
Governo Defende Monetização da Quota Nacional de Gás no Projecto Coral Norte
Lançamento do casco da unidade FLNG na Coreia do Sul reforça pressão para criação de indústrias domésticas capazes de absorver os 25% reservados ao Estado
- Moçambique dispõe de uma quota de 25% do gás do Coral Norte destinada ao mercado doméstico;
- Governo admite que a ausência de indústrias limita a monetização interna do gás e dos condensados;
- Coral Norte FLNG é considerado um marco estratégico na afirmação do país como produtor responsável de gás;
- Arranque operacional do projecto está projectado para 2028.
Moçambique precisa de acelerar a criação de soluções económicas e industriais que permitam monetizar a quota nacional de gás natural reservada no projecto Coral Norte FLNG, sob pena de continuar dependente da exportação de recursos sem captura plena de valor interno. A posição foi reafirmada pelo Ministro dos Recursos Minerais e Energia, Estêvão Pale, à margem da cerimónia de lançamento ao mar do casco da futura plataforma flutuante, realizada na Coreia do Sul.
Quota doméstica existe, mas falta capacidade de absorção
De acordo com o plano de desenvolvimento aprovado pelo Governo em Abril de 2025, 25% do gás produzido pelo Coral Norte FLNG, bem como a totalidade dos condensados, estão reservados ao mercado doméstico. Essa quota será canalizada através da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), enquanto braço empresarial do Estado no sector.
Contudo, o próprio Executivo reconhece que a inexistência de infra-estruturas industriais e energéticas capazes de absorver este volume continua a ser o principal entrave à monetização interna. Na ausência dessas condições, parte relevante dos condensados deverá ser exportada, permitindo alguma arrecadação de receitas fiscais, mas sem o impacto transformador desejado na economia nacional.
Coral Norte como teste à estratégia de desenvolvimento
O Coral Norte FLNG, liderado pela Eni e parceiros da Área 4 da Bacia do Rovuma, é visto pelo Governo como um projecto-âncora para consolidar a credibilidade de Moçambique no mercado internacional de gás natural. O lançamento do casco nos estaleiros da Samsung Heavy Industries marca a conclusão da infra-estrutura principal da unidade flutuante e o início da fase de integração dos sistemas de produção e processamento.
Para o Executivo, este momento representa mais do que um avanço técnico: simboliza um ponto de viragem na trajectória do país como produtor fiável de energia, num contexto global de transição energética e de crescente escrutínio sobre segurança de fornecimento.
Arranque em 2028 e confiança dos parceiros
Durante a cerimónia, o Director-Geral das Operações da Eni, Guido Brusco, garantiu que os trabalhos de construção, comissionamento e integração do Coral Norte estão a decorrer de acordo com o calendário definido, apontando para o início das operações em 2028.
A petrolífera italiana sublinha que o projecto reflecte as suas competências distintivas em pesquisa e desenvolvimento de soluções FLNG, permitindo colocar em produção grandes volumes de gás natural em prazos considerados competitivos à escala global.
Entre exportação e industrialização
O Coral Norte volta a expor um dilema estrutural da economia moçambicana: exportar recursos para gerar receitas no curto prazo ou investir na industrialização para maximizar valor no médio e longo prazo. A reserva de 25% do gás para o mercado doméstico constitui, em teoria, uma poderosa alavanca para a indústria, energia, fertilizantes e petroquímica.
Na prática, porém, a ausência de investimentos complementares em infra-estruturas, financiamento e políticas industriais coerentes mantém o país num ponto crítico, em que o sucesso dos grandes projectos de gás não se traduz automaticamente em transformação económica abrangente.
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