O Instituto de Oceanografia de Moçambique (InOM) enfrenta um dos maiores desafios da sua história: alinhar a capacidade de pesquisa e produção pesqueira com os imperativos de sustentabilidade ambiental e avanço tecnológico. Esta prioridade foi reforçada na sexta-feira, 20/12, em Maputo, pela Ministra do Mar, Águas Interiores e Pescas, Lídia Cardoso, durante o lançamento do Plano Estratégico Nacional do InOM (2024-2033), que também incluiu a apresentação das novas cartas náuticas do País.

O plano, ambicioso na sua essência, propõe transformações estruturais que visam expandir a produção pesqueira nacional, tanto em escala como em valor agregado, aumentando a contribuição deste sector para o Produto Interno Bruto (PIB). No entanto, os obstáculos são consideráveis, incluindo a falta de técnicos qualificados, tecnologias de ponta e mercados eficientes para os pescadores artesanais.

Potencial económico da pesca

A produção pesqueira em Moçambique atingiu 496,3 mil toneladas em 2023, um aumento de 9% em relação ao ano anterior. Este crescimento representa não apenas um avanço quantitativo, mas também a demonstração do potencial econômico do setor, que integra o vasto patrimônio de recursos marinhos do país.

Contudo, a ministra sublinhou que este número pode ser exponencialmente ampliado com investimentos em inovação tecnológica e capacitação. “A transformação dos recursos do mar em riqueza requer conhecimento e tecnologias adequadas. Este é o momento de mobilizar todos os esforços para maximizar o impacto econômico deste setor”, afirmou Lídia Cardoso.

Iniciativas Estratégicas

O Plano Estratégico do InOM define cinco pilares fundamentais para os próximos anos:

• Investigação e desenvolvimento: Ampliação de estudos científicos voltados para a exploração sustentável dos recursos marinhos.

• Extensão tecnológica: Introdução de tecnologias inovadoras na pesca e na aquacultura.

• Governação participativa: Fortalecimento de parcerias públicas e privadas para gestão dos recursos.

• Capacitação profissional: Formação de técnicos qualificados para aumentar a produtividade.

• Infraestrutura: Melhoria das condições logísticas e equipamentos para apoio à pesca industrial e artesanal.

Desafios persistentes

Apesar do optimismo, o setor enfrenta problemas estruturais. A Ministra destacou que grande parte da produção pesqueira artesanal ainda carece de valor comercial devido ao uso de técnicas ultrapassadas e à ausência de mercados organizados. Estes desafios comprometem a renda dos pescadores e limitam a competitividade de Moçambique no mercado internacional.

Outro ponto crítico é a necessidade de mitigar os efeitos das mudanças climáticas, que afetam diretamente os recursos marinhos. Neste contexto, a colaboração com instituições de pesquisa internacionais será vital.

Projeções e Impactos

O plano do InOM projeta um aumento significativo na arrecadação de receitas derivadas da produção marítima, bem como na prestação de serviços ligados à pesca, águas interiores e marinhas. A meta é posicionar Moçambique como um dos líderes regionais em produção pesqueira e desenvolvimento de tecnologias para o setor.

Para a investigadora oceanográfica Cândida Sete, o sucesso deste plano depende da criação de condições adequadas para a exploração sustentável dos recursos e da capacidade de transformar a pesca em um motor de crescimento econômico.

“Este é um momento decisivo para Moçambique. Com vontade política, investimento sustentável e inovação, o país pode redefinir o papel da pesca na sua economia e melhorar significativamente as condições de vida das comunidades pesqueiras”, concluiu.

SUBSCREVA O.ECONÓMICO REPORT
Aceito que a minha informação pessoal seja transferida para MailChimp ( mais informação )
Subscreva O.Económico Report e fique a par do essencial e relevante sobre a dinâmica da economia e das empresas em Moçambique
Não gostamos de spam. O seu endereço de correio electrónico não será vendido ou partilhado com mais ninguém.