Mais de 26 mil postos de trabalho podem estar em risco devido à COVID-19

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Entre 500 pequenas e médias empresas afectadas pela COVID-19 associadas à indústria extractiva, 85% fecharam as portas em consequência da suspensão de contratos e, se a situação financeira continuar “calamitosa”, mais de 26 mil postos de trabalho estão em risco, alerta a CTA através de um estudo divulgado esta quinta-feira, em Maputo.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), no seu estudo sobre os impactos da COVID-19 no sector empresarial realizado entre Abril e Maio com o título “Um olhar para a Indústria Extractiva”, assume que no sector de Petróleo e Gás assistiu-se a queda do preço de barril para níveis históricos devido a menor demanda por produtos dos derivados de petróleo, como os combustíveis essenciais para o transporte de carga e passageiros, ou como fonte de geração de energia e como insumos para outros derivados.

De acordo com o membro do Pelouro dos Hidrocarbonetos e Energia da CTA, Chivambo Mamadhusen, hoje, em conferência de imprensa, para além de repatriados vários especialistas estrangeiros e nacionais envolvidos na implementação de projectos de Petróleo e Gás, em Cabo Delgado, no Cabo de Afungi, mais de 500 pequenas e médias empresas associadas à indústria extractiva foram afectadas pelo impacto da COVID-19, pelo que 85% dessas empresas fecharam devido à suspensão temporária de contratos, consequentemente, mais de 26 mil postos de trabalho podem estar em risco se a situação financeira das empresas se agravar.

“Cerca de 160 PME’s na área mineira registaram uma redução significativa na facturação, o que corresponde a uma perda de receita estimada em cerca de USD 12.6 milhões”, descreve Mamadhusen.

Entre os investimentos mais afectados, continua Mamadhusen, destaca-se o projecto liderado pela TOTAL, na Área 1 da Bacia do Rovuma, avaliado em USD 26 mil milhões, que suspendeu temporariamente os trabalhos iniciais relacionados com a dragagem, instalação do acampamento e o reassentamento. Entretanto, assegura o estudo, os trabalhos relacionados com a engenharia do projecto continuam em execução, obedecendo o calendário de actividades normais, e estão sendo implementados pelo empreiteiro EPC e o consórcio CCS JV (Saipem e Mc Dermott). Segundo a empresa, citada pela CTA, não haverá atrasos na execução do projecto e a entrega da primeira  carga de GNL para 2024 não será comprometida.

“Em relação aos projectos liderados pela ENI, o Projecto Offshore da Área 4 (Joint venture ENI e MRV), cujo investimento é de cerca de USD 8 milhões prossegue com as actividades normalmente, enquanto, o Projecto Coral Sul da Plataforma Flutuante de Liquefação de Gás (FLNG) com um valor de investimento de cerca de USD 7 milhões, poderá atrasar 2-3 meses, ainda assim mantém-se a perspectiva do início da exploração do gás em 2022”, assegura.

A Exxon Mobil, por outro lado, adiou o anúncio da decisão final do investimento do Projecto do Complexo Mamba da Área 4 Onshore que inicialmente estava previsto para Abril e projecta um corte de 30% nos seus custos a nível mundial devido a queda do preço de petróleo e aos impactos da COVID-19.

Mamadhusen alerta que todo o volume de negócios na indústria extractiva pode atingir USD 7 biliões dos quais USD 2.5 biliões disponíveis para a construção do projecto. “Até a data USD 651 milhões já foram gastos dos quais USD 139 milhões para empresas de maioria moçambicana”.

Volume de negócio no sector mineiro com prejuízos de mais de USD 248 milhões

Anota o estuda da CTA que até Maio, em 24 empresas ligadas ao sector mineiro, foi possível aferir que o volume de negócio reduziu cerca de 54% em média, o que representa uma queda global nas receitas em mais de USD 248 milhões.

A CTA refere ainda que 32% das empresas associadas as indústrias extractivas registaram uma redução de 100% no volume de negócio e estão encerradas, enquanto 59% das empresas tinham o seu volume de negócio reduzido entre 50% a 100%.

“Os custos das empresas aumentaram em 30% a 50% devido a implementação de planos de prevenção contra a COVID-19 e gestão de pessoal, como o aumento do número de frotas para o transporte de pessoal entre outras medidas”.

Chivambo Mamadhusen – Membro do Pelouro dos Hidrocarbonetos e Energia da CTA

A cada 20 empresas do sector mineiro mais de 2 mil trabalhadores foram a rua

A massa laboral, por seu turno, reduziu na ordem de 42% no sector mineiro e 29% no sector de petróleo & Gás quando comparado com o período antes da COVID-19, o que corresponde a cerca de 2.225 trabalhadores num exemplo de 20 empresas do sector mineiro, destes 36% ficaram sem os seus postos de trabalho devido ao encerramento da empresa que viu o seu volume de negócio reduzido para 0.

“A redução da massa laboral nas concessionárias foi de 74%, nos fornecedores de bens e provedores de serviços 65% e nas subcontratadas em 15%”, anota o estudo.

 

CTA pretende reforçar diálogo com Governo para encontrar medidas arrojadas

Para mitigar os efeitos da COVID-19 no sector da indústria extractiva, a CTA propõe-se: (i) a criar uma unidade de diálogo com Ministério dos Recursos Minerais e Energia e Instituto Nacional de Petróleos, com o objectivo de avaliar as condições particulares de Moçambique, para enfrentar o problema de economicidade dos projectos (preços, flexibilidade); (ii) no sector de hidrocarbonetos, sugerir uma flexibilidade da parte do Governo, em relação aos vistos, considerando a natureza da rotatividade e responsabilizar o controlo rigoroso dos seus colaboradores as empresas; aliviar a carga salarial das empresas destes sectores, por via do INSS, por um período de 6 meses, sujeito a prorrogação dependendo da evolução da pandemia nos próximos meses; (iii) que a banca tenha um tratamento especial às empresas que tem financiamentos, de modo que durante o Estado de Emergência, cancele a cobrança de juros; (iv) a melhorar a fiscalização de produtos contrabandeados que provêm da África do Sul e Malawi como forma de proteger os produtores locais; (v) rever qualquer forma de monopólio que limita a concorrência e aumenta os custos para Moçambique ser competitivo; (vi) prever medidas que amorteçam os impactos negativos no sector de distribuição de gasolina e produtos similares e estabelecer medidas flexíveis para os sectores mais afectados.

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