
África Subsaariana entre recuperação frágil e riscos de crise prolongada: Crescimento desigual, dívida elevada e riscos climáticos desafiam futuro económico
- Banco Mundial alerta para recuperação moderada da economia africana até 2027, condicionada por fragilidades institucionais, inflação persistente e fraco investimento público
- PIB regional crescerá 3,4% em 2024, 3,8% em 2025 e 4,2% em 2026;
- Países não-frágeis e sem recursos naturais apresentam melhor desempenho per capita;
- Inflação caiu de 9,3% em 2022 para 4,5% em 2024, mas ainda afeta duramente 7 economias;
- Serviço da dívida consome até 50% das receitas públicas em países de baixo rendimento;
- Conflitos, mudanças climáticas e proteccionismo comercial surgem como riscos agravantes.
A mais recente edição do Africa’s Pulse, principal relatório de acompanhamento macroeconómico da África Subsaariana publicado pelo Banco Mundial, revela uma recuperação moderada da actividade económica na região, com crescimento previsto de 3,4% em 2024 e 3,8% em 2025. No entanto, esse crescimento permanece insuficiente para reduzir significativamente a pobreza ou melhorar os indicadores de desenvolvimento humano, devido à elevada dívida, à desaceleração do investimento e ao aumento da exposição a choques externos.
Crescimento moderado e divergente
A retoma da actividade económica tem sido desigual, com economias não-frágeis e sem recursos naturais a apresentarem crescimentos per capita superiores, enquanto países ricos em recursos e com instituições frágeis continuam a registar retrocessos. Em média, o rendimento per capita em 2025 nos países frágeis será 5% inferior ao nível de 2015, contrastando com um aumento de 6% nas economias mais estáveis.
Inflação recua, mas persiste em economias vulneráveis
Apesar de sinais de desinflação generalizada, sete países da região — entre os quais Angola, Malawi, Nigéria, Sudão e Zimbábue — registam inflação superior a 30%, reflectindo choques cambiais, dependência alimentar e políticas monetárias descoordenadas. O índice médio de inflação baixou de 9,3% em 2022 para 4,5% em 2024, mas deve subir ligeiramente para 4,7% em 2026, devido ao impacto de tarifas e riscos climáticos.
Dívida pública em níveis críticos
A dívida pública na África Subsaariana atinge 63,2% do PIB, valor semelhante ao período pré-Iniciativa HIPC. O serviço da dívida pública em países de baixo rendimento representa 50% das receitas públicas, limitando o investimento em saúde, educação e infra-estruturas. O número de países em situação de “risco elevado” ou “em distress” duplicou desde 2012, afectando 52% da região.
Investimento público e produtividade estagnados
Entre 2010 e 2014, o investimento crescia a 7,2% ao ano. Hoje, o crescimento anual médio do investimento fixo bruto é de apenas 0,2% (2022–2024). A estagnação afecta particularmente os países exportadores de recursos, com taxas de investimento inferiores a 1% ao ano, muito abaixo das necessidades de diversificação e industrialização.
Riscos sistémicos no horizonte
O relatório destaca riscos como:
- Aumento do proteccionismo e fragmentação comercial global;
- Conflitos prolongados no Médio Oriente e África Central;
- Desastres climáticos frequentes com impacto directo na segurança alimentar;
- Possível reaceleração inflacionária via serviços e cadeias logísticas.
O panorama traçado pelo Africa’s Pulse é inequívoco: a retoma económica da região está em curso, mas a sua qualidade e sustentabilidade estão sob ameaça constante. A desigualdade entre países que reformam e os que persistem num modelo extrativista sem governação eficaz acentua-se.
A dívida elevada, a volatilidade inflacionária e o investimento público abaixo do necessário são sintomas de um modelo económico frágil, pouco resiliente e vulnerável a choques externos. A janela de oportunidade que se abriu com o alívio da inflação e a retoma global pode fechar-se rapidamente, caso não se realizem reformas de governação, gestão fiscal e reforço institucional.
Para Moçambique e países com perfis semelhantes, a prioridade deverá ser expandir a base fiscal, melhorar a transparência orçamental e investir em sectores produtivos com alto impacto social, como agricultura, energia e digitalização. O tempo para reformas é agora — e o custo da inação será medido em décadas perdidas.
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