Questões-Chave:

  • A Finana produz 500 quilos de farinha de banana por dia e exporta para a Europa e Ásia;
  • Fundada por Filomena Matimbe, a empresa é exemplo de inovação social e económica em Moçambique;
  • 95% da banana utilizada provém de pequenos agricultores, promovendo inclusão e sustentabilidade rural;
  • A empresa venceu prémios internacionais, incluindo a Medalha de Ouro no Fórum Mundial de Inventores e o Prémio SANBio;
  • Com apoio do PROMOVE Comércio, a Finana melhorou processos e embalagens, mas continua a enfrentar desafios estruturais.

Com uma década de existência, a Finana não é apenas uma empresa agroindustrial moçambicana: é uma história de resiliência e inovação que transformou o desperdício agrícola num produto de valor nutritivo, com reconhecimento internacional e impacto directo nas comunidades produtoras. Liderada por Filomena Matimbe, a empresa tornou-se uma referência no agroprocessamento em África.

Tudo começou em Chimoio, quando Filomena Matimbe, então estudante de mestrado e profissional de saúde, se deparou com o desperdício sistemático da banana numa das regiões mais férteis do país. Com ousadia, lançou a primeira produção artesanal de farinha de banana, com o objectivo de criar valor e combater a insegurança alimentar.

Em 10 anos, a Finana evoluiu para uma fábrica com capacidade de processar 500 quilos por dia, com exportações para a Europa e Ásia. A matéria-prima provém de pequenos produtores da Manhiça, província de Maputo e Gaza — uma cadeia de fornecimento que garante a inclusão económica de centenas de agricultores. São adquiridas 3 a 4 toneladas de banana por mês, aproveitando 100% do fruto e evitando desperdício.

A farinha de banana, versátil e com validade de até dois anos, é vendida em cerca de 30 supermercados e comprada por ONGs que a distribuem em escolas e hospitais. A linha de produtos inclui versões simples, integrais, com castanha e biscoitos. Especialistas internacionais testaram e aprovaram a sua qualidade nutricional, inclusive em Itália.

A marca já arrecadou distinções como a Medalha de Ouro no II Fórum Mundial de Inventores e Inovadores e o Prémio SANBio, colocando Moçambique no radar da inovação alimentar sustentável. A embalagem e identidade visual do produto têm desempenhado um papel crucial na aceitação internacional.

Contudo, os desafios persistem. A empresa carece de equipamentos especializados, como uma máquina de corte de 11 mil dólares, e já enfrentou secas severas e impactos da pandemia de covid-19, que reduziram a equipa de produção de 14 para 9 colaboradores e obrigaram à relocalização da unidade fabril da Manhiça para Maputo.

O apoio do programa PROMOVE Comércio foi determinante: possibilitou a aquisição de uma máquina de secagem que melhorou significativamente o processo produtivo. Mas, segundo Filomena, ainda são necessárias políticas e mecanismos adequados para apoiar empreendimentos liderados por mulheres.

A ambição agora é regressar à província de Manica, onde o sonho nasceu, e instalar uma nova fábrica com capacidade ampliada. “Transformámos bananas em farinha, e a farinha em esperança”, afirma Filomena. A Finana é mais do que um negócio — é um legado de transformação social, inclusão e empreendedorismo feminino africano.

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