Chapo Convoca Moçambique Para a “Segunda Independência” Económica

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  • Nas celebrações dos 51 anos da Independência Nacional, o Presidente da República defendeu uma nova etapa centrada na produção, produtividade, industrialização, integridade pública e unidade nacional, sustentando que a liberdade política deve agora converter-se em prosperidade concreta para todos os moçambicanos.
Questões-Chave:
  • O Presidente Daniel Chapo defendeu que a independência política, embora indispensável, não basta para assegurar soberania e prosperidade sustentáveis;
  • A “segunda independência” é apresentada como uma agenda de produção, produtividade, disciplina, patriotismo e nacionalismo económico;
  • A industrialização, a valorização dos recursos naturais, a criação de emprego e o aumento das exportações são colocados no centro da nova ambição nacional;
  • O Chefe do Estado associou o desenvolvimento à paz, à unidade nacional, à integridade pública e ao combate à corrupção;
  • A juventude é chamada a liderar a conquista da independência económica e tecnológica do País.

O Presidente da República, Daniel Chapo, utilizou as celebrações dos 51 anos da Independência Nacional para lançar uma convocação de alcance histórico: a de transformar a liberdade política conquistada a 25 de Junho de 1975 numa independência económica capaz de gerar prosperidade efectiva, emprego, produção e bem-estar para todos os moçambicanos.

Na intervenção proferida em Maputo, o Chefe do Estado sustentou que a soberania política, embora seja a base incontornável da Nação, não pode ser entendida como ponto de chegada. “Nenhuma nação se torna verdadeiramente soberana, independente e livre se depender eternamente da renda, riqueza e apoio produzidos por outras nações”, afirmou, defendendo que Moçambique deve reduzir a dependência de importações, aumentar a sua capacidade produtiva e reforçar a geração de divisas através das exportações.

A mensagem presidencial coloca o 25 de Junho não apenas como data de memória, reconhecimento e celebração dos combatentes da libertação, mas como plataforma de reflexão sobre o que deve ser a próxima grande tarefa nacional: converter os recursos, a energia, a terra, a localização geográfica e, sobretudo, o talento do povo moçambicano em desenvolvimento inclusivo.

Produção e Produtividade Como Nova Frente Nacional

O centro da intervenção presidencial foi a ideia de uma “segunda independência”. Segundo Daniel Chapo, essa nova fronteira histórica chama-se “produção e produtividade”, mas também trabalho árduo, disciplina, patriotismo e nacionalismo económico.

A formulação é particularmente relevante porque desloca o debate sobre desenvolvimento para a capacidade concreta de produzir. Produzir alimentos para o mercado interno, reduzir a dependência externa, transformar matérias-primas, criar emprego para jovens e mulheres, aumentar exportações e construir empresas nacionais mais competitivas passam a integrar uma mesma agenda de soberania económica.

O Presidente defendeu que Moçambique deve “produzir mais alimentos”, industrializar a economia, valorizar os recursos naturais e transformar o potencial das suas áreas estratégicas em bem-estar para a população. Neste ponto, referiu-se igualmente à nova Lei sobre Minas, Petróleo, Gás e Indústria Extractiva como parte do esforço de valorização nacional dos recursos.

A visão apresentada sugere que a riqueza nacional não pode continuar a ser medida apenas pela dimensão das reservas existentes no subsolo, nas bacias hidrográficas, nos mares ou nas terras aráveis. A riqueza só se torna desenvolvimento quando se traduz em cadeias de valor, conhecimento, empresas, empregos, receitas públicas, infra-estruturas e melhoria efectiva das condições de vida.

Prosperidade Não Pode Ser Um Benefício Restrito

A mensagem do Chefe do Estado foi também uma advertência contra uma economia de crescimento sem inclusão. Ao defender que a liberdade conquistada pelos combatentes deve transformar-se em “prosperidade concreta para todo o povo moçambicano”, Daniel Chapo colocou a distribuição dos benefícios do desenvolvimento no centro do projecto nacional.

Esta é uma questão decisiva para Moçambique. O País tem activos económicos de grande escala: reservas de gás natural, potencial hidroeléctrico, recursos minerais, uma extensa costa, corredores logísticos estratégicos, terras agrícolas e uma população jovem. Mas estes activos só poderão tornar-se uma base de prosperidade partilhada se forem ligados à economia real, às pequenas e médias empresas, à formação profissional, à agricultura comercial, à indústria transformadora e à criação de oportunidades nos diferentes territórios nacionais.

A ambição de uma prosperidade para todos implica, por isso, ultrapassar a lógica de enclaves económicos. Grandes investimentos podem gerar receitas, exportações e infra-estruturas, mas o seu impacto social e económico será limitado se não forem acompanhados por conteúdo local, fornecedores nacionais, emprego qualificado, transferência de competências, investimento territorial e capacidade de transformação interna.

A independência económica será tanto mais sólida quanto mais o camponês puder produzir e vender melhor, quanto mais a pequena empresa puder financiar-se e crescer, quanto mais os jovens encontrarem oportunidades de trabalho digno e quanto mais os recursos nacionais gerarem valor dentro do País.

Integridade Pública Como Condição de Desenvolvimento

O discurso presidencial não separou a agenda económica da ética pública. Daniel Chapo afirmou que a independência económica exige integridade, responsabilidade colectiva, competência e mérito, apelando ao combate firme contra a corrupção, o desvio de recursos públicos e a indiferença perante o sofrimento colectivo.

A ligação é directa. Nenhuma estratégia de industrialização, investimento público ou valorização de recursos poderá produzir resultados duradouros se os recursos forem desviados, os contratos forem opacos ou as instituições forem incapazes de proteger o interesse público.

A corrupção não representa apenas uma falha moral ou legal. Ela aumenta o custo dos investimentos, destrói a concorrência saudável, reduz a confiança dos cidadãos, enfraquece a qualidade dos serviços públicos e limita a capacidade do Estado financiar infra-estruturas e políticas sociais.

Por isso, quando o Presidente apela para que honestidade, integridade, patriotismo, competência e responsabilidade se tornem valores inegociáveis, está a colocar a qualidade institucional como condição indispensável para a transformação económica.

Moçambique necessita de um Estado capaz de mobilizar receitas, planear, regular, fiscalizar e investir com eficácia. Mas precisa, igualmente, de um ambiente em que os empresários possam investir com previsibilidade, os trabalhadores possam crescer pelo mérito e os cidadãos tenham confiança de que os recursos da Nação são administrados em favor do bem comum.

Paz, Segurança e Diálogo Como Infra-Estruturas Invisíveis

A mensagem de 25 de Junho sublinhou ainda que não existe desenvolvimento sustentável sem paz, estabilidade e harmonia social. Daniel Chapo foi explícito: não há investimento, emprego, crescimento ou prosperidade onde prevalecem o medo, a insegurança e a instabilidade.

Esta leitura ganha peso num momento em que Moçambique continua a enfrentar desafios de segurança em Cabo Delgado. O Presidente homenageou os homens e mulheres que combatem o terrorismo e reafirmou que a defesa da soberania e da integridade territorial é inseparável da construção do desenvolvimento.

Mas a paz, no entendimento apresentado, não se limita à dimensão militar ou territorial. Inclui igualmente reconciliação, tolerância, convivência democrática, diálogo entre diferentes sectores da sociedade e participação cidadã na construção de consensos nacionais.

O Presidente destacou a agenda do Diálogo Nacional Inclusivo como um espaço de convergência de interesses e de construção de soluções partilhadas. A sua relevância é económica, além de política: países divididos, imprevisíveis ou permanentemente polarizados tendem a afastar investimento, reduzir a confiança e desperdiçar recursos que deveriam estar concentrados na produção e na melhoria das condições de vida.

Juventude Deve Conquistar a Independência Económica e Tecnológica

Um dos segmentos mais marcantes da intervenção foi dirigido à juventude. Daniel Chapo afirmou que à geração actual cabe conquistar a independência económica e tecnológica de Moçambique, aumentando as exportações e reduzindo as importações.

A mensagem é uma chamada à responsabilidade, mas também uma definição de prioridade pública. Num país com uma população maioritariamente jovem, o futuro económico dependerá da capacidade de transformar a juventude em força produtiva, técnica, inovadora e empreendedora.

Isso exige uma aposta séria na educação, na formação técnico-profissional, na ciência, na tecnologia, na agricultura moderna, no empreendedorismo e na inovação. Não basta pedir aos jovens que trabalhem mais; é preciso que o País crie condições para que possam estudar, criar empresas, aceder a financiamento, desenvolver competências e participar em sectores de maior valor acrescentado.

A independência tecnológica, em particular, torna-se cada vez mais relevante num mundo em que produtividade, comércio, logística, serviços financeiros, agricultura e indústria dependem crescentemente de soluções digitais, conhecimento técnico e capacidade de inovação.

A Maior Riqueza Está no Povo

O Presidente procurou também recentrar o debate sobre a riqueza nacional. “A maior riqueza de Moçambique não está apenas no subsolo, nem nos rios, nem nos mares: a maior riqueza de Moçambique é o povo moçambicano”, afirmou.

É uma ideia que merece ser levada a sério no plano económico. Recursos naturais podem esgotar-se, os preços internacionais podem cair e os ciclos de investimento podem mudar. Mas uma população educada, saudável, empreendedora, produtiva e unida é o activo mais duradouro de qualquer Nação.

A mulher que sustenta a família, o agricultor que continua a produzir apesar da seca ou das cheias, o jovem que inova, o professor, o profissional de saúde, o empresário, o trabalhador, o agente público e o líder comunitário são, na visão presidencial, os verdadeiros construtores da prosperidade nacional.

A afirmação desloca a independência económica do domínio exclusivo do Governo, dos grandes investidores ou das instituições financeiras. O desenvolvimento, como sublinhou Daniel Chapo, será construído por todos: trabalhadores, camponeses, empresários, jovens, mulheres, professores, profissionais de saúde, forças de defesa e segurança, líderes religiosos, artistas e cidadãos em geral.

Um Pacto Nacional Para a Próxima Etapa

Aos 51 anos de Independência, a questão que se coloca a Moçambique não é apenas como crescer, mas que tipo de crescimento quer construir. Um crescimento baseado na simples exportação de recursos ou um crescimento capaz de ampliar a produção nacional, diversificar a economia, gerar emprego, reduzir desigualdades e criar prosperidade mais ampla.

A resposta defendida pelo Presidente assenta num pacto nacional de trabalho, unidade, responsabilidade e patriotismo. Um pacto que exige políticas públicas mais eficazes, instituições mais íntegras, empresas mais competitivas, cidadãos mais participativos e uma cultura colectiva orientada para a produção.

A independência política deu a Moçambique o direito de decidir o seu próprio destino. A independência económica exigirá que o País converta esse direito em capacidade material: produzir mais, transformar melhor, exportar com maior valor, formar cidadãos mais qualificados, criar emprego e assegurar que a riqueza nacional seja sentida na vida das famílias.

Essa é a nova promessa inscrita no 25 de Junho: fazer da liberdade uma plataforma de prosperidade, da unidade uma força produtiva e da riqueza nacional um património efectivamente partilhado por todos.