• Presidente do Botswana criticou acordos anteriores;
  • Comerciante estatal de diamantes obtém maior fatia da produção.

A De Beers concordou em entregar mais diamantes ao Governo do Botswana, enfraquecendo ainda mais o domínio do monopólio no mercado global de gemas, em negociações que foram concluídas assim que o último prazo para um acordo expirou.

O acordo entre o gigante das jóias e o segundo maior produtor mundial é crucial para ambos os lados e desempenha um papel central na cadeia global de fornecimento de diamantes.

O Presidente Mokgweetsi Masisi tem sido crítico dos acordos anteriores que prevalecem há sensivelmente 54 anos e ameaçou não renovar se o mesmo não proporcionasse mais benefícios ao seu País, incluindo uma disposição para que Botswana recebesse uma alocação maior das gemas produzidas, o que acabou conseguindo mesmo no limite do prazo.

De acordo com os novos termos, a empresa estatal de diamantes do Botswana receberá 30% da produção da Debswana, a unidade da De Beers que geralmente representa cerca de dois terços da produção anual do Grupo. O Governo disse que também há um acordo – ainda provisório nesta fase – para que essa parcela eventualmente aumente para até 50%.

Embora seja um alívio para a De Beers assinar finalmente um acordo por mais uma década, enfraquece ainda mais a posição da empresa no mercado, uma vez que mais diamantes serão vendidos por terceiros.

A De Beers e a sua concorrente russa Alrosa PJSC dominam a oferta mundial de diamantes há anos e estão dispostas a reter a oferta quando a procura ou os preços enfraquecem.

“Vamos levá-lo pouco a pouco, porque se fizermos tudo de uma vez sem um plano adequado sobre como vender os diamantes, o preço no mercado cairia”, disse na TV estatal Basta Emma Peloetlets, Secretária Permanente do Presidente do Botswan. “Mas dissemos a nós mesmos que não passaremos de dez anos sem chegar a esses 50%.” Acrescentou

A Okavango Diamond Company do Botswana recebe actualmente 25% da produção de Debswana. O acordo com a De Beers também inclui novas licenças de mineração de 25 anos para a Debswana.

A De Beers, uma unidade da Anglo American Plc, vinha negociando com o Governo de Botswana um novo acordo em substituição do que vigorava desde 2018. O acordo anterior expirou em 2020, mas foi prorrogado várias vezes, inicialmente por causa da pandemia.

As negociações foram prolongadas, uma vez que as duas partes não conseguiram chegar a acordo sobre a quantidade da oferta que o Botswana deveria receber. Também surgiram tensões sobre o papel do comerciante belga de joias HB Antwerp, que estabeleceu uma relação estreita com o Governo. No início deste ano, Botswana disse que detinha uma participação de 24% na empresa, sem revelar quanto pagou por essa quota.

Nos termos do entendimento de última hora alcançado, enquanto os parceiros finalizam os acordos formais de venda e mineração, um acordo provisório preservará os termos do contrato de venda mais recente, que expirou na sexta-feira, 30/06.

“O novo acordo transformacional entre o Botswana e a De Beers reflecte as aspirações do povo do Botswana, impulsiona tanto o Botswana como a De Beers e sustenta o futuro da sua joint venture Debswana através de investimento a longo prazo”, afirmaram as duas partes no em comunicado.

O sector de mineração representa cerca de 35% do PIB do Botswana Estima-se o PIB é de US$ 17,8 mil milhões), com os diamantes contribuindo com cerca de 94% da participação total da mineração no PIB, Botswana produz as maiores gemas de diamantes do mundo, com uma produção que representa cerca de 40% da produção mundial total.

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