Descargas de Massingir Forçam Evacuações no Vale do Limpopo

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Aumento inédito do caudal do rio eleva risco de cheias em Gaza, paralisa a Linha do Limpopo e provoca perdas agrícolas significativas no sul do país.

Questões-Chave:
  • Descargas da barragem de Massingir atingem níveis inéditos, elevando o caudal do Limpopo para cerca de 22 mil m³ por segundo;
  • Autoridades ordenam evacuação compulsiva em Chókwè e Caniçado devido a risco iminente de cheias;
  • CFM suspendem circulação ferroviária na Linha do Limpopo, rota estratégica para o Zimbabwe;Mais de 400 mil pessoas poderão ser afectadas pelas inundações na província de Gaza;
  • Cerca de 10 mil hectares agrícolas encontram-se submersos na província de Maputo;
  • INAM mantém aviso vermelho de chuvas muito fortes no centro e sul do país.

O aumento significativo das descargas da barragem de Massingir, na província de Gaza, está a forçar a retirada urgente de populações ao longo do Vale do Limpopo, num dos mais graves episódios hidrológicos dos últimos anos no sul de Moçambique. As autoridades admitem um risco elevado de cheias nas próximas horas, com impactos já visíveis sobre comunidades, infra-estruturas e actividade económica.

Segundo a Direcção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, a barragem está a libertar volumes de água que, somados ao caudal natural do rio, elevam o fluxo para cerca de 22 mil metros cúbicos por segundo, um nível considerado crítico.

Evacuação Compulsiva em Chókwè e Caniçado

Perante a iminência de cheias, a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, ordenou a evacuação imediata das populações da cidade de Chókwè e da vila de Caniçado, sublinhando que “o tempo de sensibilização já terminou”.

As autoridades reforçam que a medida visa evitar perdas humanas, recordando a vulnerabilidade histórica do Vale do Limpopo, severamente afectado pelas cheias de 2000.

Linha do Limpopo Suspensa e Logística Afectada

O agravamento das condições climatéricas levou os Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) a paralisar a circulação ferroviária na Linha do Limpopo, uma infra-estrutura estratégica que liga o Porto de Maputo à fronteira de Chicualacuala, no Zimbabwe.

A empresa justifica a decisão como uma medida preventiva de segurança, alertando para riscos acrescidos sobre passageiros, cargas e infra-estruturas, num momento em que a região enfrenta chuvas intensas há vários dias consecutivos.

Agricultura Submersa e Segurança Alimentar em Risco

As cheias estão igualmente a provocar perdas significativas na produção agrícola, sobretudo na província de Maputo, onde mais de 10 mil hectares de terras aráveis se encontram submersos, com destaque para o distrito da Manhiça.

Milho, hortícolas e culturas de subsistência foram dadas como perdidas, comprometendo rendimentos familiares e a segurança alimentar de milhares de agregados rurais, num contexto de elevada dependência da agricultura de pequena escala.

Aviso Vermelho Mantém-se no Centro e Sul

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) mantém um aviso vermelho de chuvas fortes a muito fortes, prevendo precipitação superior a 50 mm em 24 horas e, localmente, acima de 100 mm, acompanhada de trovoadas severas e ventos fortes.

As previsões apontam para a continuação do agravamento hidrológico, com risco elevado de transbordo dos rios Limpopo, Incomáti, Umbelúzi e Maputo, reforçando a necessidade de retirada preventiva de populações em zonas baixas.

Impacto Económico e Pressão sobre Finanças Públicas

Para além da dimensão humanitária, as cheias estão a gerar custos económicos elevados, associados à interrupção logística, destruição de culturas, pressão sobre infra-estruturas públicas e mobilização de recursos de emergência.

As autoridades admitem que o impacto sobre as finanças públicas poderá agravar-se, num contexto em que o Estado é chamado a responder simultaneamente a perdas agrícolas, realojamento de populações e reparação de infra-estruturas críticas.

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