
Após Duas Semanas de Corte e Reacende Alertas Sobre o Custo Económico da Fragilidade das Infra-estruturas
Reposição provisória da transitabilidade no troço 3 de Fevereiro–Incoluane restabelece a ligação Maputo–Gaza, mas expõe fragilidades estruturais com impactos severos no abastecimento, na logística e na actividade económica.
- Interrupção da EN1 revelou o elevado custo económico da vulnerabilidade das infra-estruturas rodoviárias;
- Reabertura alivia a pressão logística no sul do país, mas não resolve fragilidades estruturais;
- Cheias provocaram impactos directos no abastecimento, nos preços e na mobilidade de pessoas e mercadorias;
- Mais de 1.300 quilómetros de estradas foram afectados a nível nacional;
- Reabilitação rodoviária exigirá investimentos elevados num contexto de restrições orçamentais.
Reabertura Restaura Ligação Estratégica Entre Maputo e Gaza
A Estrada Nacional Número Um (EN1), principal eixo rodoviário e logístico de Moçambique, começou a ser reaberta ao tráfego esta sexta-feira, após quase duas semanas de interrupção provocada pelas cheias intensas que afectaram o sul do país.
O corte, registado no troço entre 3 de Fevereiro e Incoluane, na província de Maputo, interrompeu a ligação rodoviária entre Maputo e Gaza, expondo fragilidades estruturais críticas numa das infra-estruturas mais estratégicas para o funcionamento da economia nacional.
Durante o período de intransitabilidade, a EN1 esteve cortada em seis pontos críticos, comprometendo o fluxo regular de mercadorias, o transporte de passageiros e o abastecimento dos principais mercados urbanos.
Impactos no Abastecimento e Pressão Sobre os Preços
Os efeitos do corte foram imediatos nos mercados. Registou-se escassez de produtos alimentares, sobretudo hortícolas, nos mercados grossistas e informais da cidade de Maputo, acompanhada por subidas de preços resultantes do aumento dos custos logísticos.
Transportadores e passageiros acumularam prejuízos financeiros devido aos atrasos e desvios forçados, enquanto produtores agrícolas da província de Gaza enfrentaram dificuldades acrescidas no escoamento da produção, com impacto directo na renda rural e na oferta alimentar.
Obras de Emergência Garantem Transitabilidade Provisória
Para restabelecer a circulação, a Administração Nacional de Estradas (ANE) executou obras de emergência nos pontos mais afectados, com particular incidência na zona de 3 de Fevereiro, considerada estruturalmente vulnerável.
Os trabalhos incluíram o enchimento e compactação dos cortes provocados pela força das águas, bem como a regularização da plataforma rodoviária e dos taludes laterais, permitindo a reposição provisória da transitabilidade para viaturas ligeiras e pesadas.
As autoridades reconhecem, contudo, que se trata de uma solução temporária, ainda exposta a riscos significativos em caso de novas chuvas intensas, enquanto não forem executadas intervenções estruturais definitivas.
Rotas Alternativas Mitigaram Impactos, Mas a Custos Elevados
Durante o corte da EN1, o Governo activou rotas alternativas para garantir a circulação de pessoas e bens. Entre as principais medidas destacou-se o reforço do transporte ferroviário pelos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), com comboios especiais entre Maputo e zonas da província de Gaza.
Foram igualmente realizadas operações logísticas extraordinárias para o transporte de bens essenciais e, de forma pontual, foi accionada a cabotagem marítima para apoio ao abastecimento. Estas soluções mitigaram parcialmente os impactos, mas não substituíram a capacidade logística, a rapidez e a escala da EN1, mantendo elevados os custos de transporte.
Danos Rodoviários Agravam Pressão Sobre as Finanças Públicas
Até ao momento, não foram divulgados valores específicos relativos aos custos das obras de emergência no troço 3 de Fevereiro–Incoluane. Ainda assim, estimativas governamentais indicam que os danos globais causados pelas cheias nas infra-estruturas rodoviárias exigirão cerca de 644 milhões de dólares para reabilitação.
No total, mais de 1.300 quilómetros de estradas foram afectados em diferentes regiões do país, agravando a pressão sobre as finanças públicas num contexto já marcado por limitações orçamentais e crescente exposição aos riscos climáticos.
Especialistas defendem que a reabilitação estrutural da EN1 exigirá investimentos adicionais de vários milhões de dólares, incluindo o reforço dos sistemas de drenagem, elevação da plataforma rodoviária e construção de obras hidráulicas permanentes.
Alívio Logístico Imediato, Vulnerabilidade Estrutural Persistente
Com a reabertura gradual da EN1, espera-se a normalização progressiva do abastecimento dos mercados, a redução dos custos logísticos e da pressão sobre os preços, bem como a retoma da mobilidade interprovincial no sul do país.
Ainda assim, o episódio reacende o debate sobre a necessidade de investimentos estruturais em infra-estruturas resilientes às mudanças climáticas, sob pena de Moçambique continuar a enfrentar interrupções recorrentes com elevados custos económicos e sociais.
A estrada volta a ligar o país, mas a vulnerabilidade permanece — e o custo da inércia poderá ser ainda mais elevado no futuro.
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