Investagro Processa Até 30 Toneladas De Hortícolas E Liga Produtores Ao Retalho

0
51
  • Através do Centro de Agregação e Valorização Agrícola, a empresa compra, selecciona, prepara e embala produtos das zonas verdes de Maputo, Matola, Boane, Moamba e Namaacha. A modernização da unidade poderá ampliar a capacidade, reduzir perdas pós-colheita e integrar mais agricultores no mercado formal.
Questões-Chave:
  • A unidade processa entre 20 e 30 toneladas de hortícolas por mês, provenientes principalmente da cidade e província de Maputo;
  • A cadeia envolve aproximadamente 22 trabalhadores nas actividades de produção, agregação, preparação e processamento;
  • Os produtos são comercializados numa rede de 13 lojas, em outros cinco supermercados, hotéis e restaurantes;
  • A empresa utiliza produtores de Namaacha para compensar a escassez provocada pelas chuvas e inundações nas zonas verdes de Maputo;
  • A classificação dos produtos por qualidade permite abastecer diferentes mercados e reduzir o desperdício;
  • A próxima fase prevê investimento em máquinas de lavagem, secagem e embalagem para aumentar a produtividade e melhorar a apresentação dos produtos;

A Investagro está a desenvolver uma cadeia de agregação e processamento de hortícolas destinada a ligar produtores das zonas verdes de Maputo ao retalho formal, hotelaria e restauração, procurando reduzir perdas pós-colheita e acrescentar valor à produção agrícola nacional.

Através do Centro de Agregação e Valorização Agrícola, conhecido pela sigla CAVA, a empresa recebe, selecciona, prepara e embala entre 20 e 30 toneladas de produtos por mês.

A Investagro gere participações em agregadores agrícolas, incluindo o CAVA em Maputo e a AgriDev em Nhamatanda. O modelo procura concentrar a produção proveniente de diferentes agricultores, assegurar padrões de qualidade e organizar volumes compatíveis com as necessidades de supermercados, hotéis e restaurantes.

A unidade instalada na cidade de Maputo funciona desde 2018 e trabalha com produtores das zonas verdes de Maputo e Matola, assim como de Boane, Moamba, Namaacha e outros pontos da província.

A cadeia envolve actualmente cerca de 22 trabalhadores, distribuídos entre actividades de campo, recepção, selecção, preparação e processamento.

Agregação Liga Produção Dispersa A Grandes Compradores

Um dos principais desafios dos pequenos agricultores está na diferença entre a escala individual de produção e os volumes exigidos pelos grandes compradores.

Um produtor pode dispor de hortícolas de qualidade, mas não possuir quantidade suficiente para abastecer regularmente uma cadeia de supermercados. Também pode enfrentar dificuldades de transporte, acondicionamento, negociação e cumprimento dos calendários de entrega.

O agregador procura resolver esta limitação, combinando a produção de vários agricultores e organizando-a de acordo com as encomendas do mercado.

Almira Langa, gestora da unidade, explicou que a empresa coordena directamente com os produtores para assegurar que os produtos chegam ao centro de processamento em função das necessidades comerciais.

A produção inclui ervas aromáticas, salsa, coentros, couves, tomate, pepino e outros hortícolas destinados a diferentes segmentos.

Ao organizar previamente as encomendas, a unidade pode indicar aos agricultores que produtos são necessários, em que quantidade, com que qualidade e dentro de que período.

Este mecanismo reduz o risco de produzir sem comprador identificado, embora não elimine as oscilações provocadas pelo clima, pela concorrência informal e pelas mudanças na procura.

Embalagem Permitiu Entrada No Retalho Formal

A adopção de embalagens próprias resultou das exigências dos supermercados e da procura por formatos de comercialização mais adequados ao retalho moderno.

Inicialmente, os produtos eram vendidos de forma convencional. A entrada em novos canais de distribuição obrigou a empresa a procurar referências internacionais, identificar fornecedores de embalagens e desenvolver uma apresentação própria.

A embalagem desempenha várias funções económicas. Protege o produto, facilita o transporte, melhora a identificação, permite incluir informação comercial e aumenta a confiança do comprador.

Também diferencia os hortícolas processados da produção vendida a granel, criando condições para uma remuneração superior.

O valor acrescentado não resulta apenas do material utilizado. Inclui selecção, limpeza, padronização, preparação, acondicionamento, marca, logística e cumprimento dos requisitos do cliente.

Para os produtores, a existência desta etapa intermédia pode abrir acesso a mercados que dificilmente seriam alcançados através da venda individual.

Unidade Abastece Supermercados, Hotéis E Restaurantes

A unidade abastece uma cadeia de supermercados com 13 lojas, outros cinco estabelecimentos comerciais, hotéis e restaurantes na cidade e província de Maputo.

Estes compradores representam um mercado mais estruturado, mas também exigem fornecimento regular, qualidade homogénea, apresentação adequada e capacidade de resposta a encomendas.

A relação com este segmento pode proporcionar maior previsibilidade às vendas. Contudo, também aumenta a necessidade de capital circulante, porque a empresa precisa de comprar aos produtores, processar, embalar e entregar antes de receber o pagamento de determinados clientes.

O crescimento da actividade exigirá, portanto, não apenas equipamento, mas financiamento das operações, gestão de inventários e negociação de prazos comerciais compatíveis com a capacidade financeira da unidade.

A concentração das vendas num número reduzido de cadeias também constitui um risco. A diversificação entre supermercados, hotelaria, restauração, mercados grossistas e clientes institucionais pode reduzir a dependência de compradores específicos.

Procura E Oferta Variam Ao Longo Do Ano

A disponibilidade de hortícolas e a procura do retalho não permanecem constantes durante o ano.

Na época quente, a produção tende a diminuir, enquanto os supermercados procuram fornecedores capazes de assegurar volumes regulares. Neste período, a unidade enfrenta maior procura e menor disponibilidade de matéria-prima.

Durante a época fresca, a oferta aumenta e pode exceder a capacidade imediata de absorção dos compradores, reduzindo os preços pagos aos produtores e elevando o risco de desperdício.

Esta diferença sazonal mostra a importância da coordenação entre produção e mercado. Se vários agricultores cultivarem simultaneamente o mesmo produto sem informação sobre a procura, podem ocorrer excedentes e quedas acentuadas dos preços.

A empresa pode reduzir esta exposição através do planeamento das culturas, diversificação geográfica, contratos de fornecimento, informação comercial e desenvolvimento de produtos com maior período de conservação.

Namaacha Reduz Exposição Às Inundações

As chuvas e inundações constituem um dos principais riscos para a produção nas zonas verdes de Maputo e Matola.

Alguns campos já perderam praticamente toda a produção durante períodos de precipitação intensa, criando escassez para a unidade de processamento e dificuldades no cumprimento das encomendas.

Para reduzir este risco, a empresa ampliou a ligação com produtores de Namaacha. A maior altitude e as condições agroclimáticas diferentes permitem que o distrito funcione como fonte alternativa quando as zonas mais baixas são afectadas.

A diversificação territorial constitui uma forma de gestão do risco climático. Quando a produção está distribuída por locais com diferentes regimes de chuva, temperatura e altitude, a ocorrência de um choque numa zona não interrompe necessariamente toda a cadeia.

O modelo também pode ser utilizado para organizar calendários complementares de produção. Determinadas culturas podem ser plantadas em períodos distintos, permitindo maior regularidade do abastecimento.

Esta estratégia exige, porém, logística eficiente. Quanto maior for a distância entre o produtor e o centro de processamento, maior será a necessidade de transporte adequado e coordenação dos horários de colheita e entrega.

Compras Regulares Criam Previsibilidade Para Agricultores

A relação com os produtores inclui compras regulares, coordenação da produção e assistência desde a sementeira até à colheita.

Segundo Almira Langa, alguns agricultores mantêm uma relação estável com o CAVA porque a unidade compra ao longo de todo o ano, durante praticamente todos os dias da semana.

Esta continuidade pode proporcionar aos produtores maior segurança do que a venda ocasional. Também permite planear as culturas com base numa expectativa comercial mais clara.

A empresa enfrenta, contudo, a concorrência de compradores informais, que podem apresentar propostas imediatas quando os preços sobem ou existe escassez.

Para manter os fornecedores, o agregador precisa de oferecer vantagens para além do preço pago num único dia. Regularidade das compras, assistência técnica, acesso a sementes, informação de mercado, transparência na classificação e cumprimento dos pagamentos podem sustentar relações de longo prazo.

Contratos demasiado rígidos poderão ser pouco atractivos para os agricultores quando o preço no mercado informal aumenta. Em contrapartida, acordos pouco definidos podem deixar a empresa sem produto nos períodos de maior procura.

O equilíbrio exige mecanismos de formação de preços capazes de acompanhar o mercado e, simultaneamente, remunerar os serviços de agregação e processamento.

Classificação Por Qualidade Reduz Perdas

A unidade procura aproveitar diferentes categorias de produtos, evitando que todos os hortícolas sejam avaliados apenas pelos padrões mais exigentes dos supermercados.

Os produtos de primeira qualidade são encaminhados para o retalho formal. Os de segunda e terceira categorias podem abastecer outros mercados ou ser utilizados em formatos de transformação compatíveis com as suas características.

Esta segmentação permite absorver uma parcela maior da produção dos agricultores. Um tomate que não apresenta dimensão ou aspecto adequados para uma prateleira pode continuar apto para restauração, produção de molho ou venda em mercados com requisitos diferentes.

Os resíduos sem utilização comercial são encaminhados para os campos e utilizados como matéria orgânica.

A afirmação de que não existe desperdício deve ser entendida como objectivo operacional de aproveitamento integral. A medição rigorosa exigiria registos das quantidades recebidas, comercializadas, transformadas, devolvidas ao campo e efectivamente perdidas ao longo do processo.

Estes indicadores ajudariam a empresa a identificar produtos com maiores perdas e a avaliar a rentabilidade de novos investimentos.

Tecnologia Pode Elevar Capacidade E Padronização

Grande parte da lavagem, secagem, preparação e embalagem ainda é realizada manualmente. A empresa pretende adquirir equipamentos que automatizem algumas destas etapas.

Entre as prioridades encontram-se máquinas de lavagem e secagem, assim como soluções para diversificar os formatos de embalagem.

A mecanização pode aumentar o volume processado por trabalhador, reduzir o tempo entre recepção e expedição e assegurar maior uniformidade.

A secagem adequada depois da lavagem também é importante para evitar humidade excessiva dentro das embalagens, que pode acelerar a deterioração dos produtos.

O investimento deverá considerar a capacidade de produção disponível, a procura contratada, os custos de manutenção, o consumo de água e energia e o acesso a peças e assistência técnica.

Equipamentos com capacidade muito superior ao volume de matéria-prima podem permanecer subutilizados e elevar os custos por tonelada. A expansão precisa, por isso, de ser acompanhada pelo aumento da rede de produtores e pela conquista de novos mercados.

Processamento Local Pode Substituir Importações

A experiência da Investagro procura demonstrar que produtos hortícolas preparados, embalados e apresentados de acordo com as exigências do retalho podem ser produzidos em Moçambique.

“Estamos cá para dizer que isto é feito em Moçambique e que é possível, como moçambicanos, fazermos algo diferente”, afirmou Almira Langa.

A substituição de importações não depende apenas de produzir localmente. Exige capacidade de assegurar qualidade, quantidade, regularidade, conservação e preços competitivos durante todo o ano.

O processamento pode reduzir a distância entre a agricultura familiar e os grandes mercados consumidores. Também cria emprego fora da produção primária, incluindo selecção, embalagem, logística, controlo de qualidade, vendas e gestão.

Com uma capacidade actual entre 20 e 30 toneladas mensais, a unidade ainda opera numa escala limitada perante o consumo da cidade e província de Maputo. Mas o modelo mostra como um agregador pode organizar pequenos volumes dispersos e convertê-los numa oferta comercial adequada ao mercado formal.

A próxima fase estará ligada à mecanização, diversificação das embalagens, ampliação da rede de agricultores e desenvolvimento de canais capazes de absorver produtos de diferentes categorias.

Ao ligar campo, processamento e mercado, a Investagro procura fazer com que o valor da horticultura não termine na colheita, mas se prolongue através da conservação, apresentação e comercialização da produção nacional.

O.ECONÓMICO
Informação em tempo real
Fique a par.
Esteja à frente.
Acompanhe os principais acontecimentos económicos nacionais, regionais, continentais e internacionais aceda à informações certas e no momento certo e tome as melhores decisões..
CONECTE-SE AO NOSSO WHATSAPP
Informação que faz a diferença.
O.ECONÓMICO • Informação para decidir melhor