EN1 Cortada Pelas Chuvas Leva Governo a Activar Rotas Aéreas, Marítimas e Ferroviárias

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Corte da principal artéria rodoviária do país condiciona mobilidade e abastecimento nas províncias de Maputo e Gaza, num contexto em que quase 20 mil pessoas já foram resgatadas das cheias.

Questões-Chave:
  • O corte da Estrada Nacional Número Um expôs a vulnerabilidade logística do país perante choques climáticos recorrentes;
  • O Governo activou ligações aéreas, marítimas e ferroviárias para assegurar a mobilidade de pessoas e mercadorias;
  • As cheias já afectaram mais de 650 mil pessoas desde o início de Janeiro, com impactos significativos sobre habitação, agricultura e infra-estruturas;
  • A resposta evidencia a centralidade da logística e dos transportes na gestão de crises e na resiliência económica.

O corte da Estrada Nacional Número Um (EN1), provocado pelas intensas chuvas que atingem o sul de Moçambique, obrigou o Governo a activar rotas alternativas de transporte aéreo, marítimo e ferroviário para garantir a circulação de pessoas e o abastecimento de bens essenciais nas províncias de Maputo e Gaza, num contexto de cheias que já afectaram mais de 650 mil pessoas em todo o país.

EN1 interrompida e resposta logística de emergência

A interrupção da EN1, principal corredor rodoviário nacional, está a dificultar severamente a mobilidade de pessoas e mercadorias entre o sul e o centro do país. Em resposta, o Executivo accionou um conjunto de medidas excepcionais, envolvendo os sectores da aviação, transporte marítimo e caminhos-de-ferro, com o objectivo de mitigar os impactos económicos e sociais da intransitabilidade.

Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, entre 19 e 23 de Janeiro, as Linhas Aéreas de Moçambique realizaram 42 voos adicionais entre Maputo e Gaza, transportando mais de três mil passageiros. Face ao aumento da procura, a companhia passou a operar seis voos diários a partir de 24 de Janeiro.

Ligações marítimas e ferroviárias como alternativas críticas

No plano marítimo, o Governo anunciou o início, a partir de 26 de Janeiro, de uma ligação entre Maputo e o Porto de Chongoene, assegurada por uma embarcação mista com capacidade para transportar cerca de 100 passageiros, além de mercadorias de emergência e produtos comerciais. Cada trajecto terá uma duração aproximada de seis horas.

Em paralelo, será activada uma ligação ferroviária a partir da vila-sede do distrito de Magude, destinada à evacuação de cidadãos sitiados na vila da Macia. O transporte rodoviário até à estação ferroviária será garantido por autocarros, numa operação coordenada pelas autoridades.

Operações de resgate e balanço humanitário

No plano humanitário, o Governo anunciou que quase 20 mil pessoas já foram resgatadas das zonas inundadas nas províncias de Maputo e Gaza. As operações, coordenadas pela Unidade Nacional de Protecção Civil, envolvem 44 embarcações e pelo menos 14 meios aéreos, incluindo helicópteros, aeronaves e uma viatura anfíbia.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, as cheias já afectaram 651.843 pessoas desde 7 de Janeiro, resultando em 12 mortos, dezenas de feridos e mais de 95 mil cidadãos alojados em centros de acolhimento. Foram igualmente registados danos significativos em habitações, escolas, unidades sanitárias, estradas e áreas agrícolas.

Infra-estruturas, clima e resiliência económica

O actual episódio volta a evidenciar a elevada exposição da economia moçambicana a choques climáticos e a dependência crítica de infra-estruturas chave como a EN1. A interrupção prolongada deste corredor tem impactos directos sobre cadeias de abastecimento, custos logísticos, actividade comercial e mobilidade laboral, sublinhando a necessidade de investimentos estruturais em resiliência, manutenção e diversificação de corredores de transporte.

Enquanto decorrem as operações de emergência, centenas de famílias permanecem sitiadas em várias zonas do sul do país, aguardando resgate, numa época chuvosa que continua a pressionar a capacidade de resposta do Estado.

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