
Ouro Cai Abaixo dos 4 Mil Dólares Após a China Revogar Incentivos Fiscais
- Medida de Pequim retira isenção de IVA a retalhistas e abala a procura no maior mercado mundial do metal precioso
O preço do ouro caiu abaixo dos 4 mil dólares por onça esta segunda-feira, depois de a China anunciar o fim de um benefício fiscal de longa data concedido a alguns retalhistas, medida que deverá reduzir a procura no maior mercado mundial de metais preciosos.
O ouro para entrega imediata desceu até 1% nas primeiras horas da sessão asiática, antes de recuperar parte das perdas. A queda foi acompanhada por um forte recuo nas acções de joalharias chinesas, com o Chow Tai Fook Jewellery Group a perder 12% em Hong Kong, a Chow Sang Sang Holdings a recuar 8%, e a Laopu Gold Co. a desvalorizar 9%.
Pequim Revoga Isenção Fiscal que Favorecia o Retalho
O anúncio, feito no sábado, indica que Pequim deixará de permitir que certos retalhistas deduzam o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) quando vendem ouro adquirido nas bolsas de Xangai — a Shanghai Gold Exchange e a Shanghai Futures Exchange —, seja de forma directa ou após transformação.
A medida altera significativamente o quadro fiscal do sector. Até agora, a maioria das empresas podia compensar 13% de IVA sobre o custo do ouro comprado. Com a nova regra, válida até 2027, a dedução cai para 6%, e apenas membros das bolsas de Xangai manterão o incentivo total — e apenas quando o ouro for vendido como activo de investimento.
Para as empresas que fabricam joalharia ou produtos industriais, o benefício é agora limitado, afectando as margens e pressionando os preços no retalho. Segundo o Citigroup, “toda a indústria deverá repercutir este aumento de custos nos consumidores”.
Mercado Reage com Volatilidade e Sinais de Correcção Técnica
O ouro físico, que chegou a atingir 4.380 dólares por onça em Outubro — o valor mais alto de sempre —, tem vindo a corrigir nas últimas sessões, num movimento que os analistas descrevem como uma “reposição técnica após uma euforia excessiva”.
Apesar da queda, o metal precioso mantém uma valorização superior a 50% desde o início do ano, sustentado pela procura de bancos centrais, pelo interesse de investidores institucionais e pelo chamado “debasement trade”, que consiste em fugir da dívida soberana e das moedas fiduciárias como protecção contra défices orçamentais elevados.
“As mudanças fiscais na China poderão não ter sido determinantes no rali recorde deste ano, mas certamente irão afectar o sentimento global”, afirmou Adrian Ash, Director de Investigação da BullionVault. “Para alguns investidores, esta notícia poderá até ser bem-vinda, abrindo espaço para uma correcção mais profunda após o pico de Outubro.”
Ouro Entra em Fase de Consolidação e Ajustamento
O mercado de ouro apresenta agora sinais de ajustamento técnico. Analistas da Oversea-Chinese Banking Corp. afirmam que “o ouro está a consolidar entre 3.920 e 4.020 dólares por onça”, uma faixa que poderá servir de base para uma nova valorização.
A correcção coincide com uma redução nas participações de fundos cotados (ETFs) baseados em ouro, que registaram a maior saída diária em cinco meses, segundo dados da Bloomberg.
O ambiente internacional também contribui para a pressão sobre o metal. Após a decisão do Federal Reserve de cortar as taxas de juro em 0,25 pontos percentuais, o presidente Jerome Powell afirmou que não há garantias de um novo corte em Dezembro, reforçando a percepção de que as taxas poderão permanecer elevadas por mais tempo — um cenário tipicamente desfavorável para activos sem rendimento como o ouro.
Mercado Global Acompanha Mudanças nas Relações EUA-China
A recente moderação nas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China também contribuiu para uma menor procura por activos-refúgio.
O Presidente norte-americano Donald Trump declarou esperar uma redução das tarifas sobre produtos chineses e a realização de um encontro com Xi Jinping para discutir questões comerciais e tecnológicas, incluindo os chips de inteligência artificial da Nvidia.
Ainda assim, o ouro permanece 55% acima do valor registado no início do ano, continuando a ser visto como um dos principais activos de cobertura contra riscos fiscais e geopolíticos.
“Depois de uma subida vertiginosa, o ouro comporta-se agora como um elástico que foi esticado em demasia e começa a recuar”, observou Hebe Chen, analista da Vantage Global Prime. “Mas a procura de refúgio e o argumento do ‘debasement trade’ continuam intactos.”
Pressão Fiscal e Fim dos Benefícios Alargam o Horizonte de Incerteza
A decisão de Pequim de eliminar o benefício fiscal ao retalho introduz um novo factor de instabilidade num mercado já sobreaquecido.
Embora a descida abaixo dos 4 mil dólares possa representar uma pausa técnica, os fundamentos que sustentam o ouro — procura institucional, políticas monetárias voláteis e incerteza geopolítica — continuam a apoiar a sua valorização no médio prazo.
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