
Banco Mundial alerta: número de países em risco de sobre-endividamento duplicou desde 2014
- Cerca de metade dos países emergentes e em desenvolvimento já enfrenta dificuldades de serviço da dívida;
- Níveis de serviço da dívida atingem 12% do PIB em mercados emergentes e 20% nos países mais pobres;
- Crescimento do comércio global projectado em apenas 1,5%, muito abaixo dos níveis históricos;
- Investimento estrangeiro directo caiu para 1% do PIB nos emergentes, contra 5% nas “boas épocas”;
- Banco Mundial recomenda redução de tarifas como instrumento imediato para impulsionar o crescimento.
O Banco Mundial soou o alarme sobre o agravamento do sobre-endividamento em mercados emergentes, com o número de países em risco de incumprimento a duplicar desde 2014. O impacto das novas tarifas comerciais e a desaceleração global acentuam a vulnerabilidade financeira, exigindo respostas urgentes para evitar uma crise sistémica.
Num momento em que os mercados globais enfrentam múltiplas fontes de pressão, o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill, alertou que o número de mercados emergentes em situação de stresse de dívida ou próximo dela duplicou em comparação com 2014.
Em declarações à agência Reuters, Gill sublinhou que 50% dos cerca de 150 países em desenvolvimento estão actualmente incapazes ou em risco elevado de incumprimento dos seus pagamentos de dívida. Esta tendência, agravada pelo ambiente de elevadas taxas de juro globais e pela recente vaga de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos, representa uma ameaça séria à estabilidade económica mundial.
“Se o crescimento global desacelera, o comércio abranda, e as taxas de juro se mantêm elevadas, muitos destes países entrarão em dificuldades de dívida”, advertiu Gill.
Deterioração generalizada nas condições económicas
Comparativamente ao período de estabilidade que antecedeu a crise financeira global, o actual choque económico tem uma natureza peculiar: é gerado por políticas governamentais, nomeadamente tarifas comerciais, e não por falhas endógenas dos mercados financeiros, tornando-o, teoricamente, reversível.
Ainda assim, os números são preocupantes:
- O serviço da dívida (pagamento de juros em relação ao PIB) atingiu 12% nos mercados emergentes, em comparação com 7% em 2014;
- Nos países mais pobres, o rácio é ainda mais grave, com 20% do PIB dedicado exclusivamente ao pagamento de juros;
- O investimento estrangeiro directo (FDI) caiu para 1% do PIB nos emergentes, contra 5% nas décadas anteriores.
Gill comparou o actual cenário ao dos anos 1990 em termos de peso da dívida e dos fluxos financeiros, mas alertou que o risco agora é mais sistémico devido à extensão global dos choques comerciais e à fragilidade institucional de muitos dos países afectados.
Crescimento do comércio em mínimos históricos
As perspectivas para o comércio global também são sombrias. De acordo com Gill:
“O comércio global deverá crescer apenas 1,5% — muito abaixo dos níveis de 8% observados nos anos 2000.”
Esta desaceleração abrupta, impulsionada pela onda de tarifas dos EUA e pela consequente resposta retaliatória de parceiros como a China, União Europeia e Canadá, agrava a situação financeira dos países emergentes ao reduzir as suas receitas de exportação e limitar o acesso a divisas.
Soluções propostas: liberalização comercial urgente
Perante este cenário, o Banco Mundial recomenda que os países em desenvolvimento negociem urgentemente acordos de redução de tarifas com os EUA e outros grandes mercados.
Gill salientou que:
“A redução das tarifas agora pode impulsionar o crescimento substancialmente. É uma estratégia que faz sentido num contexto de alta pressão, aproveitando para remover resistências internas.”
Modelagens internas do Banco Mundial indicam que uma redução coordenada de tarifas pode oferecer um estímulo económico significativo, ajudando a inverter parte da deterioração das contas externas e a reduzir os riscos de crise de dívida.
Com a combinação de crescimento fraco, fluxos financeiros em declínio e serviço da dívida em níveis alarmantes, os mercados emergentes enfrentam um risco crescente de crises em cascata.
A mensagem do Banco Mundial é clara: sem reformas comerciais rápidas e iniciativas coordenadas para aliviar o peso da dívida, o mundo poderá assistir a uma nova vaga de crises financeiras, desta vez centradas nos países mais vulneráveis.
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