Dólar Caminha Para Segunda Alta Semanal Com Tensão No Médio Oriente A Impulsionar Procura Por Activos De Refúgio

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Escalada dos preços do petróleo e incerteza geopolítica reforçam o dólar, enquanto euro e yen recuam para mínimos de vários meses.

Questões-Chave:
  • Dólar prepara-se para segunda valorização semanal consecutiva;
    • Procura por activos de refúgio aumenta com escalada do conflito no Médio Oriente;
    • Euro e yen recuam para mínimos de vários meses;
    • Subida do petróleo reforça pressões inflacionistas e expectativas de aperto monetário.

O dólar norte-americano encaminha-se para a segunda semana consecutiva de valorização, impulsionado pelo aumento da procura por activos considerados seguros num contexto de crescente tensão geopolítica no Médio Oriente, segundo dados avançados pela Reuters.

O índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana face a um cabaz de moedas internacionais — atingiu o nível mais elevado desde o final de Novembro, situando-se em 100,22 pontos, o que representa uma valorização semanal de cerca de 1,4%, refere a mesma fonte.

Petróleo e geopolítica impulsionam moeda norte-americana

A valorização do dólar ocorre num momento em que os mercados globais enfrentam um novo ciclo de incerteza associado à escalada do conflito no Médio Oriente.

O agravamento das tensões na região, incluindo ataques a infra-estruturas energéticas e de transporte, tem aumentado as preocupações com a segurança do abastecimento global de petróleo.

O Irão reiterou recentemente a intenção de manter encerrado o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio mundial de energia, alimentando receios de novas perturbações nos mercados energéticos, segundo a Reuters.

Neste contexto, investidores têm procurado activos considerados mais seguros, como o dólar norte-americano, reforçando a sua valorização nos mercados cambiais.

Euro e yen pressionados por dependência energética

Enquanto o dólar se fortalece, algumas das principais moedas internacionais registam perdas significativas.

O euro caiu para o nível mais baixo desde Agosto, negociando em torno de 1,1438 dólares, reflectindo a vulnerabilidade da zona euro à subida dos preços da energia.

Já o yen japonês atingiu o valor mais baixo dos últimos 20 meses, levando as autoridades japonesas a alertar que poderão adoptar medidas para travar uma desvalorização excessiva da moeda, acrescenta a Reuters.

Analistas destacam que economias altamente dependentes da importação de petróleo, como o Japão e a zona euro, tendem a sofrer mais com a escalada dos preços do crude.

Em contraste, os Estados Unidos apresentam maior resiliência neste cenário, uma vez que o país se tornou exportador líquido de petróleo nos últimos anos.

Petróleo elevado aumenta expectativas de inflação

A subida prolongada dos preços do petróleo também tem implicações para a política monetária global.

Economistas alertam que o aumento dos custos energéticos pode pressionar a inflação e obrigar bancos centrais a manter políticas monetárias mais restritivas por mais tempo.

Nos mercados europeus, investidores aguardam agora a próxima reunião do Banco Central Europeu (BCE), marcada para a próxima semana, num momento em que cresce a incerteza sobre o rumo da política monetária na região.

Alguns analistas admitem que a escalada dos preços da energia poderá levar o BCE a considerar novas subidas de juros caso as pressões inflacionistas se intensifiquem.

Medidas para aliviar mercado petrolífero têm impacto limitado

Entretanto, autoridades internacionais tentam mitigar os efeitos da escalada dos preços do petróleo.

Os Estados Unidos autorizaram temporariamente a venda de alguns produtos petrolíferos russos anteriormente sancionados, enquanto a Agência Internacional de Energia aprovou a libertação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, numa tentativa de estabilizar o mercado.

No entanto, analistas citados pela Reuters alertam que estas medidas podem ser interpretadas pelos mercados como um sinal de que os líderes globais não antecipam uma rápida desescalada das tensões no Médio Oriente.

Neste cenário, a combinação entre riscos geopolíticos, preços elevados da energia e expectativas de inflação continua a moldar o comportamento dos mercados cambiais globais.

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