
Actividade Empresarial Atinge Máximo de Quatro Anos e Meio, Mas Emprego Continua em Queda
PMI do Standard Bank sobe de 50,2 para 52,7 pontos em Outubro, impulsionado pela maior expansão das novas encomendas desde Junho de 2021 e por um aumento recorde das aquisições empresariais. Recuperação da produção contrasta com a redução dos postos de trabalho e com a aceleração dos custos de aquisição para níveis não observados desde meados de 2022.
- PMI sobe para 52,7 pontos em Outubro, contra 50,2 em Setembro, atingindo o nível mais elevado desde Abril de 2022;
- Novas encomendas registam a expansão mais rápida desde Junho de 2021, com crescimento nos cinco sectores acompanhados pelo inquérito;
- Aquisição de meios de produção atinge máximo histórico, desde o início da série, em Março de 2015;
- Emprego diminui pela terceira vez em quatro meses, apesar da recuperação da produção e da procura;
- Custos de aquisição registam a maior subida em quase quatro anos e meio, pressionados pelos combustíveis, transportes e importações;
- 77% das empresas antecipam crescimento da produção, embora o Standard Bank mantenha a perspectiva de recuperação económica lenta.
Sector Privado Recupera Dinamismo Com Aceleração das Encomendas
A actividade empresarial moçambicana registou uma melhoria significativa em Outubro de 2026, com o índice de gestores de compras (PMI) do Standard Bank a subir de 50,2 pontos em Setembro para 52,7 pontos, o valor mais elevado desde Abril de 2022. A recuperação foi impulsionada pelo aumento das novas encomendas, pela retoma da produção e por uma expansão sem precedentes das aquisições de meios de produção, embora o emprego tenha voltado a diminuir e os custos empresariais tenham registado uma forte aceleração.
Os resultados constam do relatório mensal divulgado esta quarta-feira, 4 de Novembro, pelo Standard Bank, elaborado pela S&P Global a partir de um inquérito junto de aproximadamente 400 empresas do sector privado.
O PMI permaneceu acima do limiar de 50 pontos pelo quarto mês consecutivo, sinalizando uma melhoria das condições operacionais das empresas em relação ao mês anterior. A subida de 2,5 pontos entre Setembro e Outubro representa uma aceleração expressiva do indicador, acompanhada por uma recuperação da actividade produtiva depois da contracção observada em Setembro.
O principal impulso veio das novas encomendas, cuja taxa de crescimento atingiu o nível mais elevado desde Junho de 2021. As empresas associaram a melhoria à angariação de novos clientes, ao lançamento de produtos e ao aumento da visibilidade comercial.
Pela primeira vez em mais de dois anos, os cinco sectores monitorizados registaram simultaneamente um aumento das novas encomendas, com destaque para a construção, que apresentou a expansão mais acentuada.
Contudo, a melhoria da procura e da actividade empresarial não se traduziu numa recuperação equivalente do emprego, evidenciando as limitações financeiras que continuam a afectar as decisões de contratação.
| Mês | PMI (pontos) | Variação |
|---|---|---|
| Setembro de 2026 | 50,2 | — |
| Outubro de 2026 | 52,7 | +2,5 pontos |
Leituras mensais do PMI do Standard Bank Moçambique. A linha de 50 pontos é o limiar entre melhoria e deterioração das condições empresariais. Fonte: Standard Bank / S&P Global, Outubro de 2026. Valores corrigidos de sazonalidade. Leituras superiores a 50 indicam melhoria mensal das condições empresariais, não uma taxa percentual de crescimento da economia.
Novas Encomendas Crescem ao Ritmo Mais Elevado Desde Junho de 2021
O crescimento da procura constituiu o principal factor de recuperação da actividade empresarial em Outubro, invertendo a moderação observada no mês anterior.
Segundo o inquérito, cerca de 29% das empresas participantes registaram um aumento das novas encomendas, enquanto aproximadamente 15% reportaram uma diminuição. A diferença entre os dois grupos confirma uma evolução favorável da carteira de novos negócios.
As empresas que registaram melhorias associaram o desempenho à conquista de novos clientes, ao lançamento de produtos e à maior presença no mercado.
A recuperação apresentou igualmente uma abrangência sectorial relevante. Pela primeira vez em mais de dois anos, todos os cinco grandes sectores monitorizados registaram crescimento das encomendas, com a construção a liderar a expansão.
O aumento da actividade comercial contribuiu para uma recuperação da produção, depois da contracção registada em Setembro. Contudo, o crescimento permaneceu ligeiro, reflectindo a persistência de dificuldades operacionais.
Entre os principais constrangimentos identificados pelas empresas destacam-se a insuficiência de fundo de maneio, a escassez de matérias-primas e as pressões concorrenciais.
A diferença entre o ritmo de crescimento das encomendas e a recuperação mais moderada da produção sugere que parte das empresas continua a enfrentar dificuldades para responder plenamente ao aumento da procura.
Aquisições Empresariais Atingem Máximo Histórico Desde 2015
Uma das principais novidades do relatório de Outubro foi o aumento recorde das aquisições de meios de produção pelas empresas moçambicanas.
O índice correspondente atingiu o valor mais elevado desde o início do inquérito, em Março de 2015, prolongando para quatro meses consecutivos a expansão da actividade de aquisição.
Cerca de 31% das empresas participantes aumentaram as compras de meios de produção face a Setembro, enquanto apenas 7% comunicaram uma contracção.
O relatório associa esta evolução, sobretudo, à reposição de existências, motivada pela recuperação da procura e pela necessidade de assegurar maior disponibilidade de produtos e matérias-primas.
O sector da construção destacou-se também neste indicador, liderando o aumento das aquisições entre os sectores acompanhados.
A expansão das compras contribuiu para um crescimento dos stocks de aquisição pelo quarto mês consecutivo, ao ritmo mais acentuado desde Julho de 2022.
O aumento das encomendas e a necessidade de reposição de existências exerceram, entretanto, maior pressão sobre as cadeias de abastecimento.
Os prazos de entrega dos fornecedores aumentaram ligeiramente pelo segundo mês consecutivo, devido à escassez de determinados produtos e à intensificação da procura.
Estes resultados evidenciam uma aceleração da actividade de aprovisionamento, embora o relatório não permita concluir que o aumento das aquisições corresponde integralmente a novos investimentos em capacidade produtiva. Parte significativa das compras destinou-se à reposição de stocks.
Emprego Continua a Diminuir Apesar da Recuperação da Produção
A evolução do emprego constitui um dos aspectos mais relevantes do relatório, pela divergência entre a recuperação da actividade empresarial e as decisões de contratação.
Em Outubro, o número de trabalhadores empregados pelas empresas inquiridas diminuiu pela terceira vez nos últimos quatro meses, ainda que a contracção tenha sido ligeira.
A principal razão apresentada pelas empresas foi a existência de constrangimentos de viabilidade financeira, que limitaram a contratação de novos trabalhadores.
O comportamento do emprego contrasta com a aceleração das novas encomendas, o aumento da produção e a expansão recorde da actividade de aquisição.
O economista-chefe do Standard Bank Moçambique, Fáusio Mussá, reconheceu esta divergência ao comentar os resultados do inquérito.
“É de salientar que, em Outubro, os níveis de emprego diminuíram pela terceira vez em quatro meses, o que sugere que a recuperação económica é ainda frágil.
A observação do economista chama a atenção para a diferença entre a recuperação das condições de actividade e a capacidade das empresas de sustentar uma expansão mais abrangente das suas operações.
O relatório identifica igualmente um aumento das encomendas em atraso, pela primeira vez em quatro meses, depois de três períodos consecutivos de redução.
Embora a acumulação tenha sido ligeira, atingiu o ritmo mais elevado desde Junho de 2025, reflectindo alguma pressão sobre a capacidade operacional das empresas.
A conjugação de novas encomendas em crescimento, limitações na contratação e acumulação de trabalho pendente poderá indicar dificuldades em ajustar os recursos produtivos à recuperação da procura.
Custos de Aquisição Registam Maior Aceleração em Quase Quatro Anos e Meio
A melhoria das condições empresariais foi acompanhada por um aumento expressivo das pressões sobre os custos de produção.
Segundo o relatório, os preços dos bens e serviços adquiridos pelas empresas aumentaram ao ritmo mais rápido desde meados de 2022, correspondendo à maior aceleração em quase quatro anos e meio.
As empresas associaram esta evolução ao aumento dos preços dos combustíveis, dos transportes e dos produtos importados, além dos custos relacionados com encomendas de maior dimensão.
A inflação dos custos de aquisição prolongou-se pelo sétimo mês consecutivo, abrangendo os cinco principais sectores acompanhados pelo inquérito.
O sector secundário registou uma nova aceleração das despesas, num contexto de recuperação da actividade e aumento das necessidades de aprovisionamento.
As empresas procuraram transferir parte dos custos adicionais para os preços cobrados aos clientes, contribuindo para uma subida mais rápida dos preços de venda.
Contudo, as condições concorrenciais impediram aumentos mais pronunciados em determinados mercados, limitando a capacidade de repercussão integral dos custos.
Em contraste, as despesas com pessoal registaram uma desaceleração. Embora os custos salariais tenham continuado a aumentar, a respectiva taxa de inflação foi ligeira e a mais baixa desde Julho.
A evolução diferenciada dos custos indica que as pressões inflacionistas reportadas pelas empresas estiveram concentradas, sobretudo, nos meios de produção, na logística e nas importações, e não no aumento das despesas salariais.
Confiança Empresarial Mantém-se Elevada, Com 77% das Empresas a Preverem Crescimento
Apesar das dificuldades relacionadas com o emprego, o financiamento e os custos operacionais, as expectativas empresariais permaneceram favoráveis em Outubro.
Segundo o PMI, 77% das empresas inquiridas antecipam um crescimento da produção nos próximos 12 meses, enquanto apenas 1% prevê uma diminuição.
O grau de confiança registou uma ligeira redução relativamente a Setembro, mês em que havia atingido o valor mais elevado em quase nove anos. Ainda assim, manteve-se no segundo nível mais elevado nesse período.
As perspectivas favoráveis estão associadas à recuperação da procura, à expansão das encomendas e aos planos empresariais de crescimento.
Entre as iniciativas mencionadas encontram-se a abertura de novas sucursais, a expansão dos stocks e equipamentos, os investimentos tecnológicos e o estabelecimento de novas parcerias comerciais.
A confiança empresarial constitui um sinal relevante sobre as intenções de investimento e expansão da actividade, embora a concretização dessas expectativas continue condicionada pelas condições financeiras, pela disponibilidade de meios de produção e pela evolução da procura.
Fáusio Mussá associou parte do optimismo empresarial aos desenvolvimentos no sector do gás natural liquefeito.
“É provável que isto reflicta progressos nos projectos de gás natural liquefeito (GNL), o que deve contribuir para o aumento da procura agregada nos próximos 12 meses.
A avaliação sugere que as expectativas de maior actividade associada aos projectos energéticos poderão estar a influenciar as perspectivas de produção e de negócios das empresas.
Contudo, o relatório não quantifica a contribuição directa dos projectos de GNL para a melhoria do PMI, tratando-se de uma interpretação económica apresentada pelo Standard Bank.
Standard Bank Mantém Previsão de Recuperação Económica Lenta
Apesar da melhoria expressiva do PMI, o Standard Bank considera que o comportamento do indicador permanece compatível com um cenário de recuperação lenta da economia moçambicana.
Na avaliação de Fáusio Mussá, as perspectivas continuam condicionadas pelas limitações orçamentais do Estado, pelo acesso restrito ao financiamento e pelos desequilíbrios existentes no mercado cambial.
O economista-chefe observou que os indicadores empresariais permanecem alinhados com as previsões do banco para uma recuperação gradual da actividade económica.
“Os dados do PMI permanecem consistentes com as nossas previsões de uma recuperação lenta do crescimento do PIB, condicionada pela ausência de espaço fiscal e pelo acesso limitado ao financiamento por parte do Estado, o que restringe o investimento do sector público na economia.
A análise evidencia o papel das restrições fiscais na evolução da procura e do investimento, particularmente numa economia em que a despesa pública continua a influenciar a actividade de diferentes sectores empresariais.
O economista acrescentou que persistem desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda estrangeira, condicionando a expansão do crédito e do investimento privado.
“Desequilíbrios entre a oferta e a procura de moeda externa continuam a caracterizar a economia, o que limita o crescimento do crédito e o investimento fora do sector dos recursos naturais.
A observação introduz uma dimensão estrutural na leitura dos resultados do PMI, ao distinguir a recuperação mensal das condições de actividade dos constrangimentos que continuam a limitar o crescimento económico.
A evolução favorável das encomendas, da produção e das aquisições empresariais constitui um sinal de melhoria da conjuntura, mas a contracção do emprego e o aumento dos custos indicam que a recuperação permanece desigual entre os diferentes indicadores.
Recuperação Empresarial Ainda Não Se Traduz em Expansão do Emprego
O desempenho do PMI em Outubro apresenta um quadro de recuperação da procura e de melhoria das condições operacionais das empresas, acompanhado por pressões persistentes sobre os custos e as condições de financiamento.
A subida do índice para 52,7 pontos, o crescimento das novas encomendas ao ritmo mais elevado desde Junho de 2021 e o recorde nas aquisições de meios de produção constituem sinais favoráveis no início do último trimestre de 2026.
A recuperação é, contudo, acompanhada por uma contracção do emprego, uma acumulação de encomendas pendentes e uma aceleração dos preços de aquisição, factores que evidenciam limitações à capacidade empresarial de responder ao crescimento da procura.
O contraste é particularmente evidente nas expectativas empresariais. Enquanto mais de três quartos das empresas antecipam um aumento da produção nos próximos 12 meses, as decisões de contratação continuam condicionadas pela disponibilidade financeira.
A avaliação do Standard Bank aponta igualmente para a persistência de dificuldades relacionadas com o espaço fiscal, a liquidez cambial e o financiamento à economia, que restringem a capacidade de investimento fora dos sectores associados aos recursos naturais.
Os próximos resultados do PMI permitirão avaliar se a aceleração das novas encomendas e das aquisições observada em Outubro se traduz numa expansão mais sustentada da produção e numa recuperação do emprego, ou se as pressões sobre os custos e as restrições financeiras continuarão a limitar a actividade empresarial.
Fonte: Standard Bank Moçambique / S&P Global, PMI de Outubro de 2026, divulgado em 4 de Novembro de 2026. Inquérito realizado entre 12 e 27 de Outubro, junto de um painel de aproximadamente 400 empresas do sector privado. Citações de Fáusio Mussá extraídas do comentário económico que acompanha o relatório.














