
Euro Sob Pressão Após Acordo EUA-UE Desiludir Mercados
Questões-Chave:
- Moeda única caiu 1,3% na sessão anterior, maior queda em mais de dois meses;
- Acordo comercial EUA-UE considerado desequilibrado e prejudicial para a Europa;
- Alemanha e França criticam severamente o pacto liderado por Trump;
- Dólar ganha terreno, impulsionado por expectativa em torno da Fed e do BOJ.
O euro enfrentou dificuldades em recuperar as perdas acentuadas registadas na sessão anterior, depois de o novo acordo comercial entre os Estados Unidos e a União Europeia ter sido amplamente criticado por líderes europeus e visto pelos mercados como desvantajoso para o bloco europeu.
A França classificou o acordo como “um dia negro” para a Europa, argumentando que o bloco cedeu às exigências do Presidente norte-americano Donald Trump ao aceitar um pacto que impõe uma tarifa de 15% sobre bens da UE, favorecendo visivelmente os interesses comerciais dos EUA.
Também o Chanceler alemão, Friedrich Merz, alertou para os impactos “significativos” na economia alemã, sublinhando os efeitos negativos que as tarifas terão sobre os exportadores europeus e, por extensão, sobre o crescimento económico do bloco.
O euro registou uma queda de 1,3% na segunda-feira, a mais acentuada em mais de dois meses, afectado pelas preocupações com o crescimento na Zona Euro e pela descida dos rendimentos das obrigações soberanas. Na terça-feira, a moeda recuperava marginalmente 0,07%, fixando-se nos 1,1594 dólares.
“Não demorou para os mercados concluírem que, apesar de aparentemente positivo, este acordo representa, em termos absolutos, más notícias para o crescimento da Zona Euro no curto prazo”, comentou Ray Attrill, director de investigação cambial no National Australia Bank.
O recuo do euro deu novo impulso ao dólar norte-americano, que avançou 1% e forçou a libra esterlina para o nível mais baixo em dois meses, nos 1,3349 dólares. O yen japonês apreciou-se ligeiramente para 148,49 por dólar, e o índice do dólar estabilizou nos 98,67 pontos.
“A força do dólar reflecte não só a percepção de que o novo acordo favorece os EUA, mas também a sensação de que Washington está a restabelecer laços com a UE e os seus principais aliados”, afirmou Thierry Wizman, estratega de câmbios e taxas do grupo Macquarie.
Entretanto, Trump advertiu que os parceiros comerciais que não negociarem acordos separados poderão enfrentar, em breve, tarifas entre 15% e 20% nas exportações para os EUA, superando o nível de 10% aplicado de forma generalizada em Abril.
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