
CTA Saúda Corte da Taxa MIMO, Mas Considera Política Monetária Ainda Conservadora Face aos Desafios das Empresas
A Confederação das Associações Económicas reconhece o sinal positivo da redução da taxa directora para 9,25%, mas defende medidas mais ousadas no mercado cambial e maior coordenação macroeconómica para aliviar a pressão sobre o sector produtivo.
- Taxa MIMO foi reduzida de 9,50% para 9,25% pelo CPMO do Banco de Moçambique;
- CTA considera a decisão positiva, mas insuficiente para responder aos desafios empresariais;
- Empresários defendem maior injecção de divisas no mercado cambial;
- Endividamento público interno continua a pressionar o crédito ao sector privado;
- PMEs permanecem entre as mais afectadas pelas restrições financeiras.
Corte da MIMO É Um Sinal, Mas Não Uma Viragem
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) reagiu positivamente à decisão do Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro de política monetária — taxa MIMO — de 9,50% para 9,25%, mantendo inalterados os coeficientes de reservas obrigatórias.
No entendimento da CTA, a decisão constitui um sinal favorável à melhoria gradual das condições de financiamento na economia, criando algum espaço para a redução dos custos do crédito bancário e maior previsibilidade na gestão financeira das empresas, num contexto ainda marcado por uma recuperação económica frágil.
Conservadorismo Monetário Limita Impacto na Economia Real
Apesar de reconhecer o sinal positivo, a CTA considera que a decisão revela um posicionamento excessivamente conservador da política monetária, face aos profundos desafios que o tecido empresarial continua a enfrentar. Segundo a confederação, os choques económicos acumulados nos últimos anos — agora agravados pelos impactos das cheias — continuam a afectar infra-estruturas, cadeias de abastecimento e a capacidade produtiva das empresas.
Para os empresários, a redução marginal da taxa MIMO, por si só, dificilmente produzirá efeitos significativos na economia real, sobretudo num ambiente de crédito restritivo, custos financeiros elevados e fraca liquidez.
Mercado Cambial Surge Como Prioridade Estratégica
No seu posicionamento, a CTA defende que o impacto da política monetária só será maximizado se a redução da taxa directora for acompanhada por intervenções mais activas no Mercado Cambial Interbancário, através do aumento da injecção de divisas.
Segundo a confederação, uma maior disponibilidade de moeda externa permitiria aliviar a pressão cambial, reduzir os custos de importação e criar um ambiente mais estável para o planeamento empresarial, factores críticos para a retoma da actividade produtiva.
A CTA entende que a conjugação entre política monetária e política cambial é essencial para garantir uma transmissão mais eficaz das decisões do banco central à economia real.
Endividamento Público Interno Continua a Penalizar o Crédito
Outro ponto central do posicionamento da CTA prende-se com o agravamento do endividamento público interno, que continua a exercer pressão sobre o mercado financeiro nacional. Esta situação, segundo os empresários, limita a capacidade dos bancos de canalizarem recursos para o sector privado, uma vez que o financiamento ao Estado absorve parte significativa da liquidez disponível.
As micro, pequenas e médias empresas surgem como as mais afectadas por este contexto, dado o seu maior grau de dependência do crédito bancário para financiar operações, investir e gerar emprego.
Apelo a Maior Coordenação Macroeconómica
Perante este quadro, a CTA reitera a necessidade de políticas macroeconómicas mais equilibradas e coordenadas, que promovam maior disponibilidade de crédito ao sector privado, taxas de juro mais competitivas e um ambiente financeiro mais favorável ao investimento produtivo.
Para a confederação, sem uma abordagem integrada que articule política monetária, política fiscal e gestão cambial, a economia moçambicana continuará a enfrentar dificuldades em transformar sinais positivos isolados em crescimento económico sustentado.
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