
Chapo Aponta Crescimento Económico Acima dos 2,5% Como Condição Para Aumentar Rendimento das Famílias
Presidente da República alerta que mais de 500 mil jovens entram anualmente no mercado de trabalho e que a população poderá atingir 60 milhões de habitantes até 2050. Na abertura da Conferência sobre População e Desenvolvimento, associa o aproveitamento do dividendo demográfico à industrialização, ao emprego produtivo, ao investimento em capital humano e às reformas económicas em curso.
- População moçambicana ronda os 35 milhões de habitantes em 2026, podendo alcançar 60 milhões até 2050;
- Crescimento populacional situa-se próximo de 2,5% ao ano, exigindo uma expansão económica superior para permitir ganhos sustentados de rendimento por habitante;
- Mais de 500 mil jovens procuram anualmente integrar-se no mercado de trabalho, aumentando a necessidade de emprego produtivo e diversificação económica;
- FDEL financiou mais de 18 mil projectos em 2025, com a criação reportada de mais de 43 mil postos de trabalho;
- Governo aponta reformas na mineração, conteúdo local, petróleo e financiamento do desenvolvimento como instrumentos de transformação económica;
- Revisão da Política Nacional de População de 1999 e Declaração de Maputo deverão orientar as prioridades da agenda demográfica.
Presidente Alerta Para Necessidade de Economia Crescer Acima da População
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, defendeu esta quarta-feira, 4 de Novembro, que Moçambique precisa de assegurar taxas de crescimento económico sustentadamente superiores ao ritmo de expansão da população, actualmente próximo de 2,5% ao ano, para elevar o rendimento médio, criar emprego e aproveitar o potencial de uma população predominantemente jovem. Discursando na abertura da Conferência sobre População e Desenvolvimento, em Maputo, o Chefe do Estado advertiu que o crescimento demográfico poderá agravar os desafios económicos e sociais caso não seja acompanhado pela expansão da produção, da produtividade e das oportunidades de trabalho.
Na intervenção, subordinada ao tema “Dividendo Demográfico: Uma Oportunidade Histórica Para Moçambique”, Daniel Chapo estabeleceu uma relação directa entre a evolução da população e a capacidade da economia de gerar riqueza.
O Presidente recordou que Moçambique tinha aproximadamente 10 milhões de habitantes em 1975, número que aumentou para 18 milhões em 2000 e que se situa actualmente em cerca de 35 milhões.
As projecções apresentadas apontam para uma população próxima de 60 milhões de habitantes em 2050, o que representa um aumento de aproximadamente 25 milhões de pessoas relativamente à estimativa actual.
Para o Chefe do Estado, esta trajectória exige uma transformação da estrutura produtiva e uma ampliação da capacidade de geração de rendimentos.
Ao destacar que o crescimento populacional se situa próximo de 2,5% ao ano, Chapo advertiu que, se a economia crescer abaixo desse ritmo, “a riqueza produzida pelo País não acompanhará o aumento do número de habitantes”, acrescentando que taxas de expansão económica insuficientes limitam os ganhos no rendimento médio das famílias.
Tratou-se de um pronunciamento que introduz a dimensão económica central no debate sobre o dividendo demográfico: o crescimento agregado do Produto Interno Bruto precisa de ser analisado em conjunto com a evolução da população, uma vez que a expansão da economia a um ritmo inferior ao crescimento demográfico pode traduzir-se numa redução da produção por habitante.
| Ano | População |
|---|---|
| 1975 | ≈ 10 milhões |
| 2000 | ≈ 18 milhões |
| 2026 | ≈ 35 milhões |
| 2050 (projecção) | ≈ 60 milhões |
Evolução histórica e projecção demográfica apresentadas pelo Presidente da República no discurso de 4 de Novembro de 2026. O ponto de 2050 é uma projecção. Fonte: Discurso do Presidente da República na Conferência sobre População e Desenvolvimento, 4 de Novembro de 2026. Ritmo de crescimento actual: cerca de 2,5% ao ano.

Mais de 500 Mil Jovens Chegam Anualmente ao Mercado de Trabalho
A necessidade de criar emprego constitui um dos maiores desafios económicos identificados pelo Presidente da República.
Segundo as estimativas apresentadas na intervenção, mais de 500 mil jovens procuram anualmente integrar-se no mercado de trabalho, seja através de um primeiro emprego formal, da actividade empresarial ou de outras iniciativas produtivas.
A dimensão deste fluxo exige uma economia com maior capacidade de absorção de mão-de-obra, sobretudo nos sectores com potencial para gerar emprego e aumentar a produtividade.
Chapo considerou necessário construir uma economia “cada vez mais robusta, com oportunidades de empregos para jovens e mulheres”, associando esta prioridade à necessidade de diversificação da produção e expansão das actividades económicas.
O Presidente identificou a agricultura, o turismo, a economia azul, os transportes, a logística, a energia e a transformação digital entre os sectores com potencial para ampliar a criação de riqueza e de oportunidades de trabalho.
A pressão sobre o mercado laboral reflecte uma característica importante da evolução demográfica do país: uma população predominantemente jovem aumenta a oferta potencial de trabalho, mas exige níveis correspondentes de investimento produtivo e criação de postos de emprego.
Na ausência dessa expansão, o crescimento da população activa pode intensificar a concorrência por oportunidades de trabalho e ampliar as dificuldades de inserção económica dos jovens.
O Chefe do Estado advertiu, por isso, que o aproveitamento do dividendo demográfico não decorre automaticamente da existência de uma população jovem.
“O dividendo demográfico não é uma riqueza que se recebe automaticamente. É uma oportunidade que se conquista com trabalho árduo de todos nós, com educação, saúde, formação, emprego e políticas públicas acertadas.
O pronunciamento evidencia a necessidade de articular a evolução demográfica com o desenvolvimento de competências, a expansão da actividade empresarial e a melhoria das condições de acesso ao mercado de trabalho.

Reformas Económicas São Apresentadas Como Instrumentos de Transformação Produtiva
Daniel Chapo associou o aproveitamento do dividendo demográfico às reformas económicas que o Governo tem vindo a promover, particularmente nos sectores de recursos naturais, indústria e financiamento do desenvolvimento.
Na intervenção, o Presidente referiu a nova Lei de Minas, a Empresa Nacional de Minas, a Lei do Conteúdo Local, a nova Lei de Petróleos e o Banco de Desenvolvimento de Moçambique como componentes da agenda de transformação económica.
O Chefe do Estado enquadrou essas iniciativas no objectivo de “transformar o potencial demográfico em capacidade produtiva, emprego digno, inovação e criação de riqueza nacional cada vez maior e partilhada”.
Procurou estabelecer uma ligação entre as reformas sectoriais e a capacidade de gerar oportunidades económicas para uma população activa em crescimento.
No domínio dos recursos naturais, a referência ao conteúdo local e à mineração sugere uma preocupação com a ampliação da participação empresarial nacional e com a criação de actividades produtivas associadas aos investimentos de grande dimensão.
No financiamento, a referência ao Banco de Desenvolvimento de Moçambique insere-se numa agenda de criação e aperfeiçoamento de instrumentos de apoio ao investimento e à actividade económica.
FDEL Financiou Mais de 18 Mil Projectos e Reportou 43 Mil Empregos
Entre os instrumentos de promoção da actividade produtiva e do empreendedorismo, o Presidente destacou o Fundo de Desenvolvimento Económico Local (FDEL), o PROMULHER, o Fundo de Garantia Mutuária, o Conecta Negócios, o Jobs Now e o PROJOVEM.
Segundo Daniel Chapo, o FDEL permitiu financiar mais de 18 mil projectos em 2025, com uma criação reportada de mais de 43 mil postos de trabalho em todo o país.
O Chefe do Estado apresentou estes resultados como parte da estratégia de ampliação das oportunidades económicas nos distritos e municípios, particularmente para jovens e mulheres.
Os números apontam para uma média aproximada de 2,4 postos de trabalho reportados por projecto financiado, embora não permitam determinar, isoladamente, a permanência, a qualidade ou a sustentabilidade desses empregos.
O Presidente manifestou a intenção de ampliar estes mecanismos de apoio, associando-os à dinamização da produção e ao desenvolvimento da iniciativa empresarial.
A expansão dos instrumentos de financiamento ocorre num contexto em que o acesso ao capital continua a constituir uma das principais condicionantes à actividade das pequenas e médias empresas, especialmente em iniciativas com garantias limitadas ou elevada exposição ao risco.

Educação, Saúde E Qualificação Constituem Prioridades do Investimento Demográfico
O Presidente identificou o investimento em capital humano como condição para aproveitar a evolução da estrutura populacional.
A agenda apresentada inclui a melhoria da qualidade da educação, a expansão do ensino técnico-profissional, a formação de professores e o aumento das oportunidades de permanência das raparigas no sistema educativo.
Chapo defendeu que o desenvolvimento económico exige cidadãos saudáveis e qualificados, articulando os investimentos em educação com o acesso aos cuidados de saúde.
Entre as prioridades sanitárias mencionadas encontram-se os cuidados de saúde primários, a saúde materno-infantil, a saúde sexual e reprodutiva, a prevenção de doenças e o combate à desnutrição crónica.
O Presidente recordou também alguns indicadores da evolução social desde a Independência, destacando a expansão do ensino superior, o aumento do acesso à energia eléctrica e a redução da mortalidade infantil.
Segundo os dados apresentados no discurso, a cobertura de energia eléctrica, inferior a 2% da população em 1975, aproxima-se actualmente de 67%.
A mortalidade infantil, que o Presidente situou acima de 150 mortes por mil nados-vivos à data da Independência, terá diminuído para aproximadamente 39, segundo os resultados do Inquérito Demográfico e de Saúde 2022–2023.
Estes indicadores foram utilizados para contextualizar os progressos realizados e a dimensão dos investimentos adicionais necessários para responder ao crescimento da população.
Índice de Desenvolvimento Humano Deverá Atingir 0,7 em 2044
O Presidente relacionou a agenda demográfica com os objectivos de longo prazo da Estratégia Nacional de Desenvolvimento 2025–2044, particularmente no domínio do desenvolvimento humano.
Segundo os indicadores apresentados, o Governo pretende elevar o Índice de Desenvolvimento Humano de 0,45 em 2024 para 0,48 em 2029 e 0,7 em 2044.
| Ano | IDH |
|---|---|
| 2024 | 0,45 |
| 2029 (meta) | 0,48 |
| 2044 (meta) | 0,7 |
Fonte: Discurso do Presidente da República, 4 de Novembro de 2026. Os valores de 2029 e 2044 são metas governamentais.
A meta de longo prazo implica melhorias nas condições de saúde, educação e rendimento, dimensões que integram o cálculo do indicador.
O Presidente associou igualmente o crescimento populacional à necessidade de ampliar as infra-estruturas urbanas, os serviços públicos e a capacidade de resposta às mudanças climáticas.
A evolução das cidades foi identificada como uma das questões que exigem maior articulação entre a política demográfica e os instrumentos de planificação territorial.
Presidente Orienta Revisão da Política Nacional de População de 1999
A revisão da Política Nacional de População, aprovada em 1999, constitui uma das principais prioridades institucionais apresentadas pelo Chefe do Estado.
O Presidente explicou que o instrumento deverá ser actualizado para responder às transformações demográficas, económicas, sociais e territoriais registadas ao longo das últimas décadas.
Na sua intervenção, Chapo afirmou que orientou os sectores governamentais a “colocarem a dinâmica da população no centro da planificação nacional, sectorial e territorial”, defendendo políticas públicas com metas claras, coordenação entre instituições e mecanismos de acompanhamento dos resultados.
A Conferência sobre População e Desenvolvimento, organizada pelo Ministério da Planificação e Desenvolvimento em colaboração com o Fundo das Nações Unidas para a População, deverá contribuir para esse processo.
O encontro, que decorre nos dias 4 e 5 de Novembro, reúne representantes do Governo, parceiros internacionais, sector privado, academia e organizações da sociedade civil.
Segundo o Presidente, as discussões deverão responder a três questões fundamentais: como transformar o crescimento populacional em prosperidade, como construir uma economia que cresça acima do ritmo da população e como preparar as cidades para acolher uma população urbana crescente sem agravar a pobreza e a pressão sobre os serviços públicos.
Os resultados deverão contribuir para a Declaração de Maputo sobre População e Desenvolvimento, cuja validação está prevista para o encerramento da Conferência.
Chapo defendeu que a Declaração estabeleça políticas concretas, prioridades claras e responsabilidades partilhadas, criando uma referência para a revisão da Política Nacional de População e a implementação das prioridades nacionais de desenvolvimento.












