
Ouro Consolida Após Máximos Históricos Enquanto Mercados Aguardam Dados da Inflação nos EUA
- Ouro recua ligeiramente após atingir o recorde de US$ 3.673,95 por onça;
- Investidores aguardam os dados do Índice de Preços no Consumidor (CPI) norte-americano, que poderão redefinir expectativas de corte de juros pela Fed;
- Preços no produtor (PPI) caíram em Agosto, reforçando a perspectiva de afrouxamento monetário;
- Mercado antecipa corte de 25 pontos base na taxa de juro na próxima reunião da Reserva Federal, com uma pequena possibilidade de 50 pontos base;
- Movimento do ouro permanece condicionado pela evolução do dólar e pela percepção de risco inflacionário nos EUA.
O ouro registou uma ligeira correcção esta quinta-feira, mantendo-se próximo dos máximos históricos alcançados no início da semana, enquanto os investidores centram atenções nos dados da inflação ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. O resultado da publicação poderá redefinir o calendário e a intensidade dos cortes de juros pela Reserva Federal (Fed), num contexto de expectativas crescentes de afrouxamento monetário.
O preço do ouro no mercado à vista recuava 0,2% para US$ 3.632,48 por onça, às 06h21 GMT desta quinta-feira, depois de ter atingido na terça-feira o recorde de US$ 3.673,95. Já os contratos futuros de Dezembro caíam 0,3% para US$ 3.669,80.
Segundo Ilya Spivak, director de macro global da Tastylive, “o ouro parece estar a consolidar os ganhos recentes enquanto os mercados aguardam os dados do CPI dos EUA e o que isso significará para as expectativas de cortes de taxas pela Fed”.
O contexto favorável à procura de activos não remunerados como o ouro decorre do enfraquecimento da economia norte-americana. O Índice de Preços no Produtor (PPI) caiu inesperadamente em Agosto, reflectindo margens mais baixas nos serviços de comércio e apenas aumentos modestos nos custos de bens. Além disso, dados do mercado laboral revelaram uma revisão em baixa significativa, com menos 911 mil empregos criados no período até Março do corrente ano, aumentando as expectativas de uma trajectória mais dovish da política monetária.
Os analistas aguardam agora a publicação do CPI de Agosto, prevista para as 12h30 GMT, com projecções a apontarem para um aumento mensal de 0,3%, acima dos 0,2% registados em Julho. Em termos anuais, o índice deverá ter subido para 2,9%, face aos 2,7% do mês anterior. Paralelamente, também serão divulgados os números semanais de pedidos de subsídio de desemprego, indicadores que poderão reforçar a leitura do estado actual da economia.
O mercado dá quase como garantido que a Reserva Federal avançará com um corte de 25 pontos base na reunião da próxima quarta-feira, embora o CME FedWatch Tool revele que alguns investidores ainda consideram a hipótese de um corte mais agressivo de 50 pontos base.
Spivak adverte, contudo, que um relatório de inflação mais elevado do que o esperado poderá impulsionar o dólar e pressionar o ouro no curto prazo: “As perdas podem ser limitadas, já que os mercados dificilmente abandonarão as apostas de corte de taxas, ainda que as empurrem mais para o futuro”.
A relação inversa entre o ouro e as taxas de juro permanece no centro da equação: juros mais baixos reduzem o custo de oportunidade de deter o metal precioso, reforçando a sua atractividade como reserva de valor.
No mercado paralelo dos metais preciosos, a prata descia 0,3% para US$ 41,07 por onça, a platina recuava 0,2% para US$ 1.383,10, enquanto o paládio avançava 0,3% para US$ 1.175,86.
O movimento de consolidação do ouro reflecte, assim, um mercado em compasso de espera, com os investidores a equilibrarem os sinais mistos de inflação e emprego com a expectativa quase consensual de que a Fed entrará numa nova fase de flexibilização monetária.
















