Nações Unidas Solicitam 7,2 Milhões de Dólares para Apoiar Moçambique Após Ciclone Chido

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As Nações Unidas anunciaram a necessidade de 7,2 milhões de dólares para apoiar Moçambique na sequência do ciclone Chido, que devastou a província de Cabo Delgado e outras regiões do norte do país. A passagem deste ciclone tropical intenso causou danos significativos às infraestruturas, afectando centenas de milhares de pessoas e destacando a vulnerabilidade do país aos desastres climáticos.

Impactos do Ciclone Chido

O ciclone Chido, classificado como um evento de nível 3 na escala de 1 a 5, atingiu Moçambique a 14 de Dezembro de 2024, trazendo chuvas torrenciais superiores a 250 mm em 24 horas, ventos fortes e trovoadas. De acordo com dados oficiais:

  • 120 pessoas perderam a vida e 868 ficaram feridas;
  • Cerca de 450 mil pessoas foram afectadas diretamente;
  • Mais de 40% dos hospitais da província de Cabo Delgado ficaram danificados;
  • 12 mil mulheres grávidas perderam o acesso a cuidados de saúde essenciais.

Além dos danos em infraestruturas, o ciclone causou uma crise humanitária severa, deixando comunidades inteiras sem acesso a alimentos, água potável e abrigos seguros.

Necessidades Identificadas e Apoio Proposto

O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), em colaboração com o Governo de Moçambique, identificou as seguintes áreas prioritárias para intervenção:

  • Apoio médico e psicossocial: Reabilitação de unidades sanitárias e oferta de cuidados especializados para mulheres e raparigas em situação de vulnerabilidade.
  • Fornecimento de alimentos e abrigo: Assistência imediata para suprir as necessidades básicas das famílias afectadas.
  • Construção de resiliência: Implementação de soluções sustentáveis para minimizar os impactos de futuros desastres naturais.

O UNFPA solicitou 7,2 milhões de dólares para financiar estas iniciativas, destacando a urgência de uma resposta coordenada e imediata.

O Contexto Climático de Moçambique

Moçambique é um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, enfrentando regularmente ciclones tropicais e cheias durante a época chuvosa, de Outubro a Abril. Apenas um mês após o ciclone Chido, o ciclone Dikeledi atingiu a província de Nampula, causando:

  • 11 mortes e afectando 249.813 pessoas;
  • Destruição de 19.751 casas e danos em 129 escolas;
  • Danos em 67 quilómetros de estradas e 44 unidades sanitárias.

Desafios e Perspectivas

A abordagem destes eventos, que tendem a ser frequentes e de intensidade crescente exigem soluções a longo prazo para aumentar a resiliência do país. Além do apoio imediato, Moçambique necessita de entre outros, de realizar investimentos em infraestruturas resistentes, para mitigar os danos em comunidades vulneráveis. Precisa também de fortalecimento da gestão de risco, ou seja,  melhorar a capacidade de resposta do Instituto Nacional de Gestão de Risco de Desastres (INGD). Para alem disto, a capacidade de mobilização de recursos internacionais é fundamental.  Parcerias que assegurem financiamentos sustentáveis para programas de recuperação e preparação são indispensáveis.

Portanto, a passagem do ciclone Chido representa mais um alerta sobre os desafios climáticos enfrentados por Moçambique. Com o apoio das Nações Unidas e de parceiros internacionais, é possível responder à crise humanitária e construir um futuro mais resiliente e preparado para enfrentar as adversidades naturais.

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