Iniciada a revisão da lei de investimentos

CTA: mais um mês de Estado de Emergência significa colapso total

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Nesta quinta-feira, antes do pronunciamento do Presidente da República sobre a prorrogação do Estado de Emergência por mais um mês, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) já previa, se tal fosse, um colapso total no sector privado dado as fragilidades financeiras que a pandemia está a causar nos seus principais clientes: o Estado e os mega-projectos.

Falando à imprensa, o membro do Pelouro de Hidrocarbonetos e Energia da CTA, Chivambo Mamudhusen, argumentou sobre “o fim da linha do sector privado” caso o Estado de Emergência continuasse (o que se está a efectivar) pelo facto das empresas privadas terem como clientes o Estado – que neste momento tem um défice para cumprir com os seus programas estatais, o que torna as empresas públicas frágeis e sem condições de alimentar o sector privado – e os mega-projectos – que se vem numa situação difícil pelos mercados internacionais continuarem fechados, significando a contínua queda dos commodities, o que lhes vai obrigar a despedir as pessoas em massa e reduzir custos para o investimento internacional. Para Mamudhesen, peremptório,  disse, então, que esse é o cenário que permite afirmar que o sector privado não terá “pernas para se manter firme”.

Das negociações que a CTA está a fazer com o Governo, continua o nosso interlocutor, entretanto, tem havido avanços: um deles é a injecção de 600 milhões de meticais ao sector privado por parte do Instituto Nacional de Segurança Nacional (INSS) e o financiamento directo Orçamento do Estado pelo Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) que irá beneficiar os pequenos e médios empresários através do IRPC durante o ano de 2020.

Ainda assim, a CTA não tem os detalhes destes avanços, prometendo aos jornalistas que até Junho terá as respostas concretas e os pontos finais dos planos em discussão.

Chivambo Mamadhusen - www.oeconomico.com

Chivambo Mamadhusen – Membro do Pelouro dos Hidrocarbonetos e Energia da CTA

Minerais em constante baixa, mas as empresas continuam a operar

De acordo com a CTA, metais preciosos e básicos, particularmente o ruby e ouro, não tiveram queda em termos de preço internacional, mas em consequência do Estado de Emergência em vários países é quase impossível levar os produtos a esses mercados, muito por causa do sistema logístico dependente de voos comerciais que neste momento estão encerrados.

Por exemplo, como ficámos a saber, a Gemfields Mozambique – empresa que vende a nível de leilões internacionais – continua com todos os trabalhadores e, através de plano de contingência, a trabalhar com os mesmos fornecedores, ainda que neste momento não haja leilões na diáspora.

Quanto ao carvão, Mamudhesen segredou aos jornalistas que houve uma perda a nível internacional no preço, o que culminou com a falta de acesso aos mercados. A Vale, por exemplo, não parou. “A Vale tem alguns contratos que foram suspensos, mas continua com todos trabalhadores contratados”, conta, acrescentando, porém, que multinacional tem muito produto parado e tem dificuldade de levar ao mercado internacional.

Em relação ao alumínio, A Mozal continua a vender e a trabalhar com todos os fornecedores, apesar do preço ter baixado. O único problema, assegura o responsável pelo Pelouro de Hidrocarbonetos e Energia da CTA, é o supply chain, por conta dos dias que os fornecedores de matéria-prima ficam na fronteira da África do Sul.

O grafiti, por outro lado, antes mesmo da COVID-19, teve uma perca de preço internacional. Na altura, a Syrah Resource que estava a exportar em média 20 toneladas por mês baixou para cinco toneladas e agora, por questões estratégicas de reserva, só a vender dois mil toneladas.

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