
Ouro Abranda Após Máximos de Seis Semanas, Com Rendimentos das Treasuries a Pressionar o Mercado
O metal precioso recua ligeiramente depois do forte rally, mas os fundamentos permanecem favoráveis, com o mercado a atribuir quase 90% de probabilidade a um corte das taxas da Reserva Federal em Dezembro.
- O ouro recua 0,4% após atingir o nível mais alto em seis semanas na sessão anterior;
- A subida dos rendimentos das Treasuries reduz a atractividade do ouro não-remunerado;
- O mercado continua a apostar num corte das taxas da Fed em Dezembro, sustentando o quadro favorável ao metal precioso;
- Os investidores aguardam dados económicos cruciais dos Estados Unidos, incluindo o ADP e o índice PCE.
O ouro registou uma ligeira queda na sessão desta terça-feira, depois de ter alcançado o valor mais alto das últimas seis semanas. A valorização recente motivou movimentos de realização de lucros, enquanto a subida dos rendimentos das obrigações do Tesouro norte-americano voltou a pesar sobre o metal precioso, num momento em que os investidores aguardam dados económicos decisivos para clarificar o rumo da política monetária da Reserva Federal.
Na manhã de terça-feira, o ouro spot descia 0,4%, para 4.216,13 dólares por onça, após ter atingido na segunda-feira o nível mais elevado desde 21 de Outubro. Os futuros para entrega em Dezembro recuavam 0,7%, negociando em torno de 4.246,60 dólares por onça. A correcção surge num ambiente de consolidação dos ganhos acumulados ao longo das últimas semanas, marcadas por uma forte procura por activos de segurança.
O principal factor para a retracção do ouro prende-se com o comportamento das obrigações norte-americanas. Os rendimentos das Treasuries a dez anos voltaram a aproximar-se de máximos de duas semanas, reduzindo o apelo do ouro enquanto activo não-remunerado. Ainda assim, analistas de mercado sublinham que a trajectória estrutural permanece favorável ao metal precioso, sobretudo devido à expectativa de cortes das taxas de juro nos Estados Unidos.
Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade, observa que o ouro regista um desempenho mais suave nesta sessão, mas destaca que os fundamentos não se alteraram. O consenso de mercado atribui cerca de 88% de probabilidade a um corte das taxas já em Dezembro, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME, o que sustenta a procura por ouro ao reduzir os rendimentos reais dos activos concorrentes.
As declarações de Jerome Powell continuam a ser escrutinadas de perto pelos mercados. O presidente da Reserva Federal, num discurso preparado para uma intervenção em Stanford, evitou pronunciar-se sobre a economia e sobre a política monetária, alimentando a expectativa em torno dos dados económicos agendados para esta semana. Em destaque estão o relatório de emprego ADP, na quarta-feira, e o índice PCE — a medida de inflação preferida da Fed — previsto para sexta-feira.
No plano político, o ambiente nos Estados Unidos adiciona um elemento adicional de incerteza. Kevin Hassett, conselheiro económico da Casa Branca, revelou estar disponível para ocupar a presidência da Fed, enquanto o Tesouro sugeriu que a Casa Branca poderá avançar com uma nomeação antes do Natal. Hassett partilha com o Presidente Donald Trump uma posição favorável à redução agressiva das taxas de juro, cenário que seria estruturalmente positivo para o ouro.
A procura institucional continua igualmente forte. O SPDR Gold Trust, o maior fundo mundial associado ao ouro físico, reportou um aumento das suas reservas para 1.050,01 toneladas, subindo face às 1.045,43 registadas na sexta-feira, sinal de que o interesse do mercado permanece elevado.
No segmento dos metais preciosos, a prata recuou 1,5%, para 57,10 dólares por onça, enquanto a platina e o paládio caíram 0,5%, colocando-se, respectivamente, em 1.649,72 dólares e 1.417 dólares por onça.
O recuo do ouro reflecte sobretudo ajustamentos técnicos num mercado que continua ancorado na expectativa de cortes das taxas da Fed. O metal precioso mantém-se acima de suportes críticos e sustenta a sua posição como activo de referência num ambiente global ainda marcado pela incerteza monetária.
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