
FMI Destaca que Ausência de Retaliação às Tarifas de Trump Sustém a Resiliência Económica Global
Kristalina Georgieva afirma que a contenção dos países face às medidas tarifárias dos EUA tem evitado uma escalada prejudicial e contribuído para a manutenção do comércio internacional.
- A Directora-Geral do FMI, Kristalina Georgieva, elogiou a decisão de vários países de não retaliar às tarifas impostas pelos EUA, evitando uma guerra comercial global;
- O FMI reviu em alta o crescimento global para 3,2% em 2025, apoiado em menores tarifas efectivas e maior agilidade empresarial;
- O impacto real das tarifas norte-americanas caiu para entre 9% e 10%, bem abaixo dos 23% inicialmente estimados;
- Georgieva alertou, contudo, para riscos de sobrevalorização nos mercados, em especial no sector tecnológico;
- O boom do investimento em inteligência artificial (IA) poderá impulsionar a produtividade global, mas representa uma “aposta de alto risco”.
A Directora-Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que a ausência de retaliação internacional às tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos tem sido um factor determinante para a resiliência da economia global.
Falando em Washington, à margem das Reuniões Anuais do FMI e Banco Mundial, Georgieva sublinhou que a contenção dos países evitou uma “debilitante escalada tarifária”, preservando as regras do comércio internacional e a confiança dos mercados.
Política de Contenção Evitou Uma Nova Guerra Comercial
“O mundo, até agora — e sublinho, até agora — optou por não retaliar e por continuar a comerciar segundo as regras que existiam. Isso evitou uma escalada debilitante de tarifas”, declarou Georgieva.
O FMI estima que esta postura, combinada com uma redução efectiva das tarifas impostas pelos EUA, tenha amortecido o impacto das tensões comerciais e sustentado o dinamismo global.
Com esse alívio, o Fundo revê em alta o crescimento mundial para 3,2% em 2025, face aos 3,0% estimados em Julho, e projecta 3,1% para 2026, segundo o World Economic Outlook.
Impacto Tarifário Cai para Metade e Sustenta o Comércio Global
Embora as tarifas anunciadas por Donald Trump em Abril previssem uma taxa média de 23%, negociações posteriores com a União Europeia, Japão e outros parceiros reduziram o impacto para 17,5%.
Na prática, o valor real cobrado — após isenções e ajustes administrativos — situa-se entre 9% e 10%, o que representa menos de metade do fardo inicialmente previsto.
“O peso efectivo das tarifas é mais de duas vezes inferior ao que esperávamos”, afirmou Georgieva, acrescentando que a flexibilidade e o pragmatismo nas negociações permitiram que a economia global continuasse a expandir-se de forma equilibrada.
Empresas Ajustam Estratégias e Reduzem o Choque Comercial
O FMI reconhece que a capacidade de adaptação das empresas foi decisiva para atenuar os efeitos do proteccionismo.
Muitas companhias anteciparam importações, diversificaram fornecedores e redesenharam cadeias de valor, reduzindo o impacto directo das tarifas sobre os custos e a produtividade.
“As empresas reagiram rapidamente, ajustando-se para evitar os piores efeitos”, observou Georgieva, elogiando o papel do sector privado na preservação do comércio e da confiança.
Riscos no Horizonte: Mercados Inflacionados e Aposta em IA
Apesar do cenário mais benigno, o FMI alerta que a resiliência global poderá ser testada por riscos financeiros e tecnológicos emergentes.
Georgieva advertiu que as valorizações excessivas dos mercados, especialmente no sector tecnológico, e o entusiasmo em torno da inteligência artificial (IA), representam novas fontes de vulnerabilidade.
“A inteligência artificial é uma grande aposta. Se der certo, resolveremos o problema do baixo crescimento. Mas, se falhar, poderemos enfrentar um novo ciclo de instabilidade”, afirmou a líder do FMI.
O economista-chefe do Fundo, Pierre-Olivier Gourinchas, comparou o actual boom tecnológico à bolha das “dotcom” de 2000, embora com menor dependência da dívida, o que reduziria o risco sistémico.
Equilíbrio Frágil e Lições de Prudência
A leitura do FMI é clara: a contenção, a cooperação e o pragmatismo económico têm permitido manter a economia mundial em trajectória de crescimento.
No entanto, o equilíbrio é frágil. A ausência de retaliação às tarifas norte-americanas é um alívio temporário, e a manutenção da estabilidade dependerá da moderação política e da prudência financeira.
“A economia global provou ser mais resiliente do que o esperado. Mas não devemos testar os seus limites”, concluiu Georgieva.
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