Dólar Enfraquece com Perspectiva de Cortes nas Taxas da Reserva Federal e Avanços nas Negociações Comerciais dos EUA

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Questões-Chave:

  • Dólar atinge mínimos de quase quatro anos face ao euro e à libra;
  • Expectativa de corte das taxas da Fed em Setembro atinge 92,4%;
  • Avanços nas negociações comerciais com a China e outros parceiros alimentam sentimento de alívio;
  • Donald Trump pressiona Powell e quer taxa de juro de referência reduzida para 1%;
  • Proposta de lei de despesa e corte fiscal pode aumentar dívida dos EUA em 3,3 biliões de dólares.

O dólar norte-americano registou uma nova queda acentuada esta segunda-feira, pressionado pelas crescentes apostas de que a Reserva Federal irá cortar as taxas de juro já em Setembro, num contexto de aparente desanuviamento nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China.

O índice do dólar – que mede a força da divisa face a um cabaz de seis moedas principais – caiu para 96,933 na semana passada, o seu nível mais baixo em mais de três anos. Esta segunda-feira, recuperou ligeiramente para 97,276, mas manteve-se em patamares historicamente baixos.

O euro foi negociado a 1,1716 USD, ligeiramente abaixo do pico de 1,1754 registado na sexta-feira – o valor mais alto desde Setembro de 2021. A libra esterlina estabilizou em 1,3709 USD, próxima dos máximos de Outubro de 2021. Já o franco suíço manteve-se estável em 0,7988 USD, após ter atingido os 0,7955 USD – o valor mais forte desde Janeiro de 2015.

A fraqueza do dólar é atribuída à conjugação de dois factores principais: a expectativa generalizada de cortes nas taxas da Fed e o progresso nas negociações comerciais entre Washington e Pequim. O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, confirmou que ambas as partes resolveram questões relativas ao fornecimento de minerais raros e ímanes, dando seguimento ao acordo preliminar assinado em Maio.

A ferramenta FedWatch da CME Group indica que os mercados atribuem agora uma probabilidade de 92,4% a um corte de 25 pontos base na reunião de Setembro, acima dos 70% verificados na semana anterior.

“É praticamente garantido que haverá um corte em Setembro”, afirmou Chris Weston, da Pepperstone. Para Weston, o risco está “assimetricamente direccionado para a desvalorização do dólar, especialmente se os dados do emprego forem fracos”.

Entretanto, o Presidente Donald Trump intensificou os ataques ao presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, afirmando que gostaria que este renunciasse antes do fim do seu mandato, em Maio. Trump também voltou a defender que a taxa de juro de referência deveria ser reduzida para 1%, face ao intervalo actual de 4,25% a 4,50%, e reiterou a intenção de nomear um substituto mais “dovish”.

Adicionalmente, o mercado está atento à proposta de lei de despesa e corte fiscal da Administração Trump, actualmente em debate no Senado. Segundo o Gabinete Orçamental do Congresso, a medida poderá acrescentar 3,3 biliões de dólares à dívida pública ao longo da próxima década.

Wall Street reagiu positivamente aos desenvolvimentos da última semana: o S&P 500 e o Nasdaq registaram novos máximos históricos de fecho na sexta-feira, enquanto o Dow Jones subiu 1%.

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