
Fábrica de Gás de Cozinha Será Inaugurada em Dezembro e Promete Reduzir Drasticamente as Importações
Projecto de 760 milhões de dólares em Inhassoro marca viragem na industrialização energética de Moçambique e reforça a segurança energética da região austral
Moçambique contará, a partir do próximo mês, com a primeira fábrica de produção de gás de cozinha (GPL), um empreendimento estratégico que deverá reduzir de forma significativa as importações deste combustível, fortalecer a autossuficiência energética nacional e impulsionar a industrialização da cadeia do gás natural.
Localizada em Inhassoro, província de Inhambane, a unidade representa um investimento de 760 milhões de dólares e está projectada para produzir 30 mil toneladas de Gás de Petróleo Liquefeito (GPL) por ano — o equivalente a 70% das necessidades domésticas de consumo.
Indústria do Gás Ganha Nova Dimensão na Estratégia Energética Nacional
A fábrica integra-se num esforço mais amplo do Governo para transformar os recursos naturais em produtos com maior valor acrescentado localmente, reduzindo a dependência de importações e promovendo a substituição de importações energéticas.
O projecto insere-se também na estratégia de massificação do uso do gás natural como alternativa à lenha e ao carvão vegetal, dois dos principais responsáveis pela desflorestação e degradação ambiental no país.
“Com a entrada em funcionamento desta fábrica, Moçambique dá um passo decisivo para internalizar a sua cadeia de valor do gás natural e garantir energia limpa e acessível para as famílias”, indicou uma fonte governamental ligada ao sector energético.
Além do impacto ambiental, o empreendimento cria uma nova fronteira industrial no sul de Moçambique, reforçando o papel do país como hub energético regional, num contexto de crescimento da procura de energia na África Austral.
Emprego Local e Transferência de Conhecimento Técnico
Durante a fase de construção, o projecto empregou mais de três mil trabalhadores, dos quais a maioria moçambicana.
Na fase operacional, prevê-se a criação de 120 empregos directos e 34 indirectos, com prioridade para residentes do distrito de Inhassoro.
As equipas técnicas estão a ser formadas em parceria com a Escola Técnico-Profissional local, num modelo que visa fortalecer competências nacionais em engenharia, manutenção e processamento de gás.
“O objectivo é que esta fábrica seja operada por moçambicanos e que o conhecimento técnico permaneça no país”, destacou a mesma fonte.
ENH Aumenta Presença Estratégica no Sector do Gás
A Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) lidera o projecto através da sua subsidiária ENH-Kogas, reforçando a sua posição como operador estratégico na cadeia do gás natural.
A empresa encontra-se igualmente a expandir a sua participação accionista e a aumentar o uso do gás produzido em Pande e Temane, alinhando-se com os objectivos da transição energética nacional.
A estratégia da ENH visa garantir que o gás natural moçambicano seja processado e valorizado localmente, criando sinergias entre o segmento de exploração e o de transformação industrial, com impacto directo na balança comercial e no emprego nacional.
Integração com a Nova Central de Ciclo Combinado e Infra-estrutura Eléctrica
Em paralelo ao processamento de gás, está prevista a operação da nova Central Termoeléctrica de Ciclo Combinado de Temane, com capacidade para gerar 450 megawatts (MW) — energia suficiente para reforçar a electrificação do país e da região da SADC.
Para o escoamento da carga eléctrica, foi construída uma linha de transmissão de alta tensão entre Maputo e Temane, compreendendo três subestações: em Vilankulo, Chibuto e Matalana (Maputo).
Esta interligação permitirá que a energia gerada em Temane seja integrada no Sistema Eléctrico Nacional, assegurando maior estabilidade e cobertura da rede.
Passo Decisivo para a Industrialização e Transição Energética
O arranque da fábrica de Inhassoro simboliza uma nova fase da economia moçambicana, marcada pela valorização interna dos recursos naturais, pela integração industrial e pela criação de emprego qualificado.
A médio prazo, o país poderá não apenas reduzir importações de GPL, mas também exportar excedentes para os mercados vizinhos, consolidando-se como fornecedor regional de energia limpa.
“Esta é uma transição que não é apenas energética, mas também económica”, sintetiza um analista do sector. “Significa transformar riqueza natural em valor industrial e social.”
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