Empresas do Estado Cortam Dívida em 4,35% e LAM Lidera Redução de MZN 1,57 Mil Milhões

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Dívida directa do Sector Empresarial do Estado recuou para MZN 34,6 mil milhões no segundo trimestre. LAM amortizou MZN 530,33 milhões e CFM MZN 446,58 milhões, enquanto 89,8% do endividamento permanece sujeito a taxas de juro variáveis e 69,7% está denominado em dólares.

Questões-Chave:

  • Dívida directa do Sector Empresarial do Estado caiu 4,35%, equivalente a MZN 1,57 mil milhões, entre Março e Junho;
  • Dívida interna registou a maior redução, recuando 9,10% para MZN 15,61 mil milhões;
  • LAM reduziu o endividamento interno em MZN 530,33 milhões, a maior diminuição nominal entre as empresas analisadas;
  • CFM amortizou MZN 446,58 milhões e Petromoc MZN 275 milhões;
  • LAM mantém MZN 5,21 mil milhões de dívida interna, correspondentes a 33,36% do total do SEE;
  • Cerca de 89,8% da dívida directa está contratada a taxas de juro variáveis e 69,7% encontra-se denominada em dólares.

As empresas que integram o Sector Empresarial do Estado (SEE) reduziram a sua dívida directa em MZN 1,57 mil milhões no segundo trimestre de 2026, levando o stock global de MZN 36,18 mil milhões para MZN 34,60 mil milhões, uma contracção de 4,35%.

Os dados constam do Boletim Trimestral da Dívida Pública, publicado em Setembro de 2026 pelo Ministério das Finanças e referente ao período Abril–Junho, que atribui a redução essencialmente ao cumprimento do serviço da dívida pelas empresas do SEE.

A principal alteração ocorreu na componente interna, cujo stock diminuiu 9,10%, de MZN 17,17 mil milhões para MZN 15,61 mil milhões. A dívida externa manteve-se praticamente estável, com uma redução de apenas 0,06%, para cerca de MZN 19 mil milhões.

A evolução representa uma melhoria da posição agregada de endividamento das empresas do Estado, mas a composição da carteira revela duas exposições relevantes: quase 90% da dívida está associada a taxas de juro variáveis e perto de 70% está denominada em dólares.

LAM Lidera Amortizações E Mantém Maior Stock De Dívida Interna

A Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) registou a maior redução nominal da dívida interna entre as empresas analisadas, com uma diminuição de MZN 530,33 milhões, equivalente a 9,25%.

Segundo o Ministério das Finanças, a redução resultou da amortização de financiamentos contraídos pela companhia aérea junto do BCI e do Moza Banco.

O stock da dívida interna da LAM passou de MZN 5,74 mil milhões no final do primeiro trimestre para MZN 5,21 mil milhões em Junho.

A dimensão da amortização é significativa, mas a transportadora aérea continua a apresentar a maior exposição individual nesta componente: os MZN 5,21 mil milhões representam 33,36% de toda a dívida interna directa do SEE.

O dado coloca a evolução financeira da LAM numa perspectiva mais ampla. A companhia liderou a redução trimestral em termos nominais, mas permanece responsável por aproximadamente um terço do endividamento interno das empresas abrangidas.

CFM Regista Segunda Maior Redução

Os Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registaram a segunda maior redução nominal, diminuindo a dívida interna em MZN 446,58 milhões, equivalente a 13,79%.

O stock passou de MZN 3,24 mil milhões para MZN 2,79 mil milhões, correspondentes a 17,89% da dívida interna directa do SEE.

A Petromoc apresentou uma redução de MZN 275 milhões, ou 19,24%, passando para MZN 1,15 mil milhões. A Administração de Aeroportos de Moçambique (ADM) diminuiu o endividamento em MZN 182 milhões, ou 8,18%, para MZN 2,04 mil milhões.

A Tmcel reduziu MZN 69,81 milhões e a ENH MZN 37,51 milhões.

LAM e CFM responderam conjuntamente por cerca de MZN 977 milhões da redução da dívida interna no trimestre, aproximadamente 63% da contracção total registada nesta componente.

Taxas Variáveis Abrangem 89,8% Da Dívida

A redução do stock não elimina a exposição das empresas às condições dos mercados financeiros.

O Boletim indica que, em 30 de Junho, 89,8% da dívida directa do SEE estava contratada a taxas de juro variáveis, equivalente a MZN 31,08 mil milhões. A dívida a taxa fixa representava 10,2%, correspondente a MZN 3,52 mil milhões.

No final do primeiro trimestre, as taxas variáveis representavam 89,3% da carteira.

Embora o valor nominal da dívida a taxa variável tenha diminuído de MZN 32,31 mil milhões para MZN 31,08 mil milhões, o seu peso relativo aumentou 0,5 pontos percentuais.

Esta estrutura mantém as empresas expostas às alterações das taxas de referência associadas aos respectivos contratos. Num contexto de custos de financiamento elevados, movimentos das taxas podem repercutir-se directamente sobre o serviço da dívida e a tesouraria das empresas.

A dívida a taxa fixa também diminuiu, passando de MZN 3,87 mil milhões para MZN 3,52 mil milhões, uma redução de 8,91%.

Dólar Concentra 69,7% Do Endividamento

A composição por moeda acrescenta outra variável à estrutura financeira do SEE.

O dólar representa 69,7% do stock total, equivalente a MZN 24,11 mil milhões. O metical responde por 30,1%, com MZN 10,43 mil milhões, enquanto o euro representa apenas 0,2%, correspondente a MZN 58,39 milhões.

Entre o primeiro e o segundo trimestre, a dívida denominada em dólares diminuiu 2,21%, ou MZN 544,91 milhões.

A componente em meticais apresentou uma redução superior, de 8,92%, equivalente a MZN 1,02 mil milhões. O stock denominado em euros contraiu 9,95%.

A elevada participação do dólar significa que alterações cambiais podem influenciar o valor, em meticais, das responsabilidades financeiras das empresas. Durante o segundo trimestre, este risco foi moderado pela estabilidade cambial: o metical encerrou Junho em 63,90 por dólar, segundo o Ministério das Finanças.

A combinação de 89,8% da dívida a taxas variáveis e 69,7% denominada em dólares mantém o SEE simultaneamente exposto à evolução dos juros e do mercado cambial.

Dívida Externa Mantém-se Próxima De MZN 19 Mil Milhões

A dívida externa directa das empresas do Estado registou uma variação marginal no segundo trimestre, diminuindo 0,06%, de MZN 19,01 mil milhões para MZN 19 mil milhões.

Entre as empresas participadas pelo Estado, a redução foi de 5,04%, levando o stock para MZN 2,98 mil milhões.

A Petromoc apresentou a maior diminuição proporcional nesta componente, com uma contracção de 30,66%, para MZN 233,59 milhões. O BNI reduziu 4,78%, para MZN 798,57 milhões, e a Tmcel 0,76%, para MZN 1,95 mil milhões.

Nas empresas públicas, a trajectória foi inversa. O stock aumentou para MZN 16,01 mil milhões, impulsionado pelos acréscimos registados na EDM e na ADM.

A dívida externa da EDM aumentou 2,29%, para MZN 3,46 mil milhões, enquanto a ADM registou um crescimento de 0,71%, para aproximadamente MZN 10 mil milhões. Nos CFM, manteve-se praticamente inalterada, em MZN 2,56 mil milhões.

Empresas Reduzem Passivos, Dívida Do Governo Central Aumenta

A trajectória das empresas do Estado contrasta com a evolução da dívida do Governo Central no mesmo trimestre.

O stock do Governo Central aumentou 1%, passando de MZN 1,100 biliões para MZN 1,111 biliões.

O crescimento foi provocado pela dívida interna, que aumentou 3%, de MZN 529,84 mil milhões para MZN 545,41 mil milhões. Segundo o Ministério das Finanças, o movimento resultou essencialmente da rolagem de juros das Obrigações do Tesouro e de novas emissões no âmbito da Facilidade de Crédito do Banco Central.

A dívida externa seguiu a direcção oposta, diminuindo 0,8%, para US$ 8,85 mil milhões, devido ao reembolso de créditos vencidos durante o trimestre.

O comportamento das duas componentes mostra uma alteração progressiva na composição do endividamento do Estado: a redução da dívida externa ocorreu simultaneamente com o crescimento do financiamento interno.

Dívida Pública E Garantida Atinge 75,9% Do PIB

Apesar da redução observada no SEE, a dívida agregada do sector público continuou a aumentar.

No final de Junho, a Dívida Pública e Garantida situava-se em MZN 1,146 biliões, equivalentes a US$ 17,93 mil milhões e a 75,9% do PIB.

O stock aumentou cerca de MZN 9,62 mil milhões comparativamente ao primeiro trimestre.

A dívida do Governo Central representava 73,6% do PIB, enquanto a dívida directa do Sector Empresarial do Estado correspondia a 2,3%.

A composição do endividamento mostra que a redução conseguida pelas empresas não foi suficiente para compensar o crescimento registado no Governo Central, sobretudo na componente doméstica.

O custo desse financiamento também merece atenção. Durante o segundo trimestre foram realizados seis leilões de troca de Obrigações do Tesouro, envolvendo títulos no valor de MZN 24,27 mil milhões, com maturidade média ponderada de cinco anos e uma taxa de juro média de 13,25%.

Serviço Da Dívida Sustenta Redução No SEE

O Ministério das Finanças atribui a diminuição do endividamento das empresas essencialmente ao cumprimento das respectivas obrigações financeiras.

O dado é relevante porque a redução resulta de amortizações efectivas e não de uma alteração cambial expressiva durante o trimestre.

O Boletim assinala igualmente que, entre Abril e Junho, não foram assinados acordos de crédito, de retrocessão ou de garantias soberanas a favor das empresas públicas.

A continuidade desta trajectória poderá contribuir para reduzir necessidades futuras de financiamento e a exposição financeira do Estado associada ao seu sector empresarial.

A estrutura actual da dívida, entretanto, mantém factores de risco relevantes. A predominância das taxas variáveis torna o serviço da dívida sensível aos juros, enquanto a concentração em dólares aumenta a exposição às oscilações cambiais.

No caso da LAM, a redução de MZN 530,33 milhões constitui o maior contributo individual para a diminuição observada entre Abril e Junho. A permanência de MZN 5,21 mil milhões de dívida interna mostra, simultaneamente, a dimensão do ajustamento financeiro que continua colocado à companhia.

Os próximos boletins permitirão avaliar se a redução observada no segundo trimestre se consolida numa trajectória de desalavancagem do Sector Empresarial do Estado e se essa evolução é acompanhada por melhorias sustentadas na posição financeira das empresas.