Industrialização permanece estagnada e com um quadro sombrio, revela relatório do inquérito às indústrias manufactureiras

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  • O ambiente empresarial em que as empresas manufactureiras operam tem piorado ou permanecido o mesmo ao longo do tempo;
  • O não cumprimento dos objectivos políticos estabelecidos há mais de 20 anos e a estagnação ou agravamento de muitas condições em que as empresas manufactureiras operam conduzem à necessidade de considerar políticas e programas renovados para apoiar as empresas.

O estudo constata que desde a década de 1990, o Governo tem promovido uma estratégia industrial e elaborado políticas que visam melhorar as condições para as empresas manufactureiras, contudo, a industrialização está, de acordo com as conclusões deste relatório, na melhor das hipóteses, estagnada.

Cada um dos capítulos do relatório analisa um assunto específico e, no geral, ilustra que os objectivos políticos do Governo relacionados com esse mesmo assunto específico encontram-se, no geral, longe da realidade de Moçambique actual.

“A maioria dos objectivos estabelecidos na década de 1990 não foram alcançados até 2022. A par de alguns grandes projectos industriais, a maioria das empresas estão concentradas nas mesmas indústrias e realizam trabalhos manuais básicos sem acrescentar muito valor. A maioria das microempresas parece estar presa a um equilíbrio de baixo nível, do qual é um desafio escapar. Consequentemente, o quadro geral é bastante sombrio, mas também delineamos vários desenvolvimentos positivos.” Lê-se no relatório.

O relatório indica que o ambiente empresarial em que as empresas manufactureiras operam tem piorado ou permanecido o mesmo ao longo do tempo.

“As empresas passam muito tempo a lidar com processos burocráticos, a informalidade é mais elevada em 2022 do que em 2012, e a incidência do pagamento de subornos aumentou”. Diz

Moçambique tem ainda um longo caminho a percorrer. Numa perspectiva positiva, parece haver uma dinâmica algo positiva no sector produtivo moçambicano, no sentido em que empresas mais jovens e mais produtivas substituem as empresas que fecham. No entanto, as diferenças de produtividade entre empresas moribundas e novas empresas são bastante pequenas, ou seja, existe uma grande margem para melhorias.

Com uma população crescente de jovens à procura de emprego, o objectivo de Moçambique é criar muito mais empregos decentes no sector formal, refere o estudo, para, no entanto, constatar que a criação de emprego não está a acontecer entre as empresas manufactureiras que estão em funcionamento há mais de uma década.

“Pelo contrário, havia menos empregos neste sector em 2022 do que em 2012”.  O número de postos de trabalho disponíveis diminuiu fortemente. Especificamente, as 355 empresas perderam quase 2.500 postos de trabalho em 10 anos, e as novas empresas não substituem totalmente os postos de trabalho perdidos.

Globalmente, o relatório apoia a observação de que o sector manufactureiro continua a ser potencialmente instrumental para o crescimento económico de Moçambique. Contudo, o não cumprimento dos objectivos políticos estabelecidos há mais de 20 anos e a estagnação ou agravamento de muitas condições em que as empresas manufactureiras operam conduzem à necessidade de considerar políticas e programas renovados para apoiar as empresas e, em última análise, aumentar o crescimento económico.

O Relatório do Inquérito às Indústrias Manufactureiras Moçambicanas é um estudo cujo objectivo é fornecer uma descrição estatística e uma análise da dinâmica empresarial nos sectores informal e formal da indústria manufactureira moçambicana ao longo dos últimos 10 anos (2012 a 2022), com base na informação detalhada de três rondas de inquérito (2012, 2017, 2022) com um total de 1.056 empresas manufactureiras, descrevendo tendências e questões relevantes para o sector manufactureiro como um todo.

O Ministério da Economia e Finanças (MEF) através da Direcção Nacional de Políticas Económicas e Desenvolvimento (DNPED), em parceria com o Centro de Estudos de Economia e de Gestão (CEEG) da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), Universidade de Copenhaga (UCPH), e a UNE-WIDER, realizaram o estudo cujos resultados estão expostos no documento designado de “Relatório do Inquérito às Indústrias Manufactureiras Moçambicanas (IIM 2022)”,  enquadrado no Programa Crescimento Inclusivo em Moçambique (IGM).

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