BNI: Política monetária restritiva condicionou carteira de crédito

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  • O Banco financiou um conjunto de projectos de investimento no montante global de MT 415,46 milhões;
  • A carteira de crédito apresentou maior nível de concentração no financiamento ao sector da indústria, com peso de 46%.

O BNI viu a sua carteira de crédito, cair 23% no primeiro semestre do ano, ao sair de MT 6.013,39 milhões em Dezembro de 2022 para MT 4.633,84 milhões em Junho de 2023, essencialmente, pela diminuição da carteira de crédito em moeda nacional em 28%.

O banco público de desenvolvimento justifica a queda, pela “redução do volume de desembolsos em resultado da política monetária restritiva adoptada pelo Banco de Moçambique, como resposta da pressão inflacionária, tendo o efeito da elevação das taxas de juro levado à redução de projectos de investimento sustentáveis”.

Nesse contexto, o Banco diz que “adoptou uma postura cautelosa na selecção de dossiers de crédito, baseada num rigoroso processo de avaliação de risco de crédito”, a “liquidação de duas operações de crédito de valores expressivos que representavam no seu todo cerca de 20% do total da carteira de crédito”.

No período em apreço, o Banco financiou um conjunto de projectos de investimento no montante global de MT 415,46 milhões relativamente acima do nível de desembolso de MT 356,86 milhões observado em igual período de 2022, tendo 56% dos desembolsos alocados para projectos de operações de fomento, processamento e exportação de produtos agrícolas.

Com efeito, a carteira de crédito do Banco apresentou maior nível de concentração no financiamento ao sector da indústria, com peso de 46% (Dezembro de 2022: 41%), tendo desta proporção, 87% incidido sobre a indústria alimentar. As operações com maturidade de longo prazo representam um peso de 53% (Dezembro de 2022: 39%).

Segundo o BNI, ‘a qualidade da carteira de crédito registou alguma deterioração reflectindo o contexto do agravamento do risco de crédito na economia, em consequência da conjuntura macroeconómica pouco favorável, estando parte dos tomadores de créditos a  não gerarem fluxos de caixas suficientes para honrar com o serviço da dívida”.

“Este quadro é agravado pelo cenário da taxa de juro mais altas, que obriga os agentes económicos com situação financeira já precária, a fazer um esforço acrescido para fazer face ao serviço da dívida”, diz o BNI.

Passivo e Capitais Próprios

O passivo do Banco situou-se em MT 8.136,00 milhões, representando uma evolução de 8% (+ 628,96 milhões) comparado ao montante de MT 7.507,03 milhões registados em Dezembro de 2022, uma evolução que deriva, essencialmente, do aumento dos recursos consignados em MT 816,26 milhões e do incremento dos recursos de clientes em MT 579,10 milhões.

“A evolução destas rubricas do balanço permitiu minimizar o impacto do vencimento das Obrigações BNI Covid-19, no valor de MT 600,0 milhões e da redução dos recursos de instituições financeiras em MT 206,19 milhões, tendo a redução desta rubrica se justificado pelas prestações de serviços de dívida sobre os recursos de instituições financeiras de desenvolvimento”. Clarifica o BNI.

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