
Eni Avança Com Perfuração de Seis Poços em Novembro e Prepara Duplicação da Produção de GNL em Moçambique Para 7 Milhões de Toneladas
A petrolífera italiana confirma o calendário de desenvolvimento do Coral Norte, com início de produção previsto para 2028, e estuda uma terceira plataforma flutuante com capacidade superior a cinco milhões de toneladas anuais. A expansão poderá consolidar a posição de Moçambique entre os fornecedores estratégicos de gás natural liquefeito para os mercados asiáticos, num contexto de crescente atenção à segurança energética e às rotas internacionais de abastecimento.
Questões-Chave:
- Eni prevê iniciar em Novembro de 2026 a perfuração de até seis poços para abastecer o projecto Coral Norte, na Bacia do Rovuma;
- Produção combinada de Coral Sul e Coral Norte poderá atingir cerca de sete milhões de toneladas anuais a partir da entrada em funcionamento da segunda plataforma, prevista para 2028;
- Empresa avalia uma terceira unidade flutuante de GNL, com capacidade projectada superior a cinco milhões de toneladas por ano;
- Localização geográfica de Moçambique constitui uma vantagem comercial, permitindo abastecer mercados asiáticos sem atravessar algumas das rotas marítimas mais vulneráveis a perturbações geopolíticas;
- Nova expansão poderá ampliar as exportações, as receitas públicas e a procura de serviços nacionais, embora os benefícios dependam dos investimentos efectivamente concretizados.
A petrolífera italiana Eni prepara o início de uma nova etapa operacional na Bacia do Rovuma, com a perfuração de até seis poços de desenvolvimento a partir de Novembro de 2026, destinados ao abastecimento do projecto Coral Norte FLNG, cuja entrada em produção continua prevista para 2028.
A informação foi avançada por Mario Bello, responsável da Eni para a África Subsaariana, em declarações à Reuters, à margem de uma conferência do sector energético realizada na Cidade do Cabo, África do Sul.
Segundo o responsável, o projecto mantém o calendário de desenvolvimento, com potencial para elevar a produção combinada de gás natural liquefeito da empresa em Moçambique para aproximadamente sete milhões de toneladas por ano, praticamente o dobro da capacidade actualmente instalada no Coral Sul.
O anúncio confirma a progressão da estratégia de expansão da Eni num dos mais importantes complexos de recursos de gás natural descobertos em águas profundas na África Oriental, numa conjuntura internacional em que a segurança do abastecimento energético, a diversificação de fornecedores e a estabilidade das rotas marítimas ganharam renovada importância.
A perfuração dos novos poços constitui uma fase relevante para o desenvolvimento do Coral Norte, permitindo preparar o fornecimento de gás à futura unidade flutuante de liquefacção.
O projecto insere-se na estratégia de aproveitamento dos recursos da Área 4 da Bacia do Rovuma, dando continuidade à experiência operacional adquirida com o Coral Sul, que iniciou a produção e exportação de GNL em 2022.
Coral Norte Prepara Expansão da Capacidade de Produção Para 2028
A entrada em funcionamento do Coral Norte deverá acrescentar aproximadamente 3,5 milhões de toneladas anuais de capacidade de produção de GNL, complementando os cerca de 3,4 milhões de toneladas por ano do Coral Sul.
Capacidade Anual dos Projectos Flutuantes da Eni (milhões de toneladas de GNL por ano)
| Projecto | Capacidade (mtpa) |
|---|---|
| Coral Sul | 3,4 |
| Coral Norte (previsto para 2028) | 3,5 |
| Total combinado | ≈ 6,9 |
Fonte: Eni. Capacidades de projecto. O Coral Norte ainda não iniciou a produção; o total combinado corresponde a aproximadamente sete milhões de toneladas anuais.
A instalação de uma segunda unidade flutuante representa uma expansão significativa da capacidade exportadora, aproveitando a infra-estrutura e o conhecimento técnico acumulados nas operações anteriores.
As plataformas FLNG permitem processar, liquefazer, armazenar e transferir gás natural directamente no mar, reduzindo a necessidade de construir instalações de liquefacção em terra.
A tecnologia apresenta vantagens operacionais para campos localizados em águas profundas, embora exija investimentos elevados, engenharia especializada e cadeias internacionais de fornecimento de equipamentos e serviços.
O desenvolvimento do Coral Norte alcançou a decisão final de investimento em Outubro de 2025, criando as condições para avançar com a implementação do projecto.
A nova fase de perfuração prevista para Novembro de 2026 representa, neste contexto, um passo adicional na preparação das operações produtivas.
O calendário de 2028 permanece como referência anunciada pela empresa, estando a concretização dependente da execução das actividades de desenvolvimento, integração dos sistemas e comissionamento das instalações.
Terceira Plataforma Poderá Acrescentar Mais de Cinco Milhões de Toneladas Anuais
A Eni revelou igualmente que está a avaliar a possibilidade de desenvolver uma terceira plataforma flutuante de produção de GNL em águas moçambicanas.
De acordo com Mario Bello, a iniciativa encontra-se numa fase preliminar de estudos de engenharia, destinada a avaliar as condições técnicas e comerciais de um novo investimento.
A configuração actualmente considerada aponta para uma unidade com capacidade superior a cinco milhões de toneladas por ano, ultrapassando a dimensão individual dos projectos Coral Sul e Coral Norte.
Se a proposta avançar e alcançar a capacidade inicialmente indicada, a produção potencial combinada das três plataformas poderá superar 12 milhões de toneladas anuais.
Cenário de Expansão da Eni em Moçambique
| Cenário | Capacidade | Situação |
|---|---|---|
| Coral Sul + Coral Norte | 6,9 mtpa | Capacidade combinada prevista |
| Com terceira plataforma | 12+ mtpa | Capacidade potencial, sujeita a investimento |
Estimativa aritmética baseada nas capacidades anunciadas. A terceira unidade ainda não dispõe de decisão final de investimento.
A petrolífera não apresentou uma data para a decisão final de investimento, esclarecendo que o projecto permanece sujeito aos resultados dos estudos e à avaliação da sua viabilidade económica.
A eventual concretização da terceira plataforma aumentaria a escala das operações de GNL da empresa e consolidaria a utilização de unidades flutuantes enquanto componente central da estratégia de desenvolvimento dos recursos da Bacia do Rovuma.
A expansão poderá ainda proporcionar maior continuidade à procura de serviços especializados, transporte marítimo, logística industrial e fornecimento de equipamentos, criando oportunidades para a participação de empresas nacionais.
Localização de Moçambique Ganha Valor Estratégico Perante Riscos nas Rotas Energéticas
Um dos aspectos mais relevantes das declarações de Mario Bello está relacionado com o posicionamento geográfico de Moçambique nos mercados internacionais de gás natural.
O responsável da Eni classificou o país como uma fonte de gás particularmente atractiva para o abastecimento dos mercados asiáticos, sublinhando a possibilidade de efectuar exportações sem depender de algumas das passagens marítimas mais expostas a perturbações geopolíticas.
“Moçambique é, efectivamente, uma fonte de gás de elevado valor. Geograficamente, está perfeitamente localizado para servir o mercado premium de GNL no Extremo Oriente, sem depender de uma rota crítica de trânsito”, afirmou, em declarações à Reuters.
A observação surge num contexto de tensões no Médio Oriente e de perturbações nas principais rotas internacionais de transporte de petróleo e gás.
A localização na costa oriental africana permite que os carregamentos destinados a diversos mercados asiáticos sigam através do Oceano Índico, evitando a travessia do Estreito de Ormuz, uma das passagens mais importantes para as exportações energéticas do Golfo Pérsico.
Esta característica pode representar uma vantagem competitiva relativamente a determinadas fontes alternativas de abastecimento, particularmente quando os compradores atribuem maior importância à diversificação geográfica e à segurança das rotas de transporte.
A competitividade comercial do GNL moçambicano continua, contudo, associada a factores como os preços internacionais, os custos de produção, as despesas de transporte, a duração dos contratos e a evolução da procura nos mercados importadores.
A diversificação das origens de fornecimento tornou-se um elemento relevante da estratégia energética de vários países asiáticos, aumentando a importância dos produtores capazes de assegurar entregas regulares e condições comerciais competitivas.
Expansão do GNL Poderá Aumentar Receitas Públicas e Oportunidades Para Empresas Nacionais
O desenvolvimento do Coral Norte e a eventual construção de uma terceira unidade FLNG poderão ampliar significativamente a contribuição do gás natural para a economia moçambicana.
O impacto mais imediato estará associado ao investimento, à contratação de serviços especializados, à logística de apoio às operações marítimas e à participação de empresas nacionais nas cadeias de fornecimento.
Na fase operacional, o aumento das exportações poderá contribuir para o crescimento do produto interno bruto, a entrada de divisas e a geração de receitas fiscais ao longo da vida útil dos projectos.
A decisão final de investimento do Coral Norte, anunciada em Outubro de 2025, foi acompanhada por previsões de aproximadamente US$ 23 mil milhões em receitas fiscais ao longo da vida do empreendimento e cerca de US$ 3 mil milhões em oportunidades contratuais para empresas locais. Trata-se de estimativas de longo prazo, e não de receitas já realizadas ou contratos necessariamente adjudicados.
O aproveitamento destas oportunidades exige capacidade empresarial, certificação técnica, qualificação profissional e acesso a financiamento, particularmente para as pequenas e médias empresas moçambicanas.
A expansão da indústria também aumenta a relevância de uma política de conteúdo local capaz de desenvolver competências nacionais em engenharia, manutenção, logística, serviços marítimos e fornecimento industrial.
A acumulação destas capacidades poderá proporcionar benefícios económicos que perdurem para além das fases de construção e desenvolvimento dos projectos.
Terceira Unidade da Eni Poderá Ampliar a Escala da Indústria de GNL
A possibilidade de uma terceira plataforma FLNG surge numa fase em que Moçambique se prepara para uma expansão mais ampla da sua indústria de gás natural liquefeito.
Além dos empreendimentos flutuantes da Eni, a trajectória do sector inclui os grandes projectos terrestres de liquefacção previstos para a Península de Afungi, em Cabo Delgado.
O desenvolvimento destas operações poderá aumentar significativamente a capacidade exportadora nacional ao longo da próxima década, colocando o país numa posição de maior relevância no mercado internacional de gás.
A estratégia da Eni apresenta, contudo, uma característica distinta: a utilização de unidades flutuantes permite desenvolver recursos offshore através de sistemas integrados de produção e liquefacção no mar.
Os projectos terrestres, por sua vez, apresentam uma configuração industrial diferente, com necessidades específicas de construção, infra-estruturas e integração territorial.
As duas abordagens poderão contribuir para a expansão do sector, mas os seus efeitos sobre o emprego, a contratação local, as infra-estruturas e as receitas públicas dependerão dos respectivos modelos de desenvolvimento.
A avaliação preliminar de uma terceira plataforma demonstra o interesse da Eni em ampliar a sua presença no país, embora a decisão de investimento ainda esteja condicionada aos resultados dos estudos técnicos e económicos em curso.
Moçambique Consolida Potencial Como Fornecedor de GNL aos Mercados Internacionais
O início da perfuração de até seis poços em Novembro representa uma etapa concreta no calendário de expansão do Coral Norte e confirma a progressão das actividades preparatórias para a produção prevista em 2028.
Com uma capacidade combinada próxima de sete milhões de toneladas anuais, Coral Sul e Coral Norte poderão constituir uma base produtiva relevante para a presença moçambicana no mercado internacional de GNL.
A eventual terceira plataforma acrescentaria uma nova dimensão a esta expansão, elevando a capacidade potencial dos empreendimentos flutuantes da Eni para mais de 12 milhões de toneladas por ano.
Entretanto, o desenvolvimento desta indústria terá consequências económicas distintas conforme a capacidade de transformar o investimento extractivo em novas competências empresariais, infra-estruturas, receitas públicas e actividades produtivas complementares.
A vantagem geográfica identificada pela Eni poderá melhorar a atractividade comercial do gás moçambicano, sobretudo num ambiente internacional marcado pela procura de fornecedores diversificados e rotas de abastecimento menos vulneráveis.
A consolidação dessa posição estará associada à execução dos investimentos, à competitividade dos custos, à fiabilidade das operações e à capacidade de integração da economia nacional nas cadeias de valor do sector.
O anúncio de novas perfurações e os estudos para uma terceira unidade confirmam que a Bacia do Rovuma permanece no centro da estratégia internacional de crescimento da Eni, com perspectivas de ampliação da capacidade produtiva e do papel de Moçambique no comércio mundial de gás natural liquefeito.
















