
Mineração limpa ganha espaço em Moçambique
O sector de mineração de Moçambique está no meio de uma transformação, à medida que transiciona para a energia limpa através do aproveitamento de minerais preciosos necessários para a produção de veículos eléctricos e baterias de lítio-íon.
Além de grandes reservas de gás encontradas no alto mar, Moçambique é o lar de depósitos comercialmente significativos de carvão, ouro, grafite, ilmenit, minério de ferro, titânio, cobre, tântalo e bauxita, destacando apenas alguns. Apesar das perturbações nas operações de mineração causadas pela COVID-19 em termos de fechamento de locais e redução no ganho das exportações, a demanda por minerais preciosos e metais não enfrentou o mesmo destino como o óleo e o gás. Na verdade, as commodities de extração aumentaram nos últimos nove meses, devido à demanda por produtos de tecnologia (que dependem do cobre, níquel, grafite, manganês e lítio) e iniciativas ecológicas globais.
Para suprir a demanda por tecnologias de energia limpa, o Banco Mundial supõe que a produção mineral pode aumentar em quase 500 por cento até 2050 e que três bilhões de toneladas de minerais e metais serão necessários para suprir a expansão das energias eólica, solar e geotermal, assim como armazenamento de energia.
Moçambique está bem posicionado para desfrutar desta explosão no mercado, com a operação de extração já expandindo através de Cabo Delgado, Gaza, Manica, Maputo, Nampula, Niassa, Tete e Zambézia. Além da extração mineral bruta, o sector é capaz de abrir oportunidades para fornecedores através da cadeia de valor, através do suprimento de equipamentos para mineração e refinaria, serviços de manutenção e, maquinário e equipamentos de automação. Na produção de carvão – na qual o país tem um dos maiores depósitos globais inexplorados – provedores de serviços encontrarão espaço para crescer suas operações através da provisão melhorada de equipamentos para extração de carvão e serviços de logística ferroviária. Como resultado, Moçambique possui grandes oportunidades que aumentam seu valor nas oprações de mineração – incluindo o estabelecimento de plantas de cimento, refinarias de alumínio e plantas de processamento de gás – para diversificar as economias nacionais e suscitar as indústrias downstream.
A Aposta dos Investidores Estrangeiros
O sector de mineração de Moçambique tem visto vários investimentos recentes de grande escala – predominantemente de empresas de mineração australianas – que comprovam os retornos consideráveis que a indústria tem para oferecer.
Dentro da mineração e processamento de areias de minerais pesados, a Kenmare Resources investiu $106 milhões no terceiro trimestre de 2020 ao mudar sua West Contractor Plant na Mina de Minerais de Titânio Moma no norte de Moçambique. Proporcionando acesso à zona de minério de alta qualidade de Pilivili, a relocação permitirá que a empresa alcance seu objetivo de produção de 1,2 milhões de toneladas por ano de ilmenita e produtos relacionados até 2021. A Mina de Moma atualmente é o quarto maior produtor de matéria-prima de dióxido de titânio no mundo. Além de contribuir com aproximadamente 5 porcento das exportações domésticas, a mina emprega mais de 1.300 moçambicanos. Outros projetos de grande escala inclui o projeto Balama da Syrah Resources, que concentra uma capacidade de produção de grafite de 350.000 toneladas por ano e representa 40 por cento do mercado de grafite mundial, exportando principalmente para a China e EUA.
Metais preciosos ainda são amplamente inexplorados, depósitos de ouro nas províncias de Niassa, Tete e Manica atraindo grande atenção, de investidores locais e estrangeiros. Por exemplo, a empresa de mineração sustentável Germfields, listada em Londres, investiu $130 milhões na sua participação de 75 por cento na mina de rubis Montepuez, que explora depósitos de rubis no norte de Moçambique e produz 1,2 milhões de quilates em 2020. Além disso, o empurrão regulatório do governo moçambicano para que mineradores artesanais e de pequeno porte legitimizem seus negócios pode abrir ainda mais actividades de exploração comercial de grande escala.
Mineiração Inteligente é o Futuro
Um factor determinante das oportunidades de extração em Moçambique e em todo o continente é a trasição global de energia, que liderou a demanda por certos minerais necessários para abastecer veículos elétricos e veículos que dependem de células combustíveis de hidrogénio. Moçambique – assim como a Tanzânia e Madagáscar – possui quantidades substanciais de grafite, que é usado na produção de baterias lítio-íon. Apesar dos investidores sustentáveis tradicionalmente excluírem a mineração de seus portfólios devido à associação com a mineração de carvão que é intensa em carbono, um modelo mais sustentável está crescendo através da extração de recursos ecologicamente sustentáveis. O Grafite de Caula e o Projeto Vanádio no norte de Moçambique, por exemplo, estão sendo posicionados por seus empreiteiros como um fornecedor de baixo custo nos mercados de circulação de vanádio e baterias de lítio que estão por trás de veículos elétricos e sistemas de armazenamento de energia.
Similarmente, uma iniciativa do Banco Mundial – Mineração Climática-Inteligente – tem como objectivo assegurar que a mineração seja favorável ao clima e sustentável em países em desenvolvimento e ricos em minerais, e que os benefícios da extracção sejam ampliados além da receita bruta. Assim, a iniciativa toma um formato de gerenciamento de recursos sustentáveis, focando na utilização de renováveis para acionar operações de mineração (ao invés de diesel ou carvão) assim como o reaproveitamento de minerais extraídos de uma maneira que gere benefícios de longo prazo para comunidades locais. Para players mineradores em ascenção como Moçambique, o estabelecimento de uma economia circular que maximiza o escopo completo de seus recursos será integral para construir uma cadeia de valores mineradora que beficie todas as partes interessadas. (Distribuído pela APO Group em nome de Africa Oil & Power Conference).
* Escritora e editora na “Africa Oil & Power”.
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