Moçambique Quer Atrair Sete Biliões De Euros Para O Turismo Nos Próximos Sete Anos

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  • Interesse crescente de investidores europeus reforça aposta do Governo na diversificação económica e na valorização do potencial turístico nacional.
Questões-Chave:
  • Governo pretende mobilizar cerca de sete biliões de euros para o sector do turismo;
  • Meta surge na sequência do Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia 2026;
  • Turismo, agro-processamento e logística destacam-se entre os sectores que despertam maior interesse dos investidores europeus;
  • Mais de 200 contactos empresariais e dezenas de reuniões foram realizados durante o evento;
  • União Europeia reafirma posição como principal investidor estrangeiro em Moçambique;
  • Governo destaca reformas económicas como factor de atracção de capital privado.

O sector do turismo poderá assumir um papel cada vez mais relevante na estratégia de crescimento e diversificação económica de Moçambique. O Governo estima que o país possa atrair cerca de sete biliões de euros em investimentos turísticos nos próximos sete anos, uma perspectiva que ganhou força após a realização do Fórum de Negócios Moçambique-União Europeia (Mozambique-EU Business Forum 2026), integrado na iniciativa Global Gateway.

O anúncio foi feito pelo Ministro da Economia, Basílio Muhate, que destacou o elevado interesse manifestado por investidores europeus relativamente às oportunidades existentes no mercado moçambicano.

Segundo o governante, os indicadores resultantes do fórum revelam um nível significativo de envolvimento empresarial, traduzido em mais de 200 contactos de negócios, cerca de 20 reuniões entre o Governo e o sector privado, bem como mais de mil participantes presenciais e virtuais. Estes números, segundo Basílio Muhate, reflectem a confiança crescente dos investidores internacionais no potencial económico do país.

Turismo Ganha Espaço Na Nova Agenda De Investimentos

Tradicionalmente associado aos sectores energético e extractivo, o investimento estrangeiro em Moçambique começa a demonstrar maior diversificação.

De acordo com o Presidente da Associação dos Empresários Europeus em Moçambique (EUROCAM), Simone Santi, o turismo emergiu como um dos sectores que mais despertou interesse junto das empresas europeias participantes no fórum.

A constatação assume particular relevância num contexto em que o país procura reduzir a dependência dos grandes projectos extractivos e ampliar a contribuição de sectores com elevada capacidade de geração de emprego, desenvolvimento local e inclusão económica.

Ao lado do agro-processamento e da logística, o turismo surge cada vez mais como uma das áreas prioritárias para a diversificação da base produtiva nacional.

Potencial Turístico Continua Subaproveitado

Moçambique possui algumas das condições naturais mais favoráveis para o desenvolvimento do turismo em África.

A extensa linha costeira superior a 2.700 quilómetros, os arquipélagos de elevado valor ecológico, as reservas naturais, a biodiversidade marinha, o património cultural e a localização estratégica no Oceano Índico constituem activos reconhecidos internacionalmente.

Apesar destas vantagens, o potencial turístico continua amplamente subaproveitado quando comparado com outros destinos africanos concorrentes.

A insuficiência de infra-estruturas, os desafios de conectividade, as limitações de promoção internacional e a necessidade de maior investimento em serviços turísticos têm sido frequentemente apontados como factores que restringem o crescimento do sector.

É precisamente neste contexto que a mobilização de novos investimentos assume uma importância estratégica.

Reformas Procuram Melhorar Ambiente De Negócios

Segundo Basílio Muhate, o interesse crescente dos investidores está associado ao conjunto de reformas que o Governo tem vindo a implementar para melhorar o ambiente de negócios e aumentar a competitividade da economia moçambicana.

O Executivo considera que a combinação entre estabilidade política, reformas económicas, oportunidades nos sectores produtivos e aprofundamento das relações com parceiros internacionais está a contribuir para reposicionar Moçambique nos radares dos investidores globais.

“O momento é de Moçambique”, afirmou o ministro, defendendo que o país deve aproveitar a actual conjuntura para consolidar parcerias estratégicas e acelerar a transformação económica.

União Europeia Reforça Compromisso Com Moçambique

O Embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonino Maggiore, considerou que o fórum produziu resultados relevantes, destacando a forte participação do sector privado e o compromisso político demonstrado pelas autoridades moçambicanas.

Segundo o diplomata, a presença prolongada do Presidente da República, Daniel Chapo, durante os trabalhos do fórum foi interpretada pelos investidores como um sinal claro de apoio às reformas económicas e ao fortalecimento da parceria entre Moçambique e a União Europeia.

O Global Gateway constitui actualmente uma das principais plataformas de cooperação económica da União Europeia com países parceiros, procurando mobilizar investimentos em áreas estratégicas como infra-estruturas, energia, digitalização, transportes, agricultura e turismo.

Turismo Como Motor De Desenvolvimento

A concretização da meta de sete biliões de euros poderá representar uma transformação significativa para o sector turístico nacional.

Além do aumento da capacidade hoteleira e da melhoria dos serviços, investimentos desta dimensão poderão impulsionar cadeias de valor associadas ao transporte, restauração, construção, agricultura, artesanato, economia azul e actividades culturais.

Num país onde a criação de emprego continua a ser uma das principais prioridades económicas, o turismo apresenta uma vantagem adicional: a sua capacidade de distribuir rendimento por diferentes regiões e envolver pequenas e médias empresas em toda a cadeia produtiva.

O interesse manifestado pelos investidores europeus sugere que Moçambique poderá estar a entrar numa nova fase de valorização do seu potencial turístico. O desafio passa agora por transformar intenções de investimento em projectos concretos capazes de reforçar a competitividade do destino, aumentar a entrada de divisas e contribuir para um crescimento económico mais diversificado e inclusivo.