COVID-19 expõe e agrava dificuldades de acesso ao crédito pelas PME´s

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O actual contexto da crise veio descortinar sem piedade a gravidade do problema de acesso ao crédito pela grande maioria das  pequenas e médias empresas moçambicanas, que se vêm limitadas, em se constituírem elegíveis aos pacotes de financiamento que vêm sendo anunciadas, no contexto do apoio à este segmento para enfrentar e sobreviver aos tempos difíceis que a economia atravessa.

O economista e pesquisador, Egas Daniel referiu que o actual o contexto da crise veio agudizar as fragilidades das pequenas e médias empresas:  “ Se nós assumirmos que a maior parte das empresas são de pequena e média dimensão, e as suas características são de pouca robustez, e que  o contexto actual precisa que elas acedam ao crédito para sobreviverem , na verdade, paradoxalmente, o contexto da crise limita a possibilidade dessas empresas poderem candidatarem-se ao crédito, porque não vão apresentar condições necessárias para poderem aceder ao crédito”, apontou Daniel.

O actual contexto de crise impede que as empresas assegurem um risco moderado quando elas  vão ao banco pedir financiamento, o que é penalizado ou pela taxa de juro ou pela vedação no acesso ao crédito. Tendo em atenção este facto, Egas Daniel sugere a implementação de medidas de partilha de risco pelo Estado. “ Se nós conseguimos assegurar que quando a empresa em estado de crise não é elegível perante os bancos comerciais para aceder ao crédito, o Estado deve comparticipar em termos de percentagem de risco que o banco comercial assume ao ceder crédito para uma empresa, então teremos maior incentivo para os  bancos comerciais concederem crédito às empresas para elas se recuperarem do contexto dessa crise”, observou Daniel.

 

Garantias móveis podem ajudar

 

Para além da medida de partilha de risco, Daniel levantou a possibilidade de se revisitar a ideia de aceitação das garantias móveis na concessão de empréstimos. O economista sustenta que  “se for alargado o escopo de bens ou o escopo de activos que podem ser apresentados como garantias neste contexto de crise, provavelmente poderá alargar-se a possibilidade das pequenas e médias empresas acederem ao crédito”.

 

Contexto atípico exigem medidas atípicas,

“…porque estamos em um contexto atípico, então medidas atípicas também precisam ser tomadas para atender a atipicidade do momento em que o país e o mundo se encontra”, defendeu Daniel. Assim, no entendimento do economista, seria este o momento para, por exemplo, relaxar a medida de que as contas sejam auditadas, mas validar a auditória que é feita pelo Estado e assegurar que as empresas tenham maior acesso ao crédito assim como alargar a modalidade do fundo de garantia para todas as pequenas e médias empresas.

Relativamente aos apoios institucionais que são atribuídos as empresas com o desiderato de mitigar os efeitos desta crise, o nosso interlocutor defende que estes são revestidos de boas intenções, no entanto, carecem de medidas complementares que incentivem as empresas a continuarem a operar, para que procurem absorver o crédito que existe nos bancos comerciais nas condições apresentadas.

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