BOTSUANA PRETENDE ADQUIRIR PARTICIPAÇÃO MAIORITÁRIA NA DE BEERS

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Presidente Duma Boko confirma que o país iniciou negociações para adquirir a totalidade da participação da Anglo American, num movimento estratégico para reforçar o controlo nacional sobre o sector diamantífero

Questões-Chave:
  • O Presidente de Botswana, Duma Boko, anunciou que o país está a dar “passos concretos” para adquirir a participação da Anglo American na De Beers, empresa que detém 85 % do capital da gigante diamantífera;
  • Botswana possui actualmente 15 % das acções da De Beers, mas é responsável por 70 % da produção anual de diamantes em bruto da companhia;
  • A decisão surge após Angola ter anunciado uma oferta concorrente para adquirir controlo sobre a mesma empresa, criando tensões diplomáticas potenciais entre os dois produtores africanos;
  • A Anglo American avalia a De Beers em cerca de 4,9 mil milhões de dólares e pretende alienar a sua participação para concentrar-se em metais ligados à transição energética, como o cobre;
  • O governo de Gaborone considera a De Beers um activo estratégico nacional e pretende reforçar o papel do Estado na cadeia de valor diamantífera.

O Presidente de Botswana, Duma Boko, revelou esta segunda-feira que o seu governo está a trabalhar na aquisição de uma participação maioritária na De Beers, consolidando o controlo nacional sobre a principal fonte de receitas do país.
A decisão ocorre num momento em que Angola também manifestou interesse em adquirir a mesma empresa, elevando a tensão em torno do futuro da mais emblemática produtora de diamantes do mundo.

Botswana Reforça Controlo Sobre o Coração da Sua Economia

Durante o seu Discurso sobre o Estado da Nação, em Gaborone, Duma Boko afirmou que estão “em curso passos concretos” para a aquisição das acções da Anglo American na De Beers, sem, contudo, revelar detalhes sobre o modelo de financiamento ou o calendário da operação.

“Apesar da necessidade de diversificar a economia, os diamantes continuarão a ser um pilar do crescimento nacional”, sublinhou o chefe de Estado.

A De Beers, criada em 1888 e actualmente avaliada em 4,9 mil milhões de dólares, é responsável por cerca de um terço da produção mundial de diamantes em bruto. Botswana, através da sua parceria com a companhia, extrai aproximadamente 70 % da produção total anual do grupo.

O país procura agora transformar essa força produtiva em controlo accionista, reduzindo a dependência de multinacionais estrangeiras e aumentando a retenção de valor no território nacional.

Competição Africana Pelo Controlo da De Beers

A intenção de Botswana foi anunciada poucos dias depois de Angola ter tornado público o seu interesse em adquirir uma posição de controlo na De Beers, desencadeando especulações sobre uma possível disputa entre os dois principais produtores de diamantes de África.

Os ministros da Mineração de ambos os países reuniram-se a 7 de Novembro, em Gaborone, para discutir a situação. Embora as autoridades tenham evitado comentar publicamente os detalhes, fontes oficiais angolanas confirmaram que foram debatidas possibilidades de cooperação e aquisição de participações.

Até agora, nenhuma das partes revelou qual a percentagem de acções que pretende adquirir ou as condições da operação, mas a imprensa internacional indica que Botswana goza de vantagem estratégica, por ser parceiro de longa data e principal fonte de produção da De Beers.

Anglo American Redefine Estratégia e Aposta no Cobre

A Anglo American, conglomerado mineiro britânico, anunciou em Maio de 2025 a intenção de vender a totalidade da sua participação de 85 % na De Beers, como parte de uma reorientação estratégica para o sector dos metais associados à energia limpa, nomeadamente cobre, níquel e lítio.

O grupo enfrenta pressões dos accionistas para reduzir a exposição a activos voláteis, após a queda de cerca de 25 % nos preços internacionais dos diamantes em 2024, provocada por uma procura global mais fraca e aumento da oferta proveniente da Índia e da Rússia.

Para Botswana, esta decisão representa uma janela de oportunidade histórica para reequilibrar a relação com a De Beers e reforçar o papel do Estado numa indústria que responde por mais de 30 % do PIB e 80 % das exportações do país.

Equilíbrio Entre Estratégia e Risco

Analistas do mercado mineiro consideram que o plano de Gaborone pode redefinir o mapa da indústria diamantífera global, mas alertam para os desafios de financiamento e gestão que acompanham uma operação de tal envergadura.
A aquisição exigirá capital substancial e garantias financeiras robustas, podendo implicar a criação de um consórcio público-privado ou o recurso a fundos soberanos e parceiros multilaterais.

A longo prazo, o controlo maioritário de Botswana na De Beers poderá aumentar a influência africana sobre o mercado global de diamantes, promovendo maior autonomia industrial e valor acrescentado local, mas também maiores responsabilidades na gestão do mercado e na manutenção da estabilidade dos preços.

Com a De Beers a atravessar um dos períodos mais críticos da sua história e a Anglo American a reorientar-se para a transição energética, Botswana posiciona-se para assumir o comando de um activo central da sua economia e do mercado global de diamantes.
Se concretizada, a operação marcará um ponto de viragem histórico na indústria mineira africana, simbolizando a ascensão de um modelo de soberania económica sobre os recursos naturais do continente.

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