
Enquanto Exportadores Somam Prejuízos Com o Armazenamento, Índia sobe Preço de Feijão Bóer
- Quinze mil toneladas métricas de feijão bóer com destino à Índia estão retidas nos portos nacionais, aguardando a permissão dos serviços alfandegários para exportação.
Os comerciantes dizem que o cenário mantém-se, apesar de vários pedidos nas últimas semanas.
“As reservas estão actualmente retidas em armazéns portuários e os comerciantes estão a suportar enormes custos de armazenamento e refumigação”, disse Suhas Chougule, director-gerente da MozGrain Lda, uma subsidiária local da Ma’aden Saudi Arabia, com sede na Beira, Moçambique.
O mais preocupante para os comerciantes é a indiferença das autoridades alfandegárias.
“Apesar de termos todos os documentos de exportação necessários de acordo com a lei, os nossos 200 contentores estão retidos. As alfândegas de Moçambique não estão a conceder permissão, nem estão a fornecer qualquer motivo”, diz, preocupado, Chougule.
A índia, com a demora da remessa, elevou os preços em quase 10 por cento, em dois meses, motivada pela redução dos estoques e consequente escassez da oferta. O facto contribui para a inflação alimentar antes das eleições estaduais deste mês e das eleições nacionais no início do próximo ano.
Os comerciantes revelaram ainda que alguns conseguiram licenças para exportarem apenas 50 mil toneladas de feijão bóer para o país asiático.
Satish Upadhyay, importador de leguminosas com sede em Mumbai, disse que atrasos nas remessas causaram um aumento de preço de $100 por tonelada nas últimas semanas.
“Moçambique está ciente de que a Índia está em extrema necessidade de feijão bóer este ano devido a uma fraca colheita local, e estão a tirar partido da situação”, comentou.
Refira-se que em Outubro último, num encontro entre o secretário de assuntos do consumidor, Rohit Kumar Singh, e o alto comissário de Moçambique em Nova Deli, Ermindo Ferreira, a Índia expressou preocupações sobre os atrasos nas remessas.
Durante a reunião, Ferreira garantiu ao responsável dos assuntos do consumir que seriam tomadas medidas necessárias para garantir o fluxo suave das exportações de feijão bóer para índia, revelou a 27 de Outubro um comunicado do Governo indiano.
“Mas a situação em Moçambique não mudou”, disse Bimal Kothari, presidente da Associação Indiana de Leguminosas e Grãos, acrescentando que “Moçambique parece estar a explorar a escassez de oferta da Índia, atrasando as remessas e mantendo a segurança alimentar da Índia como refém”.
Por outro lado, o Ministério da Agricultura, respondendo à inquietação de jornalistas, partilhou no mesmo mês (Outubro) um comunicado dando conta que havia cancelado a emissão de certificados fitossanitários para bens em processo alfandegário a partir de 22 de Setembro, após a caça de 400 documentos presumivelmente falsos ou duvidosos. Contudo, recentemente, um novo comunicado foi emitido, indicando a retoma na emissão de certificados com a adopção de novos modelos e procedimentos para evitar fraude.
A produção de feijão bóer da Índia na época 2023/24 poderá diminuir, decorrente da fraca ocorrência de chuvas em áreas-chave de cultivo nos meses de Agosto e Outubro.
Face ao cenário, de acordo com estimativas do Governo, a Índia precisará de importar 1,2 milhões de toneladas de feijão bóer no ano que termina em 31 de Março de 2024 naquele país asiático, em comparação com as 894.420 toneladas do ano anterior.
A Índia, o maior produtor e consumidor mundial de feijão bóer, depende de importações durante o último trimestre do ano antes da colheita do novo cultivo em Janeiro e mais da metade das importações de feijão bóer da Índia provêm de Moçambique.
De acordo com o Ministério da Indústria e Comércio, a Índia não impôs limites à exportação de feijão bóer para o país até Março de 2024, o que representa uma oportunidade para Moçambique aumentar seu volume de exportações. Em 2022, o Instituto de Cereais de Moçambique previu a exportação de mais de 200 mil toneladas de feijão bóer e holoco para a Índia até o final de Outubro, gerando uma receita de cerca de seis bilhões de meticais.
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