Ouro Ultrapassa 5.000 Dólares Por Onça Com Mercado A Precificar Cortes Da Fed

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Dados fracos de vendas a retalho nos EUA pressionam yields para 4,15%-4,22%, enfraquecem o dólar e reforçam procura por activos de refúgio.

Questões-Chave:
  • Ouro negocia acima de 5.040 dólares por onça a 11 de Fevereiro de 2026;
  • Mercado atribui probabilidade superior a 50% a pelo menos dois cortes de 25 pb da Fed este ano;
  • Yield das Treasuries a 10 anos recua para intervalo de 4,15%-4,22%;
  • Banco Popular da China prolonga compras de ouro pelo 15.º mês consecutivo;
  • ETFs de ouro na Índia registam entradas recorde de 24.040 crore rupias em Janeiro.

Ouro Consolida Acima Do Nível Psicológico Dos 5.000 Dólares

O ouro voltou a afirmar-se como activo dominante em 2026, negociando acima dos 5.000 dólares por onça, com o preço spot a aproximar-se de 5.044,95 dólares na sessão de 11 de Fevereiro.

O movimento surge após dados de vendas a retalho nos Estados Unidos terem revelado estagnação em Dezembro, sinalizando abrandamento do consumo e reforçando a expectativa de flexibilização monetária por parte da Reserva Federal .

O metal recupera assim da correcção registada no final de Janeiro, encontrando suporte firme no nível psicológico dos 5.000 dólares, agora convertido em zona técnica de consolidação.

Queda Das Yields E Dólar Mais Fraco Sustentam Rally

A reacção imediata do mercado foi visível no mercado obrigacionista. A yield das Treasuries a 10 anos recuou para a faixa de 4,15%-4,22%, reduzindo o custo de oportunidade de deter activos que não geram rendimento, como o ouro.

Simultaneamente, o enfraquecimento do dólar amplificou o movimento altista, tornando o metal mais atractivo para investidores internacionais.

Os mercados monetários estão a prever pelo menos dois cortes de 25 pontos base em 2026, com o primeiro potencialmente em Junho, cenário que continua a sustentar o apetite por metais preciosos.

Procura Institucional Reforça Tendência

Para além da narrativa de taxas de juro, a procura estrutural permanece sólida.

O Banco Popular da China (PBOC) prolongou em Janeiro a sua série de compras de ouro pelo 15.º mês consecutivo, reforçando o papel dos bancos centrais como compradores líquidos do metal .

Na Índia, os fluxos para ETFs de ouro atingiram níveis recorde. Em Janeiro de 2026, os fundos registaram entradas de aproximadamente 24.040 crore, mais do que duplicando o volume de Dezembro. Pela primeira vez, as entradas em ETFs de ouro quase igualaram as de fundos de acções, evidenciando uma clara postura defensiva dos investidores .

Fed Mantém Prudência E Inflação Continua No Radar

Apesar da leitura do mercado, membros da Fed têm adoptado tom cauteloso. A presidente da Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que não existe “urgência” em alterar as taxas, sublinhando que a inflação permanece “ainda demasiado elevada”, podendo rondar 3% em 2026, acima da meta de 2%.

Este desalinhamento entre expectativas de mercado e comunicação oficial cria um ambiente propício a volatilidade.

O relatório de emprego (Nonfarm Payrolls) e os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) serão determinantes para confirmar  ou contrariar o actual cenário de cortes.

Metais Em 2026: Liderança Do Ouro Mantém-se

Em termos comparativos, o ouro acumula valorização aproximada de 15%-16% em 2026, superando a prata, que regista ganhos na ordem dos 10%.

A relação ouro/prata mantém-se elevada, reflectindo a preferência dos investidores pelo metal com menor volatilidade relativa num contexto de incerteza monetária e geopolítica.

Com yields em queda, bancos centrais activos e riscos geopolíticos persistentes, o ouro consolida-se não apenas como hedge táctico, mas como componente estratégica de portefólios globais.

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