
China compromete-se, na cimeira dos BRICS, apoiar a industrialização de África
O Presidente chinês Xi Jinping disse aos líderes africanos, numa reunião à margem da cimeira dos BRICS, que a China vai lançar iniciativas para apoiar a industrialização e a modernização agrícola de África.
“A China irá aproveitar melhor os seus recursos para a cooperação com África e iniciativas de empresas para apoiar África no crescimento do seu sector industrial e na realização da industrialização e diversificação económica”, disse Xi sem fornecer detalhes.
A promessa de Xi foi feita no final da Cimeira dos BRICS, durante uma reunião com dirigentes e ministros da União Africana e de 11 países africanos, incluindo a Líbia, a Nigéria, o Senegal e a Zâmbia.
Os membros dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – concordaram na quinta-feira, Agosto, em admitir seis novos países, incluindo o Egipto e a Etiópia.
O principal diplomata chinês para África, Wu Peng, disse esta semana que os países africanos queriam que a China mudasse o seu foco da construção de infra-estruturas no continente para a industrialização local.
A agência noticiosa oficial chinesa Xinhua disse que o País iria expandir a escala dos produtos agrícolas africanos exportados para a China e procurar ajudar África a alcançar a autossuficiência alimentar.
Alguns analistas referem que o financiamento da China para infra-estruturas já diminuiu.
“Se os líderes africanos estão a pressionar a China para que o financiamento de projectos de infra-estruturas diminua, estão a pressionar uma porta aberta”, disse Brad Parks, Diretor do AidData, um laboratório de investigação da universidade norte-americana William & Mary que acompanha os empréstimos e subvenções chineses no estrangeiro.
“Em 2009, a China concedeu subvenções e empréstimos no valor de 88 mil milhões de dólares para apoiar projectos de infra-estruturas em África. No entanto, em 2021, os seus compromissos de subvenções e empréstimos para projectos de infra-estruturas em África ascenderam a apenas 24 mil milhões de dólares”, disse Parks.
David Monyae, Diretor do Centro de Estudos China-África da Universidade de Joanesburgo, afirmou que, com o excesso de capacidade na China, faz sentido que as empresas transfiram as fábricas para África, acrescentando que muitas já estão a ter bons resultados em zonas industriais na Etiópia e no Quénia.
“Estão a avançar rapidamente, estão prontos, têm o capital e as competências. De qualquer forma, são os primeiros a avançar”, afirmou.
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