Países africanos devem implementar políticas arrojadas para ajudar as economias a mitigar os riscos compostos

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  • Recomenda-se implementação de uma combinação políticas monetárias, fiscais e estruturais
  • Melhorar a governação institucional e decretar políticas que possam alavancar o financiamento do sector privado

O Relatório sobre o Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas para África, divulgado em Abidjan, esta quinta-feira, 19/01, advoga medidas robustas para enfrentar as ameaças que pairam sobre as economias do continente. Tais medidas incluem uma combinação de políticas monetárias, fiscais, e estruturais, tais como:

  • Uma política monetária oportuna e agressiva, mais restritiva nos países com inflação elevada, e um aperto cauteloso nas políticas dos países onde as pressões inflacionárias são baixas.
  • Coordenação eficaz das ações fiscais e monetárias para otimizar os resultados das ações de intervenção política para abrandar a inflação e as pressões fiscais.
  • Reforço da resiliência através do aumento do comércio intra-africano, especialmente na indústria transformadora, para amortecer as economias dos preços voláteis das matérias-primas.
  • Acelerar as reformas estruturais para criar capacitação na administração fiscal e investimentos na digitalização e na e-governação para aumentar a transparência, reduzir os fluxos financeiros ilícitos, e aumentar a mobilização de recursos domésticos.
  • Melhorar a governação institucional e decretar políticas que possam alavancar o financiamento do sector privado, especialmente em projetos resilientes ao clima e à prova de pandemias – e mobilizando os recursos de África para o desenvolvimento inclusivo e sustentável.
  • Tomar medidas decisivas para reduzir os défices orçamentais estruturais e a acumulação da dívida pública em países confrontados com um elevado risco de endividamento excessivo ou já em situação de endividamento excessivo.

Panorama das perspetivas económicas entre as regiões

Apesar da confluência de choques múltiplos, o crescimento nas cinco regiões africanas foi positivo em 2022 – e as perspetivas para 2023 e 24 deverão manter-se estáveis.

  • África Central – Impulsionada por preços favoráveis das matérias-primas, estima-se que o crescimento tenha sido o mais rápido do continente, com 4,7%, contra 3,6% em 2021. 
  • África Austral – O crescimento desacelerou, para cerca de 2,5% em 2022, contra 4,3% em 2021. Esta desaceleração reflecte um crescimento moderado na África do Sul, uma vez que taxas de juro mais elevadas, uma procura interna fraca, e cortes de energia persistentes pesaram sobre a economia.
  • África Ocidental – Estima-se que o crescimento na África Ocidental tenha abrandado de 4,4% em 2021 para 3,6% em 2022.  A situação reflecte as desacelerações na Costa do Marfim e na Nigéria, as duas maiores economias da região. O crescimento da Nigéria em 2023 – embora atingido pela Covid-19, a insegurança, e a fraca produção de petróleo apesar dos preços internacionais do petróleo mais elevados – pode beneficiar dos esforços em curso para restaurar a segurança na agitada região produtora de petróleo.
  • Norte de África – Estima-se que o crescimento no Norte de África tenha diminuído 1,1 pontos percentuais, para 4,3% em 2022, de 5,4% em 2021, devido à forte contração na Líbia e à seca em Marrocos. Prevê-se que o crescimento estabilize nos 4,3% em 2023, apoiado por uma forte recuperação esperada nos dois países e por um crescimento sustentado noutros locais da região.
  • África Oriental – Estima-se que o crescimento na África Oriental tenha moderado para 4,2% em 2022, contra 5,1% em 2021. Contudo, prevê-se que recupere para a média registada antes da pandemia, acima dos 5% em 2023 e 2024. Embora a estrutura de produção na África Oriental seja relativamente diversificada, os países da região são em grande parte importadores líquidos de matérias-primas. Assim, suportam o peso dos preços internacionais elevados, para além dos choques climáticos recorrentes e da insegurança, particularmente no Corno de África.

Economista-Chefe Interino e Vice-Presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Kevin Urama, observou que África continua a ser um destino favorável para investimentos em capital humano, infraestruturas, desenvolvimento do sector privado, e capital natural.

“África tem um papel significativo a desempenhar na promoção do crescimento inclusivo e do desenvolvimento sustentável a nível mundial. Existem muitas oportunidades de investimento inteligente em sectores-chave: agricultura, mercados energéticos, minerais, infraestruturas sanitárias e indústrias farmacêuticas, manufaturas ligeiras, transportes e logística, economia digital e muito mais. O continente continua a ser um tesouro para os investidores inteligentes a nível mundial”, disse Urama.

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