, incluindo aproximadamente US$ 17,5 milhões aplicados na instalação do Serviço de Radioterapia, inaugurado em Março de 2019.

O montante, reportado na altura pela agência Lusa, constitui uma referência importante para compreender a dimensão financeira dos investimentos realizados nesta área do Hospital Central de Maputo. Não corresponde, contudo, ao valor global das infra-estruturas de Oncologia nem representa uma estimativa dos prejuízos provocados pelo incêndio.

A dimensão dos danos estruturais, a situação dos equipamentos especializados e as necessidades de recuperação permanecem sob avaliação das autoridades sanitárias.

Apesar da gravidade do sinistro, não foram registadas mortes ou ferimentos. Os 22 pacientes internados foram retirados em segurança, graças à intervenção dos profissionais de saúde e das equipas de socorro.

A resposta governamental concentra-se agora em assegurar a continuidade dos tratamentos, verificar as condições dos equipamentos e definir um programa de recuperação da capacidade operacional da unidade.

O incêndio ocorre numa fase em que Moçambique enfrenta desafios relevantes na expansão da cobertura dos cuidados oncológicos, tornando particularmente sensível a perda temporária de instalações especializadas.

Investimento de US$ 17,5 Milhões em Radioterapia Mostra Dimensão Financeira da Unidade Afectada

A destruição parcial do Serviço de Oncologia do HCM atingiu uma infra-estrutura hospitalar que recebeu investimentos públicos significativos ao longo dos últimos anos, incluindo a instalação do Serviço de Radioterapia, inaugurado em 28 de Março de 2019.

Segundo informações divulgadas na altura pela agência Lusa, a instalação da radioterapia representou um investimento de US$ 17,5 milhões, suportado pelo Orçamento do Estado. Outras publicações nacionais situaram o custo de construção e apetrechamento entre US$ 17 milhões e US$ 17,2 milhões. 

O investimento permitiu recuperar uma capacidade de tratamento que Moçambique tinha perdido em 1996, quando cessou o funcionamento da anterior unidade de radioterapia, tornando necessário o encaminhamento de pacientes para instituições hospitalares no estrangeiro.

A instalação do novo serviço representou uma intervenção estratégica no sistema nacional de saúde, destinada a reduzir a dependência externa em tratamentos oncológicos e a ampliar a capacidade nacional de resposta às doenças cancerígenas.

Na inauguração, as autoridades estimavam que o investimento poderia gerar poupanças de aproximadamente US$ 5,8 milhões em despesas com tratamentos no estrangeiro.

Entre 2016 e 2018, o Estado tinha suportado cerca de US$ 4,8 milhões para assegurar o tratamento de 251 pacientes fora do País, evidenciando os encargos financeiros associados à insuficiência de capacidade especializada. 

Estes valores permitem dimensionar a importância económica da radioterapia, mas não representam os prejuízos provocados pelo incêndio.

O montante de US$ 17,5 milhões refere-se especificamente ao investimento histórico nesta componente e não ao valor patrimonial total do Serviço de Oncologia, que integra instalações e equipamentos desenvolvidos em diferentes períodos.

Cinco Anos de Radioterapia Evidenciam Importância da Capacidade Instalada

A importância da infra-estrutura também é demonstrada pelos resultados da actividade clínica realizada após a sua entrada em funcionamento, em Agosto de 2019.

Um estudo científico sobre os primeiros cinco anos de funcionamento do Serviço de Radioterapia do HCM, publicado em 2025, analisou os registos de 810 pacientes submetidos a radioterapia externa entre Agosto de 2019 e Dezembro de 2023.

A investigação identificou um crescimento do número de pacientes admitidos nos primeiros anos, passando de 161 em 2020 para 188 em 2021 e 238 em 2022, antes de se registar uma redução para 185 em 2023.

Os investigadores concluíram que o serviço contribuiu para melhorar o acesso aos tratamentos oncológicos, particularmente entre pacientes com cancro do colo do útero e da mama. 

A evolução demonstra que a infra-estrutura financiada pelo Estado permitiu criar capacidade efectiva de tratamento, reduzindo parte das limitações anteriormente existentes.

Contudo, o funcionamento do serviço também conheceu dificuldades técnicas.

Em Agosto de 2025, o HCM anunciou a retoma dos tratamentos de radioterapia depois de uma interrupção superior a um ano, provocada por avarias no equipamento especializado.

O Ministério da Saúde reconheceu, na ocasião, que a paralisação obrigara ao adiamento ou interrupção de tratamentos, com consequências para a assistência aos pacientes. 

 

A situação torna particularmente relevante a avaliação técnica da radioterapia após o incêndio, tanto para determinar eventuais danos decorrentes do sinistro como para estabelecer a situação operacional dos equipamentos antes da ocorrência.

Radioterapia Escapou às Chamas, Mas Funcionamento dos Equipamentos Continua Por Confirmar

Uma das principais preocupações das autoridades concentra-se na situação da área de radioterapia, localizada no piso térreo do edifício afectado.

A porta-voz do Serviço Nacional de Salvação Pública, Vanessa Chiau, confirmou que a intervenção dos bombeiros impediu que as chamas atingissem directamente aquela área.

“A pronta intervenção dos bombeiros permitiu que o incêndio não se alastrasse para outros compartimentos do edifício, concretamente na parte térrea, que compreende a área da radioterapia”, declarou.

Contudo, a preservação física das instalações não significa que todos os equipamentos estejam em condições de funcionamento.

O ministro da Saúde, Ussene Isse, explicou que os aparelhos utilizados em radioterapia são altamente sensíveis às temperaturas elevadas e que será necessária uma avaliação especializada para identificar eventuais danos indirectos.

Os equipamentos de radioterapia integram componentes electrónicos, mecanismos de precisão e sistemas de controlo cuja integridade precisa de ser tecnicamente verificada antes de qualquer utilização clínica.

O balanço apresentado pelas autoridades também confirmou que a fonte radioactiva de cobalto foi colocada em segurança, com a participação da Agência Nacional de Energia Atómica.

Segundo o ministro, as medições efectuadas nas imediações da unidade não identificaram contaminação radioactiva associada ao incêndio.

“Gostaria de realçar mais uma vez que não há risco de contaminação”, assegurou Ussene Isse.

A preservação da fonte radioactiva e a ausência de contacto directo das chamas com a radioterapia reduziram os riscos imediatos. Permanece, contudo, por esclarecer a situação funcional dos equipamentos e a capacidade de prestação dos tratamentos.

Informações divulgadas pela Miramar em 1 de Novembro indicavam que a única máquina de radioterapia existente no País se encontrava inoperacional. A situação requer esclarecimento oficial, sobretudo quanto à data da avaria, aos motivos da paralisação e à eventual relação com o incêndio. 

Vinte e Dois Pacientes Evacuados Sem Vítimas Mortais

A rápida intervenção dos profissionais de saúde permitiu retirar em segurança os 22 pacientes que se encontravam internados quando o incêndio deflagrou.

Segundo a directora-geral do HCM, Farida Urci, o fogo foi detectado por volta das 7h10, depois de uma enfermeira de serviço ter sentido cheiro a fumo.

Ao procurar identificar a origem, a profissional deparou-se com uma situação de emergência, acompanhada por pequenas explosões, tendo alertado imediatamente os pacientes e os restantes profissionais.

A evacuação foi concluída antes de as chamas se propagarem às áreas de internamento, evitando vítimas mortais e ferimentos.

O ministro da Saúde confirmou que os pacientes foram encaminhados para outras instalações hospitalares, onde continuaram a receber assistência médica.

“Dos 22 doentes que estavam internados na enfermaria de Oncologia, foram evacuados a tempo e horas. Não registámos nenhum ferido”, declarou.

Num dos primeiros balanços, as autoridades indicaram que 12 pacientes tinham recebido alta hospitalar e dez permaneciam sob acompanhamento noutras enfermarias.

Uma actualização posterior divulgada pela Miramar apontou para 13 altas e nove pacientes ainda internados. A diferença corresponde a momentos distintos de actualização da situação clínica, devendo os números mais recentes ser confirmados pelo HCM. 

A inexistência de vítimas constitui o resultado mais importante da resposta imediata à emergência, embora o incêndio tenha provocado danos materiais significativos e obrigado à reorganização dos serviços.

Governo Cria Solução Alternativa Para Garantir Continuidade dos Tratamentos

A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, deslocou-se ao Hospital Central de Maputo para acompanhar a situação e avaliar as medidas adoptadas pelas autoridades sanitárias.

Durante a visita, manifestou solidariedade para com os pacientes, familiares e profissionais de saúde, assegurando o compromisso do Executivo com a recuperação da capacidade operacional da unidade.

“O Governo está integralmente solidário com os pacientes, familiares e profissionais de saúde atingidos por este lamentável evento. Estamos a trabalhar de forma articulada para responder com eficácia, restaurar a operacionalidade dos serviços e garantir que nenhum paciente fique desamparado”, afirmou.

O ministro Ussene Isse anunciou a criação de uma unidade de atendimento e apoio aos doentes oncológicos, destinada a assegurar a continuidade dos serviços em regime de internamento e ambulatório.

A solução foi preparada para começar a funcionar a partir de segunda-feira, 2 de Novembro, utilizando instalações alternativas dentro do HCM.

“A nossa missão é salvar vidas e vamos cuidar de vocês”, declarou o governante, ao apresentar as medidas de reorganização da assistência.

A continuidade dos tratamentos exigirá adaptações operacionais, incluindo a redistribuição de profissionais, medicamentos, equipamentos e espaços clínicos.

A reorganização também poderá implicar alterações à programação das consultas e dos tratamentos, particularmente nas actividades que dependem de instalações especializadas.

A capacidade da solução alternativa para responder à procura habitual constitui, por isso, uma das principais questões que deverão ser acompanhadas nos próximos dias.

Serviço Atende Até 60 Pacientes Diários e Regista Centenas de Novos Casos Anuais

A importância do Serviço de Oncologia do HCM pode ser igualmente avaliada pela dimensão da procura de assistência médica.

Segundo informações divulgadas pela Miramar, a unidade atende habitualmente entre 45 e 60 pacientes por dia em regime ambulatório, registando entre 800 e 900 novos casos anuais.

Uma parcela significativa dos pacientes acompanhados apresenta cancro da mama ou do colo do útero, doenças que exigem diagnóstico, tratamento e acompanhamento clínico especializados. 

O incêndio afectou, nomeadamente, uma enfermaria de quimioterapia com capacidade para 28 camas, além de outros compartimentos utilizados na prestação de cuidados.

A destruição destas instalações reduz temporariamente a capacidade física disponível para o funcionamento normal dos serviços, exigindo a utilização de alternativas hospitalares.

O problema assume particular relevância porque o tratamento oncológico envolve procedimentos cuja calendarização pode ser clinicamente importante.

Embora o HCM tenha anunciado mecanismos para assegurar a continuidade da assistência, a extensão efectiva de eventuais interrupções ou remarcações deverá ser avaliada com base nos registos clínicos e operacionais da instituição.

Prejuízos Ainda Não Foram Quantificados e Reconstrução Não Tem Orçamento

Apesar da dimensão dos danos observados no edifício, as autoridades ainda não divulgaram uma estimativa monetária das perdas.

A directora-geral do HCM, Farida Urci, considerou prematuro apresentar valores antes da conclusão das avaliações técnicas, admitindo que uma primeira estimativa pudesse ser conhecida ao longo da semana de 2 a 8 de Novembro.

O levantamento deverá identificar a extensão dos danos nas instalações, nos equipamentos médicos, no mobiliário, nos sistemas eléctricos e nas restantes componentes afectadas pelo incêndio.

A avaliação terá igualmente de determinar quais os equipamentos recuperáveis e quais exigirão substituição, distinguindo os danos directamente provocados pelas chamas dos efeitos indirectos associados ao calor, fumo, água utilizada no combate ao incêndio e interrupções eléctricas.

A recuperação poderá envolver despesas de reabilitação estrutural, aquisição de novos equipamentos e adaptação temporária de instalações destinadas à continuidade dos tratamentos.

Estes encargos ainda não foram orçamentados publicamente.

A referência histórica de US$ 17,5 milhões investidos na radioterapia não permite calcular os prejuízos, uma vez que se trata de um investimento anterior numa componente específica do complexo oncológico, parcialmente preservada do contacto directo com as chamas.

Uma estimativa financeira rigorosa exigirá inventário patrimonial actualizado, avaliação dos equipamentos e determinação dos custos de reconstrução.

Incêndio Reabre Debate Sobre Segurança e Protecção do Investimento Hospitalar

A destruição parcial do Serviço de Oncologia introduz uma preocupação mais abrangente sobre a protecção das infra-estruturas hospitalares que concentram equipamentos especializados e serviços de difícil substituição.

A instalação e manutenção de unidades de radioterapia, quimioterapia e diagnóstico oncológico exigem investimentos significativos em edifícios, sistemas técnicos, equipamentos e formação de profissionais.

A perda temporária destas capacidades pode gerar encargos adicionais para o sistema público de saúde e para os pacientes, sobretudo quando implica adiamento de tratamentos, reorganização das actividades clínicas ou recurso a alternativas fora das instalações habituais.

A experiência de funcionamento da radioterapia do HCM evidencia a importância da manutenção preventiva e da disponibilidade de assistência técnica especializada.

A paralisação superior a um ano registada antes da retoma anunciada em Agosto de 2025 demonstrou que a existência física de equipamentos não assegura, por si só, uma capacidade contínua de tratamento.

O incêndio acrescenta agora exigências de recuperação das instalações e de avaliação da integridade dos equipamentos, tornando necessário considerar as condições de segurança, manutenção e continuidade operacional da unidade.

A investigação às causas do incêndio ainda se encontra em curso, não existindo elementos suficientes para estabelecer responsabilidades ou identificar falhas específicas de prevenção.

A avaliação deverá contribuir para determinar as circunstâncias da ocorrência e identificar eventuais medidas de segurança a adoptar na reconstrução.

Recuperação da Oncologia Exigirá Decisões Financeiras e Operacionais

O Governo enfrenta agora o desafio de restabelecer a capacidade do Serviço de Oncologia do HCM sem comprometer a assistência aos pacientes que dependem da unidade.

A intervenção imediata permitiu evitar vítimas e assegurar o encaminhamento dos doentes internados, enquanto a reorganização dos serviços procura manter consultas, internamentos e tratamentos.

A fase seguinte exigirá decisões sobre reabilitação do edifício, recuperação ou substituição dos equipamentos e mobilização dos recursos financeiros necessários.

O investimento histórico de US$ 17,5 milhões na radioterapia demonstra a dimensão dos recursos exigidos para criar capacidade especializada de tratamento do cancro, mas a avaliação das perdas decorrentes do incêndio terá de considerar a situação efectiva de cada componente da infra-estrutura.

A recuperação também poderá envolver parceiros de cooperação e instituições especializadas, embora não tenham sido anunciados compromissos financeiros específicos para a reconstrução.

O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu a mobilização de recursos internos e apoio de parceiros para acelerar a recuperação dos serviços, considerando a importância nacional da unidade.

A prioridade imediata mantém-se na assistência médica, enquanto o levantamento patrimonial e a avaliação técnica deverão fornecer os elementos necessários às decisões de investimento.

A situação do Serviço de Oncologia do HCM coloca três questões concretas ao Governo: quanto custará recuperar a infra-estrutura, quais os equipamentos que poderão voltar a funcionar e em que prazo será possível restabelecer integralmente os tratamentos.

A divulgação dessas respostas permitirá estabelecer a dimensão financeira do incêndio e identificar as necessidades de investimento público numa das áreas mais exigentes da assistência hospitalar especializada.

Com os 22 pacientes retirados em segurança e os serviços reorganizados, a atenção concentra-se agora na capacidade do sistema nacional de saúde de assegurar tratamentos contínuos enquanto decorre a recuperação das instalações afectadas.