
África emerge como potência energética global com investimentos no gás natural
O mais recente relatório “Global Voice of Gas”, publicado pela União Internacional do Gás (IGU), sublinha a importância crescente do gás natural no cenário energético global, com a África a desempenhar um papel cada vez mais central. O continente, que abriga algumas das maiores reservas de gás natural do mundo, está a captar a atenção de investidores internacionais, atraídos pelo seu vasto potencial energético. Moçambique, em particular, tem-se destacado como um dos principais destinos de investimento, colocando-se na vanguarda do desenvolvimento do setor de gás natural em África.
Reservas de Gás Natural: Um Tesouro Subutilizado
África possui reservas abundantes de gás natural, especialmente concentradas em países como Nigéria, Egipto, Argélia e Moçambique. No entanto, historicamente, diz o “Global Voice of Gas”, essas reservas têm sido subutilizadas, com grande parte do gás a ser exportada como GNL (Gás Natural Liquefeito) para mercados globais, em vez de ser consumida internamente. Moçambique é um exemplo notável deste potencial inexplorado. O projecto da Bacia do Rovuma, que contém vastas reservas de gás, atraiu investimentos significativos de empresas internacionais. A “Global Voice of Gas”, afirma que recente entrada da Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) neste projecto é percebida como um indicativo claro do interesse global no potencial energético moçambicano.
Infraestrutura e projetos de gás: Moçambique em destaque
A IGU adverte, no entanto, que o desenvolvimento de infraestrutura é fundamental para a exploração e o aproveitamento do gás natural em África. Cita mocambique nesse aspecto: “Moçambique tem sido um exemplo de sucesso neste campo, com investimentos substanciais em projetos de GNL. A empresa turca Karpowership, por exemplo, está a desenvolver uma planta flutuante de GNL no país, com um investimento de cerca de 1 bilião de dólares. Este projeto visa produzir entre 470 e 500 megawatts (MW) de eletricidade, com o potencial de exportação para países vizinhos. Além disso, o projeto Coral South, que já está em operação, reforça a posição de Moçambique como um dos principais produtores de GNL, com uma capacidade de produção de até 3,5 milhões de toneladas por ano (MTPA), e planos de expansão através do Coral North”.
Produção Interna de Gás: Um Movimento Crescente
A IGU observa que em toda a África, há um movimento crescente para aumentar a produção de gás natural para consumo interno, promovendo a segurança energética e impulsionando o crescimento económico local. Países como a Nigéria têm implementado estratégias para expandir a produção de gás, utilizando-o como uma fonte energética para reduzir a dependência do carvão. Na África do Sul, por exemplo, a Kinetiko Energy fez progressos significativos, alcançando uma produção de 1,2 GW de electricidade a partir de gás onshore, com planos para expandir ainda mais esta capacidade.
Exploração e Expansão: O Crescimento Sustentado
A Argélia, um dos maiores produtores de gás natural em África, continua a expandir a sua produção através de projectos como a ampliação do campo de Hassi R’Mel. A Sonatrach, empresa estatal argelina, firmou novos contratos para fornecer gás à Alemanha e está a explorar novas oportunidades para aumentar as suas exportações para a Europa. Outros países, como a Líbia e o Congo, também estão a fazer avanços significativos. A Líbia descobriu novos depósitos de gás que aumentam o potencial do país no mercado energético, enquanto o Congo se juntou aos exportadores de GNL com o seu projecto Marine XII.
Projectos de gasodutos: Conectando continentes
Entre os projectos mais ambiciosos de infraestrutura de gás em África estão os gasodutos Trans-Saariano e Nigéria-Marrocos. O gasoduto Trans-Saariano, que irá ligar a Nigéria à Argélia e ao mercado europeu, tem uma extensão planeada de 4.000 km e o potencial de transportar cerca de 30 biliões de metros cúbicos de gás natural por ano. Por sua vez, o gasoduto Nigéria-Marrocos, com um investimento estimado em 25 biliões de dólares, pretende transportar gás ao longo da costa ocidental de África até ao Marrocos e depois para a Europa, com uma decisão final de investimento prevista para Dezembro de 2024.
Investimentos estrangeiros e impacto social
O crescente interesse estrangeiro no sector de gás africano tem impulsionado o desenvolvimento económico em várias regiões. Investimentos como os da ADNOC em Moçambique e o desenvolvimento de infraestrutura de gás na África do Sul são exemplos claros dessa tendência. Estes projectos estão a criar novas oportunidades económicas, incluindo a criação de empregos e o desenvolvimento de habilidades locais. No entanto, os desafios sociais e ambientais permanecem, destacando a necessidade de garantir que as comunidades locais se beneficiem dos projetos e que os impactos ambientais sejam geridos de forma sustentável.
África no centro do Mercado Global de Gás
O relatório “Global Voice of Gas” destaca que a África está em um ponto de inflexão no que diz respeito ao desenvolvimento do sector de gás natural. Com vastas reservas, investimentos crescentes e projectos de infraestrutura em andamento, o continente tem o potencial de se tornar um jogador-chave no mercado global de gás. Moçambique, em particular, está a emergir como um centro de produção de GNL, posicionando-se para desempenhar um papel relevante na segurança energética global e no crescimento económico regional. À medida que os projectos avançam, África está a afirmar-se cada vez mais como uma potência energética no cenário mundial.
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