Inflação Acelera Para 0,68% em Agosto e Pressiona Custos de Vida em Moçambique

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Questões-Chave:
  • Inflação mensal em Agosto fixou-se em 0,68%, puxada por aumentos em produtos alimentares de grande consumo;
  • Inflação acumulada de Janeiro a Agosto é de 1,66%, enquanto a homóloga atingiu 4,79%;
  • Principais pressões inflacionárias vieram do peixe seco (+30,2%), milho em grão (+11,3%), alho (+20,3%) e batata-reno (+9,9%);
  • Alguns produtos ajudaram a travar subidas, como feijão nhemba (–5,8%), repolho (–5,2%), couve (–4,1%) e carvão vegetal (–3,0%);
  • No plano regional, apenas Xai-Xai registou queda mensal (–0,09%), ao passo que Quelimane (+3,76%) e Tete (+1,44%) foram as cidades mais pressionadas;
  • Em termos homólogos, Tete (+8,74%) e Quelimane (+6,11%) lideraram os aumentos, contrastando com Maputo (+3,72%) e Beira (+3,98%), abaixo da média nacional.

O Índice de Preços no Consumidor (IPC) revelou uma aceleração da inflação em Moçambique, com uma variação mensal de 0,68% em Agosto, impulsionada essencialmente pelos custos dos alimentos. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma inflação homóloga de 4,79%, reforçando os desafios do poder de compra das famílias, sobretudo em algumas regiões do país onde as pressões sobre os preços foram mais intensas.

A evolução dos preços em Agosto confirma o peso estrutural da alimentação e bebidas não alcoólicas na formação da inflação em Moçambique. Produtos de consumo básico como o peixe seco, com uma variação de +30,2%, e o milho em grão, que subiu +11,3%, lideraram os aumentos. O alho (+20,3%), a batata-reno (+9,9%), o quiabo (+10,2%) e o camarão seco (+6,3%) também se destacaram, acrescentando cerca de 0,69 pontos percentuais (pp) à inflação mensal.

Por outro lado, alguns produtos contribuíram para amortecer a pressão inflacionária, nomeadamente o feijão nhemba (–5,8%), o repolho (–5,2%), a couve (–4,1%), a farinha de milho (–1,7%) e o carvão vegetal (–3,0%), cuja descida conjunta retirou cerca de 0,15pp à variação mensal.

No acumulado de Janeiro a Agosto de 2025, a inflação atingiu 1,66%, sendo mais uma vez os produtos alimentares os principais responsáveis, com destaque para o peixe seco, o pão de trigo, o arroz em grão e as refeições completas em restaurantes. Estes, no seu conjunto, adicionaram 1,53pp ao indicador acumulado.

Em termos homólogos, a inflação acelerou para 4,79%, comparando com Agosto de 2024. As divisões de alimentação e bebidas não alcoólicas (+11,91%) e restaurantes e hotéis (+9,01%) foram as que mais pressionaram o índice, demonstrando a relevância crescente dos custos alimentares e dos serviços de restauração no orçamento das famílias.

Dinâmica Regional

O comportamento dos preços não foi uniforme no território nacional. Dos oito centros de recolha analisados, apenas Xai-Xai registou uma queda de –0,09% nos preços em Agosto. Todas as restantes cidades assinalaram subidas, com destaque para Quelimane (+3,76%) e Tete (+1,44%), que evidenciam fortes pressões inflacionárias regionais.

No acumulado anual, Tete também lidera com +4,93%, seguida por Quelimane (+3,71%) e Inhambane (+1,94%). Por outro lado, Nampula (+0,32%) e Maputo (+0,63%) registaram as variações mais baixas, ilustrando diferenças significativas no comportamento dos preços entre centros urbanos.

A nível homólogo, o destaque recai igualmente sobre Tete (+8,74%), bem acima da média nacional, seguida de Quelimane (+6,11%) e Xai-Xai (+5,43%). Já as cidades de Maputo (+3,72%) e da Beira (+3,98%) permaneceram abaixo da média do país, denotando algum alívio relativo em comparação com as regiões mais pressionadas.

Este quadro demonstra que a trajectória inflacionária em Moçambique continua fortemente condicionada pela evolução dos preços alimentares e por dinâmicas regionais diferenciadas. O controlo da inflação dependerá, em grande medida, da estabilidade dos mercados agrícolas e da capacidade logística de abastecimento, num contexto em que choques climáticos e custos de importação permanecem como riscos latentes.

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