Ouro Recua Com Petróleo Em Alta A Reforçar Aposta Em Novos Aumentos De Juros Nos EUA

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  • A subida dos preços do crude, na sequência de novos ataques entre os Estados Unidos e o Irão, reacendeu preocupações inflacionistas e pressionou o ouro, num contexto em que os investidores antecipam uma política monetária mais restritiva por parte da Reserva Federal.
Questões-Chave:
  • O ouro à vista recuou 0,6%, para 4.062,89 dólares por onça, enquanto os contratos futuros perderam 0,5%;
  • A escalada entre Washington e Teerão impulsionou o petróleo e reforçou os riscos para a inflação global;
  • Os mercados passaram a incorporar a possibilidade de três aumentos das taxas de juro da Reserva Federal este ano;
  • Dados sobre emprego nos EUA poderão redefinir as expectativas para a política monetária e para o mercado dos metais preciosos.

O ouro iniciou a semana em queda, pressionado pela combinação entre a valorização do petróleo, a persistência de tensão geopolítica no Golfo e a revisão em alta das expectativas de novos aumentos das taxas de juro nos Estados Unidos.

O metal precioso negociava-se em baixa de 0,6%, para 4.062,89 dólares por onça, enquanto os contratos futuros norte-americanos para entrega em Agosto recuavam 0,5%, para 4.077,50 dólares. O movimento coloca o ouro no caminho para um quarto mês consecutivo de perdas, num período em que os investidores têm reavaliado o equilíbrio entre o seu papel tradicional de activo de refúgio e o custo de oportunidade de o manter num ambiente de juros elevados.

Segundo a Reuters, a pressão sobre o metal intensificou-se depois de novos confrontos entre os Estados Unidos e o Irão terem voltado a elevar a incerteza sobre a estabilidade do Golfo e sobre a circulação de energia através do Estreito de Ormuz.

Petróleo Volta A Colocar Inflação No Centro Das Decisões

Os preços do petróleo reagiram em alta depois de o Irão ter lançado mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas no Kuwait e no Bahrein, numa escalada que voltou a expor a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento energético.

Embora tenham surgido indicações de uma possível interrupção das hostilidades e de retoma de contactos entre Washington e Teerão, a percepção nos mercados é que a situação continua frágil. A possibilidade de novas perturbações no Golfo mantém elevado o prémio de risco associado ao petróleo, com impacto directo sobre as perspectivas de inflação.

Para os mercados financeiros, a ligação é clara: preços de energia mais altos tendem a alimentar pressões inflacionistas, reduzindo a margem de manobra dos bancos centrais para aliviar a política monetária. No caso dos Estados Unidos, isso reforça a expectativa de que a Reserva Federal poderá manter uma postura mais restritiva durante mais tempo.

Juros Elevados Reduzem A Atracção Do Ouro

Embora o ouro seja frequentemente procurado como protecção contra a inflação e contra momentos de incerteza geopolítica, o metal não gera juros. Quando as taxas de juro sobem ou permanecem elevadas, activos remunerados — como obrigações do Tesouro norte-americano — tornam-se relativamente mais atractivos, reduzindo a procura por ouro.

Os investidores estão agora a precificar a possibilidade de três aumentos das taxas de juro pela Reserva Federal ao longo do ano, com uma probabilidade próxima de 80% de uma subida em Dezembro, de acordo com as expectativas acompanhadas pelo mercado através da ferramenta CME FedWatch.

Este reposicionamento ajuda a explicar por que razão a procura defensiva por ouro não tem sido suficiente para compensar a pressão vinda do aumento dos rendimentos financeiros e da perspectiva de uma moeda norte-americana potencialmente mais forte.

Dados Do Emprego Poderão Definir O Próximo Movimento

A atenção dos investidores desloca-se agora para a divulgação dos dados de emprego nos Estados Unidos, incluindo o indicador da ADP relativo a Junho e os números oficiais das folhas de pagamento não-agrícola.

Estes dados serão decisivos para aferir a robustez do mercado de trabalho norte-americano e, consequentemente, a margem que a Reserva Federal terá para prosseguir com uma política de juros mais altos. Um mercado de trabalho ainda resiliente poderá reforçar as apostas num novo aperto monetário, prolongando a pressão sobre o ouro. Em contrapartida, sinais de abrandamento mais acentuado poderão devolver algum suporte ao metal precioso.

O Caminho Para Os 5.000 Dólares Continua Dependente Da Descompressão

Ainda assim, alguns analistas mantêm uma visão construtiva sobre o ouro no horizonte de médio prazo. Para que o metal possa voltar a aproximar-se da fasquia dos 5.000 dólares por onça ainda este ano, será necessário, porém, um conjunto de condições favoráveis: uma descompressão sustentada do conflito no Golfo, uma queda do petróleo para níveis anteriores à actual crise e um dólar mais fraco.

Até lá, o mercado continuará dividido entre dois impulsos opostos: de um lado, a procura por activos de refúgio em resposta à instabilidade geopolítica; do outro, o peso de uma política monetária mais restritiva, que eleva o custo de oportunidade de deter ouro.

Nos restantes metais preciosos, a prata recuava 1,2%, para 58,47 dólares por onça. A platina registava uma subida marginal de 0,2%, para 1.617,15 dólares, enquanto o paládio avançava 0,4%, para 1.213,60 dólares.