
Dólar Entra em Fase de Recuo Enquanto o Euro Ganha Fôlego: Mercado Cambial Reflecte Expectativas de Corte de Juros nos EUA
A Desaceleração Económica Norte-Americana E O Abrandamento Das Tensões Comerciais Entre Washington E Pequim Provocam Oscilações Cambiais Com Impacto Nas Economias Emergentes, Incluindo Moçambique.
- O dólar norte-americano regista ligeira depreciação face ao euro, negociando em torno de 1,1664 USD por euro;
- A expectativa de corte de juros pela Reserva Federal (Fed) enfraquece a divisa norte-americana;
- O euro mantém estabilidade, apoiado por dados positivos de actividade industrial na zona euro;
- Para Moçambique, a evolução cambial tem implicações directas sobre a dívida externa, custos de importação e inflação.
O mercado cambial internacional encerra o dia 28 de Outubro de 2025 com o dólar norte-americano em trajectória de recuo, numa conjuntura marcada por sinais de abrandamento da economia dos Estados Unidos e pelo aumento das expectativas de que a Reserva Federal reduza as taxas de juro até ao final do ano.
O Euro Recupera Espaço Num Contexto de Incerteza Global
O euro consolidou ganhos modestos, situando-se em 1 EUR = 1,1664 USD, sustentado por uma ligeira melhoria dos indicadores industriais na Alemanha e em França.
A moeda europeia beneficiou ainda da valorização das expectativas de política monetária mais restritiva do Banco Central Europeu (BCE), em contraste com a tendência de flexibilização esperada nos Estados Unidos.
Os analistas da Bloomberg e da Reuters apontam que a inversão do diferencial de taxas entre o euro e o dólar reflecte “uma fase de reequilíbrio cambial”, onde os investidores procuram diversificar posições perante o aumento da volatilidade nos mercados financeiros globais.
Fed Entra em Fase de Cautela e o Dólar Perde Impulso
O dólar manteve-se relativamente fraco nas últimas sessões, penalizado pelo arrefecimento do consumo interno norte-americano e pelo aumento das apostas de um corte de 25 pontos-base nas taxas directoras até Dezembro.
A decisão, se confirmada, marcaria a primeira inflexão da política monetária dos EUA desde 2023 e tenderia a reduzir a atractividade dos activos denominados em dólares.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar face a um cabaz de seis moedas principais, desceu 0,4% em relação à semana anterior, reflectindo a perda de tração da moeda norte-americana face ao euro, à libra e ao iene.
África Austral Sente Efeitos da Flutuação Cambial
Na África Austral, o rand sul-africano registou volatilidade e fixou-se em cerca de 17,25 ZAR por dólar, influenciado por incertezas políticas internas e pela trajectória dos juros nos EUA.
Em Moçambique, a evolução do rand é particularmente relevante, dada a correlação económica e comercial com a África do Sul, principal parceiro de importações.
Fontes de mercado indicam que o metical tem mantido relativa estabilidade nominal, suportado pelas intervenções prudentes do Banco de Moçambique e por reservas cambiais que permanecem em níveis confortáveis. Ainda assim, analistas alertam que a apreciação prolongada do dólar poderá aumentar os custos das importações e pressionar ligeiramente a inflação até ao final do quarto trimestre.
Moçambique Entre a Estabilidade Cambial e o Risco Externo
A estabilidade do metical permanece uma prioridade da política monetária nacional, especialmente num contexto em que o país enfrenta compromissos de dívida externa denominados em dólares e euros.
Economistas ouvidos pelo O.Económico sublinham que, embora a actual conjuntura cambial ofereça um período de relativa calmaria, “a exposição às flutuações do dólar e à evolução das taxas internacionais continua a ser um risco estrutural para a economia moçambicana”.
Com a expectativa de novas entradas de capital no âmbito dos projectos de gás natural da Bacia do Rovuma e da retoma gradual das exportações de energia, prevê-se que o metical mantenha estabilidade em torno de 64 a 65 MZN/USD até final de 2025, assumindo que não se registem choques externos significativos.
Dólar Entra em Fase de Reajuste Global
O enfraquecimento do dólar em Outubro é visto pelos analistas como um “reajuste técnico” após um ciclo prolongado de valorização. A tendência futura dependerá do equilíbrio entre o desempenho económico dos EUA, as decisões da Reserva Federal e a evolução das tensões comerciais com a China.
Para Moçambique, a leitura estratégica deste contexto é clara: manter disciplina fiscal e cambial, reforçar as reservas e garantir previsibilidade na gestão macroeconómica são factores decisivos para preservar a confiança dos mercados e sustentar o crescimento.
Sobre Nós
O Económico assegura a sua eficácia mediante a consolidação de uma marca única e distinta, cujo valor é a sua capacidade de gerar e disseminar conteúdos informativos e formativos de especialidade económica em termos tais que estes se traduzem em mais-valias para quem recebe, acompanha e absorve as informações veiculadas nos diferentes meios do projecto. Portanto, o Económico apresenta valências importantes para os objectivos institucionais e de negócios das empresas.









