Espera-se este ano estabilização dos preços de fretes

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O Preço dos fretes marítimos deverá “estabilizar” este ano, depois de uma queda acentuada, que já chega aos 80%, mas em valores “ligeiramente acima” dos praticados antes da pan­demia em 2019, disse o presidente da Associação dos transitários de Portu­gal (APAT) à Lusa.

O presidente executivo da APAT, Antônio Nabo Martins, acredita que “os preços tendem a estabilizar” mas “ligeiramente acima do que eram an­tes da pandemia”, indicou.

“Na altura, um frete da Ásia para a Europa era de cerca de 2.000 dólares”, referiu, recordando que os armadores terão de atualizar os navios “ao que são energias mais renováveis e mais sustentáveis do ponto de vista am­biental” e que esta questão irá exigir algum investimento.

Além disso, destacou, “isso sig­nifica tirar navios do circuito”, o que desde logo implica “baixar a oferta, e ao baixar a oferta os preços vão subir”.

Em entrevista aos Negócios, António Belmar da Costa, presidente da Associação dos Agentes de Navega­ção de Portugal (Agepor) alertou para a “tempestade perfeita”, agora em sentido contrário, que se estava a for­mar com a queda abrupta dos preços, depois de estarem muito elevados du­rante a pandemia.

António Nabo Martins explicou que “o que aconteceu na primeira onda da tempestade perfeita” foi al­gum alarme “porque as companhias marítimas não estavam a conseguir dar resposta”.

“A qualidade do serviço desceu consideravelmente e passamos a ter índices de regularidade inferiores a 25%”, destacou, indicando que, por exemplo, o transporte de matéria­-prima, que poderia demorar dois ou três meses, passou a demorar sete ou oito.

Isto fez com que as empresas co­meçassem a antecipar as encomendas.

“Este aparente excesso de consumo não era real, ou seja, estavam a antecipar encomendas que iam rece­ber “a posterior”, destacou, acres­centando que voltou assim a haver acumulação de ‘stocks’ e que as em­presas não estão a precisar, por isso, de encomendar.

Além disso, a “inflação, subida dos juros e retração do consumo”, bem como os efeitos da guerra na Ucrânia, “fazem o resto” neste cená­rio.

De acordo com dados da consul­tora Drewry, referentes à semana de 22 de Dezembro, o índice de preços global de contentores desceu pelas 43. ͣ vez, em termos semanais, uma redução de 77% face à mesma sema­na de 2021.

Mas em comparação com valores de Setembro de 2021, a queda atinge os 80%, de um pico de 10.377 dóla­res por contentor para 2.120 dólares em Dezembro de 2022. Ainda assim, mantém-se 49% acima de valores de 2019.

António Nabo Martins deixou ainda críticas aos armadores. “Hou­ve muitas companhias marítimas que, com esta questão da integração vertical e a globalização completa do mercado, deixaram de cotar transitá­rios, deixaram de cotar clientes mais pequenos e começaram a ir diretamente ao mercado”, referiu, adian­tando que cm alguns casos estão a voltar a recorrer a estas empresas, por não conseguirem fidelizar clientes.

“O nosso país é de pequenos im­portadores e exportadores que não têm capacidade para negociar no mercado global e têm de recorrer ao transitário, que é quem faz a consoli­dação e a junção de virias encomen­das, para assim conseguirem ser mais competitivos”, adiantou.

Numa análise de Dezembro, a Fi­tch Ratings estimava um ano de 2023 mais complicado para a indústria do transporte marítimo, com a queda do preço dos fretes, alertando que “os lucros serão muito mais fracos este ano do que nos últimos três anos”.