Ouro Recua Com Dólar Forte E Apostas Em Novas Subidas De Juros Pela Fed

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  • Metal precioso perde mais de 1%, pressionado pela valorização da moeda norte-americana e pela reavaliação das expectativas de política monetária nos Estados Unidos. Dados de inflação deverão definir o próximo movimento dos mercados.

Questões-Chave

  • O ouro à vista caiu 1,1%, para 4.142,61 dólares por onça, enquanto os contratos futuros norte-americanos recuaram 1%, para 4.160,20 dólares.
  • O dólar manteve-se próximo de máximos de cerca de um ano, tornando o ouro mais caro para investidores que operam noutras moedas.
  • Os mercados passaram a atribuir 88% de probabilidade a uma subida dos juros da Reserva Federal norte-americana em Dezembro.
  • A divulgação do índice de preços das despesas de consumo pessoal dos Estados Unidos deverá fornecer novas indicações sobre a trajectória da inflação e dos juros.

O ouro iniciou a sessão de terça-feira em queda acentuada, pressionado pela firmeza do dólar norte-americano e pelo reforço das expectativas de que a Reserva Federal dos Estados Unidos poderá voltar a subir as taxas de juro ainda este ano.

Segundo a Reuters, o ouro à vista recuava 1,1%, para 4.142,61 dólares por onça, enquanto os futuros norte-americanos com entrega em Agosto perdiam 1%, negociando em torno de 4.160,20 dólares. O movimento prolonga um período de maior cautela nos mercados de metais preciosos, onde os investidores têm revisto as suas posições perante um ambiente monetário mais restritivo nos Estados Unidos.

Dólar Forte Reduz Atractividade Do Metal

A valorização do dólar continua a ser um dos principais factores de pressão sobre o ouro. A moeda norte-americana permaneceu próxima do máximo de cerca de um ano alcançado na semana passada, elevando o custo do metal denominado em dólares para compradores que utilizam outras moedas.

Este efeito tende a reduzir a procura internacional pelo ouro, sobretudo num contexto em que os investidores podem encontrar retornos mais atractivos em activos remunerados, como obrigações do Tesouro norte-americano e outros instrumentos de dívida denominados em dólares.

Para Tim Waterer, analista-chefe de mercados da KCM Trade, citado pela Reuters, a redução dos preços do petróleo havia oferecido algum alívio ao ouro no início da semana. Porém, a persistente força do dólar acabou por neutralizar esse suporte, mantendo o metal sob pressão.

Mercado Reforça Apostas Em Subida Dos Juros

A dinâmica do ouro está também a ser determinada por uma mudança clara nas expectativas dos mercados relativamente à política monetária norte-americana. De acordo com o CME FedWatch Tool, os operadores passaram a atribuir 88% de probabilidade a uma subida dos juros em Dezembro, acima dos 61% registados antes da reunião mais recente da Reserva Federal.

Taxas de juro mais altas são, em regra, desfavoráveis ao ouro, uma vez que o metal não gera rendimento. Quando os retornos dos activos financeiros remunerados aumentam, o custo de oportunidade de manter ouro torna-se mais elevado, levando investidores a reequacionar a exposição ao activo.

A tendência ganhou força depois de declarações de responsáveis da Reserva Federal que mantiveram a atenção dos mercados centrada no comportamento da inflação. O presidente da Reserva Federal de Chicago, Austan Goolsbee, assinalou que, com o mercado de trabalho a mostrar estabilidade, a principal questão é perceber se a inflação permanecerá elevada ou se poderá abrandar à medida que se dissipem os efeitos das tarifas mais altas e das tensões no Médio Oriente.

Inflação Norte-Americana No Centro Das Atenções

Os investidores aguardam agora os dados relativos às despesas de consumo pessoal dos Estados Unidos — o indicador de inflação preferido pela Reserva Federal — que deverão ser divulgados ainda esta semana.

Uma leitura acima das expectativas poderá reforçar a percepção de que a autoridade monetária terá de manter uma postura mais restritiva, dando novo impulso ao dólar e ampliando a pressão sobre o ouro. Pelo contrário, sinais de moderação da inflação poderão reabrir espaço para uma revisão das expectativas de subida dos juros, oferecendo algum suporte ao metal precioso.

O comportamento do ouro continua igualmente ligado à evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irão. A Reuters reportou que Washington concedeu uma isenção de sanções por 60 dias, após os primeiros contactos no âmbito de um entendimento de paz ainda em consolidação. O vice-presidente norte-americano, JD Vance, afirmou que as conversações realizadas na Suíça estabeleceram uma base favorável para um eventual acordo final, embora Teerão tenha negado que já estejam em curso discussões sobre o programa nuclear.

Uma eventual redução sustentada das tensões geopolíticas tende a limitar a procura por activos de refúgio, como o ouro. Ainda assim, a evolução da inflação, do dólar e dos juros nos Estados Unidos deverá continuar a ser o principal determinante da trajectória do metal no curto prazo.

Metais Industriais Também Em Queda

A pressão não se limitou ao ouro. A prata recuou 3,3%, para 63,05 dólares por onça, enquanto a platina perdeu 1,9%, para 1.646,30 dólares. O paládio caiu 1,8%, para 1.242,75 dólares por onça.

O movimento sincronizado reforça a leitura de que os mercados de metais estão a ajustar-se a uma combinação de dólar mais forte, rendimentos financeiros mais elevados e menor procura imediata por activos defensivos. Para os próximos dias, os dados de inflação norte-americanos e quaisquer desenvolvimentos nas conversações entre Washington e Teerão serão decisivos para definir se a correcção do ouro ganha continuidade ou encontra um novo ponto de estabilização.